Amauri Nolasco Sanches Júnior
- BACHAREL EM FILOSOFIA
Exatamente. Misturam todas os ideologias para criar uma
própria. O mesmo ocorre com a religião. É como jogar FIFA com metade do time do
Barcelona com a outra metade do real Madrid e chamar o time Real Barcelona ou
Barcelomadrid
(The Old Square)
Esse é um comentário de um amigo que fiz no X, onde temos
interesses filosóficos e espirituais muito parecidos. Mas, esse comentário é uma
derivação do comentário que eu comentei do comentário dele sobre meu texto
sobre libertarianismo e anarquismo. Como me disseram que estou muito superficial
nas minhas análises, vamos o aprofundamento de várias visões que eu tenho sobre
o libertarianismo, anarquismo e o bolsonarismo (um pouco do petismo esquerdista).
Eu disse que o libertarianismo acredita não em uma revolução
armada (como os anarquistas da corrente de Bakunin), mas em uma mudança progressista
do mundo com a melhoria do mesmo com o capitalismo. Muitos ditos libertários – são
muito mais ANCAPs ou liberais que não querem pagar impostos – acham que devem
ser conservadores, e isso, é um grave erro. Primeiro, confundem conservadorismo
com tradicionalismo, depois, se você busca mudanças, você não quer mais o mundo
como esta.
Há uma distinção entre o libertarianismo e o
anarcocapitalismo (ANCAP) muito importante, especialmente, porque muitas vezes
as pessoas agrupam essas correntes como se fossem uma só. Mas não são. Como,
por exemplo, o libertarianismo tendem a buscar uma transformação progressiva e
acredita na capacidade da mudança do capitalismo de melhora do mundo, enquanto
os anarcocapitalistas tem a tendencia de adotar uma postura mais radical e,
muitas vezes, conservadora. Mesmo que acreditem que deva eliminar o ESTADO de
uma vez, coisa que o libertarianismo minarquista não concorda.
Ainda, se não bastasse essa confusão, há a confusão entre o
conservadorismo e o tradicionalismo que merece um destaque quando escrevemos
sobre isso. Porque, em essência, o conservadorismo busca preservar certos
valores e instituições, mas não necessariamente não aceita certas mudanças. Só não
aceita rupturas repentinas. Já o tradicionalismo – que no bolsonarismo veio do Olavo
de Carvalho – muito mais rígido, foca em manter práticas e costumes históricos.
Geralmente, falando filosoficamente, um tradicionalista não busca tradições em
sua essência, mas tendem a ter sempre uma visão reacionária. Isso faz que se alguém
que deseja mudanças e adota uma postura conservadora ou tradicionalista, pode
acabar em um paradoxo, como vimos lá atras.
Por que acontece isso dentro das ideologias políticas? Por preguiça
de pesquisar e encontrar, como na maioria das vezes, coisas muito diferentes
daquilo que se acredita. E crenças não são racionalidades, são ídolos como
disse Bacon. Francis Bacon – em sua obra Novum Organon – descreveu como “ídolos”,
vários obstáculos que temos quanto ao pensamento racional e à busca do
conhecimento. Esses “ídolos” são preconceitos ou falsas crenças que podem
interferir na nossa capacidade de compreender o mundo de forma objetiva.
Dentro das ideologias políticas, isso parece bastante
evidente. Isso tem a ver, muitas vezes, com que as pessoas se apegam para reforçarem
suas crenças., em vez de ter um confronto com as reais informações desafiem essas
crenças. é muito mais confortável, mas limita o crescimento intelectual e a
capacidade do diálogo. Mas, mesmo que não se queira pesquisar ou tenha preguiça
de fazê-lo, há uma negação muito forte dentro das redes, onde muitas pessoas são
prejudicadas por causa que disseram o que a pessoa não concorda e foram
denunciadas.
Minha posição é bem clara e já expus ela no blog, mas, por
que não sou bolsonarista ou petista?
Embora a maioria dos ditos libertários são contra liberdade –
por serem bolsonaristas, já que Rothbard disse que os libertários também combatem
o conservadorismo americano e aqui deveria também combate o bolsonarismo – estou
sempre no lado da verdade e da justiça, além, da liberdade. Ter liberdade não é
ficar preso em um lado ideológico, mas apoiar aquilo que é verdadeiro sem lidar
com ideologias escravas que já são prontas e sem visar o bem e a justiça, além disso,
ser filosofo é libertar a consciência humana das amarras conceituais.
Sabemos que existem bolsonaristas que cegamente – porque são
crentes como todo mundo idiotizado – atacam deficiências, o modo que escrevemos
e o porquê acreditamos em algo. Como os petistas dizem que quem não apoia o Lula
é fascista (o fascismo e o nazismo seriam muito mais complexos do que os
anarquistas de araque dizem), os bolsonaristas dizem que quem não acredita no Bolsonaro
é um comunista (como se soubessem o que é o comunismo em sua essência ideológica).
Podem me chamar de “isentão” ou “intergaláctico”, mas eu
continuo apoiando a ideia que político é funcionário público.