sábado, 31 de outubro de 2026

MÁQUINA DE FAZER MONSTROS

 

Você sabe que tem razão

 

"A máscara social torna-se particularmente problemática quando deixa de ser uma conveniência e passa a substituir a própria identidade."

 

(Faz tempo que não escrevo nesse blog e resolvi escrever e reativar ele)

 

Estamos em uma época que a grande ditadura que temos é das redes sociais, que como Umberto Eco disse um dia, deu voz aos idiotas. Talvez, idiota aqui fosse algo muito mais no sentido grego, ou seja, gente ignorante, mesquinha que só quer o seu e pronto. Em uma serie de dois textos lá no Substrack – tanto o “Digital Boy”, quanto “Entendo o Felca” – onde análise toda a trajetória de uma sociedade onde se prevaleceu a gama de princípios de não afetividade das pessoas. Um sentimento me invadiu como se fossemos responsáveis de uma geração inteira não ter capacidade de amar, deter laços afetivos de se envolver e ter medo e acima de tudo, gostar de bajuladores,

Uma das coisas que eu aprendi na minha “noite escura da alma” que não preciso de modo nenhum, ser aquilo que não sou para agradar ninguém que usam máscaras sociais. No final das contas, ficamos nos anulando para agradar as pessoas. Comecei a revisitar as obras do filósofo Pondé como ele fosse uma espécie de mestre da filosofia do mesmo modo de que Sócrates era para Platão. Fora de alguma escola. E em um vídeo, falando em corrupção, ele disse que o Brasil tem um problema de corrupção e até mesmo, corrupção de caráter. Não é o que vimos na rede? Na sua trilogia “para os corajosos”, Pondé nos coloca na questão de termos coragem na maneira de filosofar, de ter uma espiritualidade (diferente de religiosidade), e no amor.

Nós dentro da espiritualidade mais ocultista – uma forma de estudar os ensinamentos jesuíticos muito mais profundamente e espiritualidade ancestral – sabemos que existem formas de controle e agentes (igual do filme Matrix, configurados em “agentes Smiths”) que vigiam esses questionadores. Redes sociais são a nata disso. Nas eleições, muitos colegas e eu que apoiavam o candidato Renan Santos *MBL/Missão), por exemplo, foram reduzidos e quem apoiava Flavio Bolsonaro (PL) na rede X, foram beneficiados. Sabemos que o bilionário Ellon Musk (dono do X), apoia o governo Trump e que mexe toda hora na linguagem de programação do X. Será que essa redução tem a ver com isso? Será que muitos cartomantes que apoiaram o Lula – não só – disseram que diminuíram seu alcance nas redes do Meta? Esse tipo de crítica e questionamento, é importante na filosofia corajosa.

E aí tem uma provocação nisso: a coragem dentro da filosofia tende sempre em pensar sem medo do alheio, podemos ser mais específicos e usar fácil coisas como “ter coragem de beber cicuta” ou “cuspi na cara de um hipócrita”. E isso o Pondé me ensinou, porque uma das primeiras perguntas que ele fez na filosofia, quando fazia medicina era, como era um paciente que saberia que iria para o nada. O nada como um vazio existencial é a nata filosófica no sentido que, o nada sartreano (consequentemente, existencialista) é um jogar no mundo dentro de uma construção enquanto em construir uma essência, mas, penso um pouco diferente. O nada é a ontologia entre o vazio existencial e aquilo que somos em essência, como se acordarmos de dentro da Matrix (você desconecta os conectores e seus olhos doem porque não foram usados). Não precisamos negar nossa essência para aceitarmos nossa liberdade existencial, porque existe a mente, o corpo e a alma.

Quando experimentamos “a noite escura da alma” nós experimentamos o vazio existencial de tudo que acreditávamos que seria realidade dentro daquilo que você viveu ou viu (em alguns casos, leu). É um ritual bastante interessante. Tem a ver da coragem de experimentar uma espiritualidade verdadeira sem “muletas” químicas, só ativando arquétipos adormecidos (talvez, escreva sobre). A questão é que: uma espiritualidade corajosa, além de tirar essa ilusão no desvelamento (aletheia), não confundir aparência com realidade. Não preciso rituais institucionais para me conectar com a Consciência Criadora, mas, ter o poder de me conectar com forças além sem deixar eu mesmo de lado. Isso não quer dizer que acho errado ter rituais, mas, não precisamos toda hora deles.

Ai você está preparado para o amor corajoso. Existe dois tipos de amor, a meu ver: o amor amizade (philia) que é o amor entre parentes e amigos e somos, em muitos casos, muito mais verdadeiros. Porque, construímos na imagem do parente, um amor incondicional e nem sempre é verdade, pois, primos podem ser afastar, pai pode não ter nenhum vínculo com os filhos e a mãe pode não querer o próprio filho. Ou, amigos por causa de diferenças ou questões de algo, se afastam. Na verdade, a questão é moderna e muito recente junto com o amor romântico. No amor romântico (eros) – agora piorou, porque ninguém quer ver a verdade das pessoas e amar elas como são – houve uma liquides muito significativa. Por algum tempo eu neguei Baumann, mas decerta forma, as relações começam a ser menos solidas no sentido de serem verdadeiras, se antigamente, por exemplo, pessoas se conheciam (mesmo na internet) e até iam atras um do outro – duas amigas se casaram conhecendo seus maridos pela internet – e hoje, se criam ambientes onde o outro é objetivado.

Ai se entre no amor intelectual. Muitas pessoas acham que o amor intelectual, nada tem a ver com o amor romântico. Pode não acontecer (por milhares de razões), mas pode acontecer por conexões misteriosas e são raros, como se conexões sutis intercedessem. Tem a ver com fenômenos metafísicos-ontológicos? Talvez. Segundo eu pesquisei e estudei dentro da alta filosofia (ocultista), a ideia do amor intelectual tem a ver de amor entre almas. Mas isso não tem a ver com um sentimento assexuado. Pode a ver sim, uma simetria perfeita entre mente (filosofia), corpo (amor) e alma (espiritualidade).

Isso tem a ver com a virtude, também. Aristóteles disse que temos três tipos de amizades: amizade por utilidade (onde tem uma relação de vantagem recíproca). Existe a amizade de prazer (relacionamo-nos porque encontramos satisfação na companhia do outro). Existe uma amizade de  virtude (amamos o outro por aquilo que ele é, desejando seu bem por ele mesmo).