quinta-feira, 20 de março de 2025

UM LIBERTARIO NÃO BOLSONARISTA

 


Amauri Nolasco Sanches Júnior

- BACHAREL EM FILOSOFIA

Exatamente. Misturam todas os ideologias para criar uma própria. O mesmo ocorre com a religião. É como jogar FIFA com metade do time do Barcelona com a outra metade do real Madrid e chamar o time Real Barcelona ou Barcelomadrid

 (The Old Square)

Esse é um comentário de um amigo que fiz no X, onde temos interesses filosóficos e espirituais muito parecidos. Mas, esse comentário é uma derivação do comentário que eu comentei do comentário dele sobre meu texto sobre libertarianismo e anarquismo. Como me disseram que estou muito superficial nas minhas análises, vamos o aprofundamento de várias visões que eu tenho sobre o libertarianismo, anarquismo e o bolsonarismo (um pouco do petismo esquerdista).

Eu disse que o libertarianismo acredita não em uma revolução armada (como os anarquistas da corrente de Bakunin), mas em uma mudança progressista do mundo com a melhoria do mesmo com o capitalismo. Muitos ditos libertários – são muito mais ANCAPs ou liberais que não querem pagar impostos – acham que devem ser conservadores, e isso, é um grave erro. Primeiro, confundem conservadorismo com tradicionalismo, depois, se você busca mudanças, você não quer mais o mundo como esta.

Há uma distinção entre o libertarianismo e o anarcocapitalismo (ANCAP) muito importante, especialmente, porque muitas vezes as pessoas agrupam essas correntes como se fossem uma só. Mas não são. Como, por exemplo, o libertarianismo tendem a buscar uma transformação progressiva e acredita na capacidade da mudança do capitalismo de melhora do mundo, enquanto os anarcocapitalistas tem a tendencia de adotar uma postura mais radical e, muitas vezes, conservadora. Mesmo que acreditem que deva eliminar o ESTADO de uma vez, coisa que o libertarianismo minarquista não concorda.

Ainda, se não bastasse essa confusão, há a confusão entre o conservadorismo e o tradicionalismo que merece um destaque quando escrevemos sobre isso. Porque, em essência, o conservadorismo busca preservar certos valores e instituições, mas não necessariamente não aceita certas mudanças. Só não aceita rupturas repentinas. Já o tradicionalismo – que no bolsonarismo veio do Olavo de Carvalho – muito mais rígido, foca em manter práticas e costumes históricos. Geralmente, falando filosoficamente, um tradicionalista não busca tradições em sua essência, mas tendem a ter sempre uma visão reacionária. Isso faz que se alguém que deseja mudanças e adota uma postura conservadora ou tradicionalista, pode acabar em um paradoxo, como vimos lá atras.

Por que acontece isso dentro das ideologias políticas? Por preguiça de pesquisar e encontrar, como na maioria das vezes, coisas muito diferentes daquilo que se acredita. E crenças não são racionalidades, são ídolos como disse Bacon. Francis Bacon – em sua obra Novum Organon – descreveu como “ídolos”, vários obstáculos que temos quanto ao pensamento racional e à busca do conhecimento. Esses “ídolos” são preconceitos ou falsas crenças que podem interferir na nossa capacidade de compreender o mundo de forma objetiva.

Dentro das ideologias políticas, isso parece bastante evidente. Isso tem a ver, muitas vezes, com que as pessoas se apegam para reforçarem suas crenças., em vez de ter um confronto com as reais informações desafiem essas crenças. é muito mais confortável, mas limita o crescimento intelectual e a capacidade do diálogo. Mas, mesmo que não se queira pesquisar ou tenha preguiça de fazê-lo, há uma negação muito forte dentro das redes, onde muitas pessoas são prejudicadas por causa que disseram o que a pessoa não concorda e foram denunciadas.

Minha posição é bem clara e já expus ela no blog, mas, por que não sou bolsonarista ou petista?

Embora a maioria dos ditos libertários são contra liberdade – por serem bolsonaristas, já que Rothbard disse que os libertários também combatem o conservadorismo americano e aqui deveria também combate o bolsonarismo – estou sempre no lado da verdade e da justiça, além, da liberdade. Ter liberdade não é ficar preso em um lado ideológico, mas apoiar aquilo que é verdadeiro sem lidar com ideologias escravas que já são prontas e sem visar o bem e a justiça, além disso, ser filosofo é libertar a consciência humana das amarras conceituais.

Sabemos que existem bolsonaristas que cegamente – porque são crentes como todo mundo idiotizado – atacam deficiências, o modo que escrevemos e o porquê acreditamos em algo. Como os petistas dizem que quem não apoia o Lula é fascista (o fascismo e o nazismo seriam muito mais complexos do que os anarquistas de araque dizem), os bolsonaristas dizem que quem não acredita no Bolsonaro é um comunista (como se soubessem o que é o comunismo em sua essência ideológica).

Podem me chamar de “isentão” ou “intergaláctico”, mas eu continuo apoiando a ideia que político é funcionário público.