terça-feira, 18 de novembro de 2025

A VERDADE ESTÁ LÁ FORA

 

 



Dias desses eu estava assistindo o filme de ficção cientifica, “A Presença”, lá no Prime Vídeo (Tem no YouTube inteiro). Mesmo um filme B, eu achei a historia bastante interessante por causa que tira aquela imagem que extraterrestre vem para a Terra para conquistar. No filme, os extraterrestres não vinham para destruir a humanidade ou destruir a Terra para pegar algo que esteja faltado, ou seja, é um filme que fala bastante de humanidade. Por quê? Na parte final do filme, os extraterrestres conversando – como seres normais sencientes e racionais – dizem ter conquistado a ciência, mas, a humanidade tinha uma coisa diferente: uma energia dentro ne cada um. A convergência era Jesus.

 

Não vou falar do filme – para não estragar a diversão de quem não viu e nem é o intuito do texto – mas falar da minha visão sobre a ufologia e espiritualidade. Como eu escrevi lá no Substack sobre o corpo – esta linkado aqui – eu resolvi ir além aqui no blog, que aliás, voltou: a ufologia deveria não focar só em naves, talvez, nem tenha forma de viajar grandes distancias. Mas, e se esses seres ao invés de viajar com naves – consumindo muita energia – eles não viajam em dimensões? Como alguns sabem – sou muito simpatizante do espiritismo e do budismo – eu vejo o tempo no agora, nesse momento em minhas sensações, e assim, posso acreditar que existam espíritos uma espiritualidade, mas o que importa é o agora nesse momento. Também acho, todo kardecista deveria ser igual Kardec: cético e rigoroso. Porque 90% do que é escrito, a meu ver, é livro vendável e nada tem a ver com o espiritismo e do mesmo modo, tem a ver com outras religiões.

Isso tem a ver com o livro que estou lendo de David Hume (1711-1776), “Investigação acerca do Entendimento Humano”, onde ele diz que existem as filosofias difíceis (que a maioria não gosta) e existem as filosofias fáceis (que a maioria adora ler). Eu, particularmente, gosto bastante de desafios e leio as duas. Mas, ai temos que pesar assim: o que seria a filosofia em si mesmo? Dentro dos meus estudos, uma forma de racionalização dos mitos antigos onde fenômenos da natureza eram explicados por forças sobrenaturais dentro de certos humores ou ate “guerras” cósmicas, onde mexeriam com o clima. Ora, se eu vejo uma forma de folha e uma letra aparecendo, dai vem a pergunta: essa folha existe? Sua essência tem a ver com cálculos que o computador esteja fazendo, formando formas gráficas semelhantes a uma folha e que ao apertar o teclado, a letra aparece. Poderemos dizer que esse texto existe? é verdadeiro ou uma forma gráfica de expressão de pensamento? Isso tem a ver muito mais com a metafisica do que o catolicismo medievo nos legou acreditar, onde há um mundo de felicidade. Felicidade é o agora, pulsando dentro de si onde a vida é o agora. Mas, como aparece no filme, há uma conexão muito ontológica entre nós e a realidade que ainda não percebemos.

Meu texto sobre um amor e uma paixão (aqui) tem a ver com a ligação intima do ser, a ontologia do orgasmo (aqui), tem a ver com o íntimo entre o eu e o outro em estado de êxtase. Ou melhor, meus textos sempre têm a ver com o corpo existente entre mim e o outro, entre o eu-ai dentro do outro-ali, então, não há como desconfia dessa realidade que nos impõem. O sujeito que duvida sempre é aquilo que indaga o objeto da dúvida, mas a dúvida é o elo da consciência com o mundo. E ai tem a ver com a pergunta de ouro filosófica: será que existe uma verdade que está lá fora ou existe realidade onde enxergamos? O corpo poderia ser o lugar da verdade assim como, o orgasmo (a ligação entre mim e o outro) tem a ver com a ontologia entre eu e a realidade, a dúvida é a abertura do real, aquilo que existe e sentimos em corporeidade. E por último: entre o visível e o invisível, onde estaria a verdade?

Na essência, realistas acham que a verdade são aquilo que tocamos como se a existência nada teria de essencial da coisa. Professor Marcus Bruzzo – materialista ateu – disse em um vídeo que temos medo da realidade por mudarmos fotos e inventarmos outra realidade, não aceitando a nossa. O ser humano como ser que imagina, inventa ferramentas para superar a natureza das coisas, isso sempre foi assim. Mas, isso seria um medo ou desprezo pela realidade ou apenas, algo inerente humano? Talvez o humano demasiado de si mesmo, tenha que esperar qualquer “salvador”, até fora do nosso Sistema Solar.

domingo, 16 de novembro de 2025

POR QUE CONCORDO COM A ESPECTRO CINZA?



"Eu sou eu e minha circunstância; se não a salvo a ela, não me salvo a mim".

 Meditaciones del Quijote (1914)

 

EspectroCinza >> por que eu protejo criminosos, mas odeio homens comuns?

 

 

isso daria um livro inteiro, mas no momento eu quero escrever um texto.

 

Texto que escrevo olhando na tela do meu computado refletindo sobre o que a Espectro Cinza (Glenda Varotto) disse em um vídeo que assisti e com um argumento impecável. Ora, ouvindo músicas do gótico oitetista-noventista pós-punk, tentando lembrar – assistindo alguns trechos – para argumentar aquilo que eu concordei. E ao mesmo tempo, lembrando aquilo que me fez fazer ligação do que ela disse e o que disse José Ortega y Gasset (1883-1955). As circunstâncias. Assim, as circunstâncias de Ortega tem a ver com o existencialismo, segundo nossas escolhas e a responsabilidade dessas escolhas. Por isso marxistas dizem que o existencialismo – que pensam estar morto – era uma filosofia burguesa, por causa da responsabilidade que cada escolha que temos. Para eles – que os pós estruturalistas herdaram – há um discurso de fetichização dos produtos e esse discurso faz com que tenhamos desejos. Só que há um problema: para alcançar o objeto de desejo muitas vezes, segundo os marxistas, se tendem a roubar ou a se prostituir.

Há um outro problema – segundo esse pensamento – se há pessoas que roubam e se prostituem, por causa da incapacidade de achar trabalho, como a grande maioria trabalha? Karl Marx (1815-1883), não era a favor de bandidos e até achava que “vagabundos” e prostitutas deveriam ser “eliminados”. Além disso, vamos fazer uma reflexão bastante profunda: por que vivemos em tempos que roubar, matar ou outra atrocidade, é menos relevante do que um membro da “machosfera” postar posts sobre as baboseiras que acreditam? Será que valores foram esquecidos? A Espectro no vídeo diz que um redpill, por exemplo, só é o que acredita porque teve seu desejo reprimido por causa da sua aparência, que também, tem a ver por causa da sua deficiência. Ora, no outro texto que eu escrevi sobre os INCELs, eu disse que teria todos motivos do mundo para ser um. Todas – ou a grande maioria – não quiserem ficar comigo, ora por causa da minha aparência, ou por causa do meu jeito de “ingênuo” que pensavam que eu era bobo. Eu conquistei uma sem querer. Mas, eu não tenho nada contra mulheres e nem as conquistas que tiveram, meu olhar sempre tem a ver mais da cultura medievalista moderna brasileira do que o feminismo.

Por outro lado, poderíamos nos perguntar: por que uma web puta, por exemplo, se torna isso? Elas são assistidas por outras garotas que não sentem vontade, ou exigem valores de não envolverem irmãos ou filhos, então, optam em só achar de mostrar o corpo de biquini (alguns dizem ser a mesma coisa, a meu ver, não é). talvez elas tenham sido criadas que o importante é o dinheiro, é o que você ganha e não o que você é e isso vale até para influenciadora como Virginia Fonseca. Por temos uma cultura elitista que ter dinheiro é um critério de ser sucedido, a visão distorcida não olha a ética e a moral de uma alta cultura onde os verdadeiros valores estão. Não estou dizendo que temos que ser moralistas “caga regra”, estou dizendo para gostar daquilo que faz bem, e que tudo que fazemos temos consequências. Ou seja, se você é uma web puta e no futuro não quer mais, vai ter suas fotos e vídeos por ai e muito pior na internet e isso vale com o crime, se se meter com o crime um dia será morto. Ou preso. Não tem como fugir dessa responsabilidade e as consequências desses atos. Mas, sendo incel ou outro tipo de “neomachista”, no máximo, vai morrer virgem. As músicas do funk proibidão, ou o que sabemos que acontece com meninas na favela, é muito pior do que um post de um incel.

Mas o que isso tem a ver com a filosofia? Tudo. Vamos ao caminho (metodós). Pelo que entendi do pensamento de Ortega, as circunstâncias são tudo que existe na realidade onde vivemos, então, ele está certo, a meu ver, temos que sentir o momento agora. O hoje é a questão da realidade possível, sentimos, vimos, falamos, se movimentamos e eu, escrevendo esse texto, sinto o teclado em meus dedos e fazendo barulho. Ou seja, minhas moléculas e suas vibrações, sentem as moléculas do teclado em vibração e o toque causa vibração no ar onde escoa o som. Isso é a realidade. O sensível (o que existe e o que sinto na realidade onde vivo) e o inteligível (no que estou pensando e imaginando em escrever). Ora, toda a realidade é aquilo que sentimos como aquilo que existe e tudo que existem, alguém imaginou e na imaginação tudo é perfeito. Mas, além das formas (Platão), tem a filosofia primeira (Aristóteles), onde, grosso modo, todo ser é ligado as causas e ao mundo. Hoje em dia, dizemos que a metafisica (ta meta ta physika), é a teoria da realidade. As circunstâncias tem a ver com as escolhas, com o ambiente, com a capacidade de superar algumas realidades.

A meu ver, não interessa muito o discurso (que os bolsonaristas chamam de narrativa por causa do Olavo de Carvalho), pois ou você aceira – de forma passiva – ou você não aceita rompendo a massificação. Isso esta perfeitamente no Mito da Caverna de Platão ou, contemporaneamente, no filme Matrix: ou você fica na Matrix e tem a aparência e faz o que a maioria faz na sua realidade, ou você sai de tudo isso e cria sua própria realidade. Daí entra em uma outra parte da filosofia – que hoje esta com Robert Sapolsky – que é o livre-arbítrio (que ainda não li o livro e não posso escrever agora). Somos livres mesmo para escolher? Eu penso que sim, não interessa se formigas não sabem ter liberdade, temos por causa da consciência da realidade e a noção de dor e prazer. Sabemos que se fizemos sexo muito teremos consequências no futuro – pelo menos com vários parceiros – e que se frequentarmos certos ambientes, esses ambientes além de nos moldar, terão consequências. Podem causar prazer (riquezas, luxo e certa liberdade) e dor (morte, isolamento e certa solidão).  Ou seja, a ideia da pílulas poderia ser assim, azul (dor e ilusão), vermelha (prazer e liberdade).




 



quarta-feira, 5 de novembro de 2025

DO FANATISMO – UMA REFLEXÃO SOBRE O TEXTO DO MIRANDA DE SÁ

 



Amauri Nolasco Sanches Júnior 


Faz tempo que não escrevo por causa das minhas tarefas e ultimamente venho estudando linguagem por causa das minhas inúmeras questões que evolvem inteligência artificial (IA), mas algo despertou meu lado escritor filósofo onde eu li um maravilhoso texto que tem a ver com fanatismo. Meu amigo do X (acho que posso chamar assim), o jornalista Miranda de Sá, que divide suas reflexões no seu blog e que nos fazem perguntar se aquilo, realmente, pode ser considerado fanatismo. E no texto, Miranda diz que “Trata-se de um vírus epidêmico no campo do pensamento para o qual a Filosofia não inventou uma vacina e nem as normas de comportamento social possuem a necessária eficácia para combate-lo.”. 

Descordo do colega, pois, há uma grande resistência – isso desde tempos clássicos gregos – em assimilar pensamentos mais complexos e isso é uma questão de educação (somos uma hera utilitarista demais) e linguagem (os termos se simplificaram muito). Se o fanatismo é um “vírus epidêmico” e a filosofia seria a “vacina”, uma grande maioria da população é negacionista. Não tem senso critico porque ora o mundo ficou muito pratico entre a imagem e o som, ora porque há uma grande discussão na própria filosofia se a narrativa vigente vem de cima para baixo ou vice-versa. Lendo Peter Strawson com seu “Indivíduos”, descobri a metafisica descritiva e um meio de usar a linguagem mais assertivamente. 

Strawson queria demonstrar uma linguagem muito mais clara e que faria parte do cotidiano, ou seja, a metafisica (como teoria da realidade) tenderia e seria muito mais útil, segundo ele, se fosse muito mais descritiva do que idealista. Ele nos faz lembrar que a realidade não se revela por sistemas abstrato, mas pela linguagem que usamos todos os dias. O fanatismo tem um caminho contrário, rejeita essa linguagem – ele quer dogmas, não descrição. E é por isso mesmo que a metafisica descritiva pode ser uma ferramenta poderosa contra o pensamento fanático: ela nos devolve o mundo como ele é, não como queremos que ele seja. Ou seja, o mundo é harmônico dentro de uma linguagem da verdade e não a linguagem da abstração idealista. 

Mas o que seria “linguagem da verdade”? esse conceito eu construí a partir da leitura – ainda no começo da minha pesquisa – de Emanuele Severino (filósofo italiano) sobre Hegel, onde o filósofo alemão distingue a certeza (subjetiva) e a verdade (objetiva). Por exemplo, algumas pessoas têm certeza de que Fulano é honesto por causa das suas crenças que fazem acreditar em alguns discursos, mas a verdade nunca chega a realidade. Porque isso depende de ambientes e culturas, que constroem valores que podem ser éticos e podem não ser, gerando assim, um “loop” de certezas e nunca de verdades. Strawson diria que o importante não seria se “fulano” seja ou não honesto, mas o porquê acreditamos que ele seja honesto. Ai está   um discurso abstrato (eu vou fazer) com o discurso descritivo (eu não fiz, mas eu dou a palavra que vou fazer). 

A linguagem politica, seja ela bolsonarista ou petista/esquerda, beira ao populismo barato dentro de certas logicas linguísticas que estão dentro de discursos que são fáceis de serem entendidos Talvez, assim, existem meios de  “gadificar” o discurso. 

blog do Miranda: aqui


quinta-feira, 30 de outubro de 2025

BABADO BOBSON – ENTRE A GALINHA PINTADINHA E A ESQUERDOGATA

 


Amauri Nolasco Sanches Júnior

 

Muitos anos que venho escrevendo sobre inclusão e filosofia – as vezes, sobre analises de filmes e minhas opiniões – e achava que tinha terminado a minha contribuição. Mas, como a questão das pessoas com deficiência nunca muda e, muitas vezes, retrocede, tenho que vir para fazer reflexões politicas, sociais e, muitas vezes, de forma não ideológica (sou libertário/liberal), tenho que analisar em uma filosofia neutra e de centro (ora da direita,  ora da esquerda) que abrange os problemas sociais que assolam o pais. Não sou um filósofo – pelo menos nos meus textos – analisar de forma critica e analítica, problemas que nada tem de ideológico (principalmente, o nosso direito de ter uma condição de deficiência e viver em sociedade).

Lendo matérias como deputada germânico-brasileira se preocupar com o modo de uma suposta doutrinação comunista da animação da Galinha Pintadinha, como se assistimos uma “Galinha Pintadinha Revolucionária”. Assim como a empáfia arrogante de uma influenciadora de esquerda (por isso o apelido EsquerdoGata), contra policiais trabalhadores, com preconceitos de classe, de gênero, raciais etc. isso demonstra que não é um problema ideológico e sim, de moral e da nossa cultura onde na vida privada se é uma coisa, e da vida publica é outra. Outro problema é: a falta de vontade de pesquisar algo muito mais profundo intrínseco dentro da nossa cultura: a falta de uma pesquisa detalhada.

O Brasil, com sua cultura acomodada e ora relativiza, ora generaliza, tende a tratar as coisas de modo muito arquem do que deveria. E não preciso dizer que sou contra o governo Lula e todo mundo sabe disso – escrevi milhares de textos os motivos – mas, sobre a cansativa discussão sobre as APAEs, o deputado Nikolas Ferreira mente em vídeos dizendo que vão fechar e não é verdade. O último decreto tem a ver com a questão da inclusão escolar, onde as crianças podem receber suporte dentro das classes comuns (escolas regulares). Ou seja, o governo não vai precisar gastar com escolas especializadas que, sabemos, se deixar de livre escolha, muitas crianças que podem estudar com outras crianças, serem confinadas em classe especializadas.

A meu ver, muitas discussões deveriam transcender e ver que precisamos modernizar as políticas públicas, melhorar a segurança publica, melhorar a acessibilidade e melhorar o debate com estudos e pesquisas. Como uma pessoa com deficiência que estudou em classes especializadas da AACD (Associação a Assistência a Criança Deficiência, que no meu tempo, era “Defeituosa”), tenho lugar de fala, como dizem. Essas instituições tem todo direito de existirem, como existem a décadas, mas, são instituições particulares e deveriam existir com o dinheiro delas. Querem ter classes especializadas? – como médicos famosinhos insistem no Instagram igual os EUA – deveriam bancar, pois na hora de pegar o dinheiro do pagador de imposto pega, e na hora de tratar as pessoas com deficiência com dignidade e respeito, tratam como “cachorro sarnento”. Fora o TELETON – que o Jerry Lewis idealizou para todas as instituições que quisessem usar – da AACD quase freta o serviço de vans ATENDE + para o evento.

Como vimos, as questões transcendem ideologias politicas e deveriam ser discutidas com pesquisas, com seriedade e com respeito que elas merecem.

sábado, 25 de outubro de 2025

TEORIA CRÍTICA DA DEFICIÊNCIA – UMA PERPECTICA DA ESCOLARIZAÇÃO

 

 




A muitos anos venho desenvolvendo uma filosofia – que envolve a educação inclusão escolar – dentro da filosofia da deficiência: Teoria Crítica da Deficiência. Baseada no criticismo kantiano (numa análise mais profunda) e a teoria crítica da Escola de Frankfurt onde temos que se aprofundar com o tema deficiência e o meios para incluir, seja por meio escolar, quanto o meio do trabalho. Pois, por milênios, o corpo divergente foi tratado como corpo estigmatizado por não ter a normalidade que um ser humano que conceitua sua realidade, constrói como “normal”.

Sabemos que a cultura brasileira – que começa com a chegada de uma sociedade medievalista tardia – se compõem em um pensamento elitista (o importante é o dinheiro), um pensamento escravocrata (por que pobre tem que estudar? Assim perguntam) e um pensamento mesquinho dentro daquilo que é “meu” ou só se pensa no “eu”. Enquanto em sociedades norte-americanas, por exemplo, há um pensamento muito mais coletivo, a sociedade brasileira vê só a si mesmo (muito de vez em quando, a família ou os amigos) e seus próprios interesses. Por quê? Quando exploradores (bandeirantes) e colonizadores (senhores de engenho) chegaram, se pensava que iria enriquecer e ir embora e muitos deles morriam aqui. A nação se criou, mas o pensamento ficou e o desamor pelo Brasil vem desse pensamento histórico.

Aí chegamos aonde há a construção daquilo que é publico (sociedade) e aquilo que é privado (pessoal). No âmbito público, as questões de escolaridade tem que ser vistas como uma solução dentro da sociedade, e diferente do que se fala, não tem a ver com sua visão subjetiva. Daí entra a resolução do fechamento das classes especializadas, onde o intuito disso é o redirecionamento das crianças com deficiência para uma integração social, sem exclusão ou segregamento. Muitos neurologistas de Instagram – chamo de profetas do apocalipse do autismo – vem assustando mães e familiares dizendo que as crianças com autismo tem sofrido violência e se tem que rever a lei de diretrizes da educação inclusiva. Ora, a questão é o problema da sociedade mesquinha, como apontamos, e a sociedade do cômodo, onde muitas mães preferem deixar seus filhos em escolas desse tipo.

Existem dois problemas aí: primeiro que vários movimentos que apoiam o governo não se posicionam por acharem irrelevantes algumas criticas pontuais dentro da inclusão e acessibilidade. Segundo, há um espaço vago desses movimentos que estão sendo tomados por esses médicos e a visão medico-positivismo (ainda forte por aqui) vem ganhando força novamente e tomando esse espaço vago em sim, querer incluir por uma questão de incluir as pessoas deficiente no debate pública e, além do mais, a inclusão é um ato político.

Ora, minha teoria critica da deficiência – difundida muito na filosofia feminista da deficiência nos EUA – vem ao encontro do ato politico dentro de um olhar a deficiência como uma condição do corpo, não sua essência. Poderemos chamar ate mesmo, de uma ontologia da deficiência. Mas, não uso o método marxista – não marxiano – com o objetivo de mapear problemas históricos para classificar problemas da modernidade e a inclusão é muito recente.  Com o modelo medico que colocava a deficiência como uma doença a ser curada, o modo positivista colocava a ciência como salvadora e não é. A questão dos corpos divergentes como ruptura da normalidade, vem com a questão do estereotipo como imagem do corpo perfeito. Ou seja, a biomedicina olha o corpo como uma maquina a ser consertada e a ser amenizada com o seu “defeito”. O ser humano é um ser que transforma a realidade em conceitos, ou melhor, um chipanzé, por exemplo até onde sabemos, tem a capacidade de olhar uma pedra e ver uma coisa em seu caminho (mesmo que alguns primatas a usem como ferramenta) o ser humano não.

A questão é: o que seria aprender? Aristóteles escreveu na Metafisica “Todos os homens têm, por natureza, o desejo de conhecer.” ( Πάντες ἄνθρωποι τοῦ εἰδέναι ὀρέγονται φύσει.), ou melhor, conhecer tem a ver de entender aquilo como um conceito (já nomeado) e fazer desse conceito algo real, aquilo que se entende que existe. O ponto de Aristóteles era provar que o ser humano é um animal racional – que hoje em dia, o ser humano é um ser consciente e senciente que sente e pode comunicar a sua realidade aos outros – e que entende o quanto é importante distinguir. Mas temos que transcender aquilo que Aristóteles disse, pois, Aristóteles viveu em uma outra época. O que poderemos, sem duvida é, pensar sobre o conhecimento.

E muito pensei desde quando eu escrevi o “Clube das Rodas de Aço – Tratado sobre o Capcitismo” que, hoje com muito mais bagagem intelectual, que o capacistismo tem a ver com a epistemologia. Por ter a ver com a conceito do corpo aceito (normal) e o corpo não aceito (anormal) onde não há como viver na realidade normativa dentro de uma sociedade normativa sem estigmatização do “corpo doente” que deve ser curado (ou como uma maquina a ser consertada).  Ai entra o “monstro” foucaultiano que deve sumir da sociedade como um lembrete da identidade do discurso dominante e único de achar meios de trancafiar ele.  O medico famosinho do Instagram demonstra que esse discurso ainda existe do “deficiente grave”, do corpo tão estigmatizado pela deficiência deve ser tutorado e ficar ali no cantinho sem atrapalhar. O “monstro” que no curta “Cordas”, onde o menino cadeirante conhece a menina que brinca com ele até a sua morte, o pais escondem em um orfanato para ninguém mais lhe ver. A deficiência paralisia cerebral, é a mais estigmatizada.




domingo, 24 de agosto de 2025

SOBRE A FILOSOFIA DA PILULA VERMELHA

 



Amauri Nolasco Sanches Júnior

 

 

O que vejo no pessoal da filosofia da pílula vermelha é um alto grau de moralismo alá boomers, não à toa, são chamados de “novos boomers”. Mas, essa “pílula vermelha” que pensam estar tomando só é a azul e ficar na Matrix e não sair em uma espiral de moralidade que deu ao mundo, além de duas guerras mundiais de destruições e mortes quase infinitas e uma guerra fria, trouxe a humanidade vários problemas. A geração boomer esta sendo um problema porque a grande maioria da geração X e a Millenials, estão com traumas por causa da educação errada que essa geração (a boomer) foi condicionada. Violência doméstica, preconceitos (teve seu cume no nazismo), ideias separatistas, ditaduras, liberdades cerceadas, o liberalismo e o libertarianismo demonizado etc., por causa de ideias cômodas e muitas vezes. hipócritas que só alimentam um discurso de repressão e miséria, tanto moral, quanto social.

Vamos a história da pílula vermelha. Ela aparece no primeiro filme, quando Morpheus (simbolizado do deus do sono grego) oferece ao personagem principal, Neo, uma pílula vermelha e outra azul. A vermelha libertava da ilusão criada pela Matrix, a azul ele poderia ficar na Matrix (ou na ilusão sonho) e continuar um hacker e seu corpo servir como bateria para as máquinas. Além de Platão (a alegoria da caverna) ainda temos outros simbolismos, a consciência e a realidade (fenomenologia), as máquinas como dominação (o próprio sistema político que o ser humano produziu), o personagem Neo como sendo uma anacronia de ONE (um em inglês), e o mais importante, a mudança entre estar em um simulacro de conceito que fazem você se embrenhar em simulações (subjetividades).

Qual o problema? As diretoras da franquia - Lana Wachowski e Lilly Wachowski que a Warner Bros mandaram embora por não fazerem o que eles queriam – em entrevista, disseram que era sobre mudança (a transição delas por serem transsexuais). E muitas vezes, essa analogia do da pílula vermelha é distorcida pelo neomachismo e grupos até mesmo, da extrema direita, dizendo que “acordaram” do sono da esquerda. Com esse esclarecimento das diretoras, eu acho que ficou muito claro a questão do filme: além do simbolismo dentro da questão filosófica apresentada. Então tem uma pegada muito do budismo. A Matrix é tudo aquilo que o ser humano inventou – segundo Foucault – como conceito graças a escolarização estatal. Ou seja, não quer dizer que essa realidade é além dessa, mas dissolver os conceitos moralistas que a sociedade humana construíram. Neo é o protótipo da marginalização na Matrix: programador que ganha pouco em uma empresa e hacker que vende programa pirata.

Neo descobre que não é o senhor Anderson, mas um conceito que o sistema que ele foi condicionado. Ele é o UM (One), o indivíduo que se vê fora dos conceitos impostos porque tinha certezas de que defendia, mas não eram a verdade que estava por trás desse conceito. Foucault diria que a Matrix seria um panóptico (um observador no centro de uma prisão) digital, um sistema de vigia que define e condiciona aquilo que seria normal (a normalidade). Neo teria rompido da sua identidade (Tomás Anderson) quando percebe ser uma construção disciplinar. Já Nietzsche diria que Neo seria o Ubermensch, ou seja, aquele que cria seus próprios valores (não moralismos ou postar fotos pelados em grupo), que destrói os ídolos da moral tradicional. Mas o interessante é o budismo: a Matrix seria não um lugar, mas um estado de consciência livre dos condicionamentos. Neo não escapa de um mundo, mas transcende o mundo ilusório.

Veja que a Matrix não está fora do mundo, mas dentro do mundo criando ilusões. As ilusões só são conceitos construídos – no filme, são ilusões criadas como um sonho – e não está em outro mundo, o mundo destruído por seres humanos que quiserem neutralizar as máquinas. Uma alusão as revoluções ou guerras? Pode ser, mas vai além do que mera alusão as destruições humanas: consciência e subconsciência. Poderemos entrar em uma coisa muito mais profunda:  o despertar da consciência através do inconsciente. Sempre tive um conceito na cabeça que era: o inconsciente é a priori do consciente, ou seja, o inconsciente existe junto com o consciente e ativa a consciência quando desperta a verdade. A verdade platônica (como o mundo destruído de Matrix) está no modo que você lida com os conceitos da nossa cultura.

Chegamos ao mundo da “machosfera” (redpills aqui nesse texto) que seria o Cypher que quer voltar para a Matrix. Ou melhor, o nome Cypher (na grafia original, cipher) é o negativo, aquele código que nega o 1, o que começa a realidade e volta a ilusão. Poderemos colocar o 0 como um nada, a negação do ser enquanto individuo que despertar de sentir a si mesmo, para ser mais um entre muitos. Essa seria a logica binaria usada na programação, mas se refletimos mais além o 1= o ser e o 0 = o não ser. Os redpills é a justa oposição do feminismo radical: no fim tem consonâncias com o que chamo do “o cataclismo boomer”, onde poderiam ter rompido com preconceitos e tudo mais, mas se tornam mais do poder e do discurso predominante.

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

A SOCIEDADE EMBURRECIDA? (ENTRE O IDEALISMO E A EPISTEMOLOGIA RADICAL)



Amauri Nolasco Sanches Júnior

  

Quando eu estudava nas classes especiais da AACD, havia colegas que aprendiam rápido (eu era um deles) e outros que eram mais lentos para aprender e sempre me intrigava essas coisas como se não houvesse outros fatores. Logico, muitos médicos e educadores – por causa de uma romantização das classes especiais, nem sempre eram especializados – diziam que eram parte da deficiência e isso era normal. Como estamos em um país colonizados por jesuítas, a elite utilitarista e duas filosofias predominam de forma obscura (o positivismo e o marxismo soft), a especialização tinha razão e todo mundo achava aquilo muito normalizado. Só que a normalização do discurso atrapalha a discussão, e mesmo fora da instituição, o problema persiste.

Sempre olhei de “rabo de olho” na famosa frase de Aristóteles quando fala que “todos os homens têm necessidade de saber”, pois, o que vejo no dia a dia, são músicas sem o menor sentido, culturas falidas e uma enorme gama de universitários que não mudam seus gostos e não tem posturas de universitários. Por outro lado, poderemos dizer que, há uma questão muito mais profunda do que isso e é um tema que me interessa bastante. O conhecimento sempre me colocou em ressonância a certas linhas de pensamento onde eu comecei a questionar certos saberes e o porquê, se todo ser humano tem esse desejo de sabe. Isso recai muito na questão entre o discurso de poder de Foucault e bases mais geneticistas de setores que puseram esse tipo de discussão em tabu para não alimentar preconceitos. Mas, temos que basear essa “igualdade” em alguma coisa, além da ciência empírica, não conheço nenhum método.

Em uma página dentro do Facebook (raciocínio aberto) o autor escreve:

Mesmo entre aqueles que aceitam a existência de diferenças cognitivas inatas entre sexos e raças, prevalece a ideia de que isso não deve ser discutido. O problema é que a sociedade busca respostas. Se for tabu abordar as diferenças inatas, continuaremos debatendo apenas as diferenças ambientais. Como estas não são suficientes para explicar certas desigualdades, torna-se necessário postular causas ambientais cada vez mais complexas e intangíveis, como os epiciclos ptolomaicos.

 

Brutal e verdadeiro, pois, sempre achei – como mostrei lá acima – que existiam algumas camadas que não teriam algum poder cognitivo para certos conhecimentos. Platão sabia disso, mesmo o porquê, em seu celebre livro, República (Politéia), ele propõe uma sociedade dividida em três classes: os produtores, os guardiões e os governantes. Cada um dessas classes teriam uma função especifica, baseada em sua natureza racional, emocional ou apetitiva. Nem todos teriam a mesma capacidade de alcançar o mundo das ideias (conhecimento?), haveria um filosofo-rei que transcenderia as aparências e compreender a verdade, algo que exigiria uma alma “bem ordenada”. Essa visão pode ser considerada brutal – muitos chamam essa teoria platônica de proto-fascista – mas também muito influente. Ou seja, Platão achava que saberes mais profundos não eram acessíveis para todos, e que tentar democratizá-los poderia ser perigoso (será que estamos vendo isso nas redes sociais?).

Tirando a questão de raça e sexo – que o autor disse – há uma questão que sempre me intrigou que seria: por que existem pessoas que aprendem rápido e outras que demoram para aprender? Daí chegamos a uma epistemologia radical sem todo esse idealismo que todo mundo gosta de repetir. A questão começa dentro do idealismo moderno – de Descartes até Kant – que chega a sustentar a tese de que a razão é universal, igualmente distribuída e acessível a todos. Daí a educação iluminista herdou esse postulado, e defendendo isso, bastaria remover barreiras externas para que todos alcançassem o mesmo patamar do saber. Ora, esse tipo de pressuposto se torna dogma: negar as diferenças de capacidade cognitiva passou quase a se tornar quase um imperativo moral.

Como disse no começo do texto eu demonstrei que a experiencia cotidiana desmente esse universalismo. Ora, quantas pessoas sofrem bullying das pessoas que não conseguem, chamando estas de “nerds” (de uma forma desdenhosa)? Mesmo porque, haverá sempre aqueles que, diante do mesmo conteúdo avançam com clareza, enquanto outros tropeçam e se perdem. Quando eu entendia com clareza, muitos colegas demoravam a entender (só era muito ruim em matemática até entender a tabuada do 9). Mas, outros eram mais habituados em assuntos fúteis ou achavam chato coisas mais complexas, pois, uns possuem incitação para abstração, outros apenas para repetição mecânica. E isso eu vi claramente.

Daí chegamos a Nietzsche, onde faz uma denúncia sobre essa ilusão igualitária ao afirmar que a maioria não busca a verdade, mas o consolo. Não é isso que vimos nas redes sociais? Porque, segundo ele, tem força para enfrentar a instabilidade do pensamento e a ausência de garantias. Coisas fáceis para simplificar coisas complexas. Além dos meus colegas que nem completaram o ensino médio – afinal, para quê teriam que ter esse ensino e ter todo esse esforço? – outros sem deficiência, não foram além disso. Não só isso, você ouvi músicas sem sentido, músicas para dizer que você ou é um fracassado, ou é um Zé ninguém. Pesquisas cientificas são atadas por interesses e não por discursos, requer mexer com ideologias que já quase massacraram a humanidade (como a eugenia e o nazismo) que mesmo com o humanismo, muitos países adotam a filosofia do aborto por causa da deficiência.

Nessa perspectiva exigira uma epistemologia radical: uma que não tenha que partir a partir do idealismo de que são igualmente aptos, mas que reconheça certa diferença construtiva da capacidade de conhecer. Não defendemos – como filosofo – uma afirmação a favor de uma aristocracia do espírito em termos morais, mas de admitir que no campo humano do saber é desigual em potência e em resultado.

terça-feira, 12 de agosto de 2025

A CONSCIÊNCIA E A MATERIA

 

Hegel Cyberpunk Dystopic 




Amauri Nolasco Sanches Júnior

 

 

Faz muito tempo que não falo sobre o tema espiritualidade – mesmo porque, eu tenho a concepção de pensamento humano como filosofia, ciência e religião como uma coisa bem mais ampla – e lendo um texto do colega de muitos anos, Luís A. W. Salvi, eu queria falar sobre minha concepção espiritualista a partir de alguns pontos do texto dele. Salvi disse no texto:

 

A consciência representa um dos maiores enigmas do Universo, e a Ciência não sabe nem por onde começar a pesquisar, temerosa de terminar encontrando coisas que ela sempre negou. Entre outros fatores, a consciência humana está constituída por uma complexa rede de energias às quais tem acesso através das faculdades sutis desenvolvidas por nossa espécie, mediante dons como a telepatia, a intuição e a mediunidade; apenas para mencionar as mais comuns. E naturalmente evolui através da cultura e da educação.

Hegel, na “Fenomenologia do espírito”, vai dizer que a consciência é um modo sensível e não é algo fixo. Você ter a consciência de algo é você perceber esse objeto como verdadeiro, que constrói por sua vez, conceitos desse objeto. Mas, para o filosofo, essa certeza se desfaz em algumas vezes, por exemplo, quando você escreve em um papel “agora é noite” registrando que naquele momento “temos a certeza” de que é noite. No dia seguinte, essa certeza se desfaz por captarmos que a realidade se transforma em dia. Ou seja, para Hegel existe a certeza (uma determinação subjetiva) e existe a verdade (uma determinação objetiva) que forma a dialética hegeliana.

Só que Hegel – como todo protestante – tinha um problema e não é a toa, que dialogava com Kant (outro protestante), não há como avançar em uma discussão sobre consciência sem dar um passo adiante. O problema do protestantismo e do catolicismo é seu materialismo, seu assombro sobre temas importantes da consciência. Por exemplo, Hegel tinha resoluções empiristas e racionalistas diante da certeza e da verdade. Posso usar um exemplo de uma foto do Instagram, onde ela não mostra o agora nesse instante, ela mostra o instante agora da pessoa que tirou. Estamos vendo, na verdade, o passado. Então, o eu-ego sempre tratara aquilo que eu sinto e vejo e o eu-outro é aquilo que não vejo em imediato.

Lembra minha concepção de pensamento? A filosofia (como modo racionalizado da realidade), a ciência (como modo de entender os objetos dentro da realidade) e a religião (um religamento com a consciência primordial). Quando Salvi diz: “e a Ciência não sabe nem por onde começar a pesquisar, temerosa de terminar encontrando coisas que ela sempre negou.” Erra no sentido que primeiro a ciência começou sim e tem avançado, mas não desvendou o porquê somos seres sencientes. Depois, não li nada que dissesse que a ciência “negou”, muito pelo contrário, a ciência sabe que o ser humano tem uma consciência de si (que muitas vezes, esquece) e do mundo. Daí vem a dialética hegeliana sobre a consciência, que mesmo deficiente de alguns elementos, pode nos ajudar a entender isso.

Hegel tem para si a realidade do Absoluto que várias religiões vão chamar de Deus, ou melhor, a Consciência Primordial do Universo. A meu ver, as religiões materialistas negam essa visão, porque transformaram essa consciência em mera figura igualitária humana. O deus-homem para pessoas ignorantes que tem muito medo e temem aquilo que não entendem. Por isso mesmo, essas religiões bloqueiam nosso lado de ligação desse Absoluto; pois, como a filosofia começa com os físicos (physys) dizendo que há um começo dentro do mundo físico (hoje chamado de big bang) e esse elemento era da natureza. Hoje existem teorias da simulação, mas, a questão da simulação é um platonismo computacional onde há uma realidade real com seres perfeitos e o nosso mundo é imperfeito por sermos copias. Será que somos simulações, já que tudo é codificado?

Salvi diz: “O preconceito contra a vida natural e espiritual tem servido de viseira para não se enxergar outras realidades, e o mais interessante é que também se trata esta de uma viseira mágica, e não propriamente científica ou isenta. Esta é ainda uma viseira muito ideológica feita de maya, de ilusão, de obsessão e de feitiço -o que apenas prova aquilo tudo que estamos aqui afirmando.”. Todo pré-conceito – como um conceito produzido com a subjetividade – visa aquilo que julgamos “certezas” e que não passa de instintos da nossa subjetividade.  O que seria toda a vida, uma existência natural e espiritual? Dai não há dualidade e sim, unidade entre aquilo que interagem na realidade e a essência daquilo que somos. O ser-ego se encontra com o ser-Outro. Ai quando enxergamos a verdadeira realidade – como dizem os budistas, o maya – estamos no meio filosófico e científico, onde o conceito se une ao devir. A filosofia faz conhecemos a s si mesmo, pois assim, conhecemos o universo (realidade) e os deuses (espiritual). Enquanto a ciência, fruto da tekné, a arte da invenção e da descoberta.

Mas e a religião? Salvi escreve sobre “outras realidades” que são “viseiras magicas”. A realidade como evento. Vou além do que Whitehead, pois li pouco. Quando Salvi diz que “não se enxerga outras realidades” se esquece que só há duas realidades: subjetiva do ser-ego e objetiva do ser-Outro. A realidade é o eu-Consciente com o Outro-Absoluto.

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

O ODIO DA DEFICIÊNCIA SEGUNDO A FENOMENOLOGIA


Amauri Nolasco Sanches Júnior

 "Se não está nas tuas mãos mudar uma situação que te causa dor, podes sempre escolher a atitude com que enfrentas esse sofrimento." - Viktor Frankl

 

Tenho muitos textos aqui no blog sobre deficiência, exatamente, por eu ser um deficiente – foi o nome de um outro blog da Wordpress que esqueci a senha e perdi o blog – por viver o fenômeno da deficiência como uma condição dentro das limitações do meu corpo e isso não foi uma questão que me levasse a se matar (como muitos colegas) e ter ódio da deficiência. Confesso não ser um tema que eu debruce nele e estude como matéria filosófica e como estudo fenomenologia e ontologia (também antropologia filosófica), poderá no futuro ser um tópico importante dentro de um estudo mais sistemático.

Mas o que levou a esse texto? Porque uma amiga disse que poderia ser um coaching – na verdade, filósofos não são coaching, são aqueles que jogam a verdade e mostram que na essência, o que temos como certeza são só determinação da nossa subjetividade – e que poderia juntar o que eu sei de filosofia e o que eu sei da deficiência. A deficiência eu vivo (como fenômeno da existência) e a filosofia eu estudo (como um conhecimento adquirido). Mas, vendo o podcast Aderiva (com o Arthur Petry) da mãe de um menino TEA (Transtorno do Espectro Autista) que disse que odiava o autismo (odiamos aquilo que não entendemos) me fez refletir o que minha amiga disse, já que minha amiga vive a deficiência.

Existem dois ramos que filósofos da deficiência (ou filosofas feministas da deficiência) colocaram na filosofia da deficiência (e sim, existe a filosofia da deficiência): primeiro a ontologia e segundo a fenomenologia. A ontologia é um estudo do “ser enquanto ser”, ou seja., poderemos dizer que seja um estudo das essências dentro das coisas e dos corpos e seres que exigem uma essência para existirem (seria o que Aristóteles colocou na obra Metafisica). Já a fenomenologia, ou melhor, o fenômeno da existência dentro da capacidade de adaptar e perceber a deficiência de uma certa situação. Ou melhor, ser um deficiente (ou um corpo divergente) que tem que se adaptar para a vida. O que seria “se adaptar para a vida”? Porque a deficiência – de (negação) eficiência (aquilo que é eficaz) – é o corpo não eficaz em algo e esse algo, não é  o ser em sua natureza, mas é o ser em sua condição de não eficácia de movimentos, de não percepção da realidade ou a não materialização de sentimentos ou consciência da realidade. Porém, com tudo, um corpo humano, descendente do mesmo ancestral do ramo hominídeo.

Mas, o corpo – que poderíamos chamar de Coisa em si – tem aquilo que percebemos e aquilo que somos. Quando o outro não nos deixa perceber quem somos, tendemos querer eliminar o ser-outro que não deixa encontrar o ser-eu em estar no mundo. A coisa em si vem do modo kantiano de pensar e quer dizer aquilo que existe independente da percepção, eu sei que no meu quintal tem um pé de manga, por exemplo, porque meu pai disse que esta carregada de flores. De onde eu fico não vejo, mas a “coisa em si” do pé de manga existe. No caso do corpo – enquanto coisa extensa da existência – é mais do que mera aparência, seria a essência, presença, existência concreta. Aquilo que existe e faz eu dizer que “sou”.

Odiamos aquilo que nos incomoda enquanto ser egoísta que somos – a mãe mesmo confessa ser egoísta – por sermos animais sociais para mostrar ao outro e não a nós mesmos. O objeto do desejo do prazer de conversar – no caso dela, a prima de longe – transcende o querer e passa a ser uma imposição social, como uma lei que quero e preciso. Mas, como diria o existencialismo de Sartre, escolhemos nossas vidas e muitas vezes, não nos responsabilizamos a nós mesmo de ter escolhido essa vida. Como diria Sartre, temos a liberdade de escolher, mas ao mesmo tempo, temos responsabilidade das nossas escolhas. Nesse caso, a culpa recai no autismo. Ou em outros casos, a culpa recai na deficiência.

Daí vem a pergunta quase existencialista: como alguém tem ódio de uma condição? Como alguém acha que o filho com deficiência tem que ser trancado ou tem que estar seguro? E assim, passamos para o ser-Eu (em inglês self) em o ser-Outro (Other). Como um ser-Eu com um corpo divergente – de-eficiente – ou como disse, aquilo que percebemos (a deficiência) e aquilo que somos (eu sou) posso dizer que, classes especiais não são seguras assim. Mas indo mais além do corpo, há uma distinção entre o corpo como objeto percebido (eu e o outro) e o corpo como sujeito vivido – como que sente, age, sofre e deseja. Isso é bem central na fenomenologia. Ora, quando o outro passa a nos definir, quando nos rotula ou impede de nos expressar totalmente, ele passa a interferir na nossa liberdade de ser. isso é uma forma de “objetivar” o ser-Outro como um objeto da nossa vontade,

A vontade. O desejo de eliminar o ser-Outro – não literalmente, mas de modo simbólico – é uma provocação no sentido da reflexão do papel do outro na nossa vida. Ela mostra a vontade de ter uma vida “normal”, passa a ser uma vontade imposta pela moralidade social que achamos estar em negação do nosso ser. dai poderemos desenvolver um impulso destrutivo, não só de eliminação, mas de calar tudo aquilo que me impede de ser massificado.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

A DIREITA REVOLUCIONÁRIA

 


Amauri Nolasco Sanches Júnior

 

Nenhuma paixão pode, como o medo, tão efectivamente roubar o espírito da capacidade de agir e pensar.

Edmund Burke

 

Não sou conservador, mas gosto do modo que os conservadores, de verdade, escrevem. Burke, assim como outros como Scruton ou Olavo de Carvalho, são direitos e não fazem muito rodeios o que querem passar. São do tipo de filósofos que gosto de ler. E sim, li muita coisa do Olavo e existem coisas ruins e existem coisas boas, como todos os filósofos (não vou entrar no mérito se era filosofo ou não por causa do diploma). Mas, uma pergunta nos vem a cabeça: manifestações são coisas da direita? Não a direita conservadora de verdade – que, no Brasil, teria que ser católica, imperialista e liberais progressistas – mas a direita bolsonarista (que eu chamo de direita revolucionária) que fazem todo esse carnaval para livrar o Bolsonaro da cadeia. Vocês acham que essas pessoas estão ligando para os velhinhos da Papuda? Claro que não, estão preocupados com seu político de estimação,

No final das contas, essas manifestações não são sobre ideias (principalmente, do conservadorismo) – são sobre sentimentos mal resolvidos. E isso, na essência, é um tipo de sintoma claro de uma democracia emocionalmente doente. Sabemos muito bem que, mesmo com um certo grau de autoritarismo, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, não é de esquerda. Isso enriquece o debate, porque temos muita coisa a ser debatida. Porque isso não impede que muita gente o trate como se fosse – porque hoje, principalmente, nas redes, no Brasil, basta você contrariar o bolsonarismo para ser rotulado como “comunista”, “globalista” ou qualquer outro rotulo da moda (porque aqui tudo vira modinha). É na essência, um empobrecimento do debate público: tudo se torna binário, uma torcida organizada.

Filosoficamente, uma direita conservadora tem características não só de uma defesa a não mudança das instituições – uma ditadura militar não seria um ato conservador – mas a continuação de instituições e uma cultura vigente. Aqui no Brasil, temos festas tradicionais, temos religiões tradicionais e temos uma moral dentro dos limites entre o “tudo pode” com “nada de libertinagem”. O grande problema do Brasil é a homogeneidade das camadas populares que acreditam em uma religião afro, onde evangélicos vão dizer que é do “demônio”. Tradicionalmente, desde sua fundação, o Brasil foi católico e sempre acreditou – pelo menos desde a sua independência – de um liberalismo mais progressista no sentido clássico do progressismo. De outro modo depois do século dezenove, o Brasil absorveu o progressismo positivista de Comte (alguns elementos da filosofia de Marx também, mas é um texto a parte).

Mas o porquê não se enxergam isso? Porque, como tudo, achamos que a grama do vizinho é mais verde, e importamos conservadorismos de plástico. Conservadorismos de famílias de margarina e nunca aceitamos a cultura do Brasil. De um lado isso é culpa de uma cultura avessa a leitura, um povo que não sabe nem mesmo sua historia. E outra confusão é confundir moralidades e moralismo, pois, moralidade e saber quais morais importantes são importantes, moralismo é uma imposição a alguma moral. O brasileiro é moralista no sentido de imposição. Impor não é convencer, impor é aquilo que você acha certo. O que deveria ser certo? O que deve ser errado? O mal ao outro – como violências – são errados, mas a visão moral religiosa depende do que se acredita.

 Mas o Brasil, como nação, nos tempos modernos – quase contemporâneo – e não nos tempos medievais. Mesmo que contemos elementos medievais dentro da nossa cultura, como o elemento escravocrata – que vieram primeiro com os indígenas e depois terminou com os negros africanos – onde ainda hoje é o elemento que não faz nosso país avançar na educação. Aliás, muitas ainda capitanias hereditárias (com suas famílias coronelistas ainda) ainda existem e só estão transvestidas de voto democrático. Na essência, o brasileiro médio nunca chegou a ser democrático e sim, defender seu politico favorito. Herança medievalista. O senhor do feudo tem que ganhar para os vassalos obedecerem. Nada mais.

sexta-feira, 25 de julho de 2025

PARA QUE SERVE A FILOSOFIA?

 


A Apoteose de Homero. Jean-Auguste Dominique Ingres. 1827 – Óleo sobre tela (386 x 515 cm) – Localização: Museu do Louvre 

Muito se tem perguntado sobre o que deveria ser a filosofia em si mesmo, e como bacharel de filosofia, deveria saber, afinal. Li em algum lugar que, quando se pergunta a um físico o que seria física, o físico sabe, pois, o físico tem que saber as estruturas moleculares de um objeto e as fórmulas e cálculos do especo e tempo. Mas, e um filosofo? Sabe o que seria a filosofia? Porque, muitos traduzem o termo grego – que na verdade são dois – “philosophia" em amor ou amizade ao saber, mas, vou muito mais a fundo. A meu ver, filosofia é um meio onde poderemos destacar a racionalização da realidade sem subterfúgio de modelos de símbolos mitológicos ou conceituais de outra natureza. E nem estou dizendo se existem ou não, mas, nem sempre poderemos explicar através desses refúgios. Ou seja, filosofia é uma ferramenta racional de curadoria aquilo que acreditamos (como nossos valores e nossas crenças) e fazer dele um “farol” dentro da escuridão da ignorância.

Mas o que seria ignorância? A etimologia do termo já nos dará uma ideia muito valida que é ignorar. Se você ignora uma realidade ou um objeto – que não conhecemos – então, somos ignorantes sobre aquilo. Muitas vezes, somos ignorantes de aspectos muito simples como um misero inseto, ou que escorpiões, por exemplo, são aracnídeos. Aliás, tem uma amiga que nem sabia o que seria um escorpião. Existem pessoas que expõem algumas questões que não sabem, pois, temos a cultura do dar opinião em tudo. Eu, particularmente, tenho a tendencia de concordar com Platão: opinião não é conhecimento. Para Platão, existia dois tipos de conhecimento: o doxa e a episteme. O doxa são as coisas que sabemos e fazemos uma vaga e dizemos como preconceitos ou o que acreditamos, enquanto a episteme, é o conhecimento mais profundo sobre algum assunto.

Por que as pessoas acham que filosofia tem a ver só com reflexão? A fome, a corrupção entre outras coisas, são matéria filosófica porque tem a ver com ética e se há um filósofo que começou tudo sobre ética: Aristóteles. Para começar, embora tenha sabedorias em outras regiões, a filosofia – como pensamento envolvendo o “logos” – é grega e já no início do termo (com Pitágoras), tem a essência grega. Portanto, a ética com seu espírito de união entre cultura, língua e a alma de um povo é tão grego quanto ocidental. E digo isso gostando de muitas sabedorias e espiritualidades orientais. O que acontece é que, ter elementos que colaboram com a filosofia grega não quer dizer sua origem.

Dito isso, indo muito mais afundo, as questões politicas não estão longe de cair dentro da rainha-mãe filosofia. Economia é aristotélica, liberalismo nasce com Locke e Adam Smith assim como, o socialismo/comunismo foi Marx com Engels. As ciências começaram com Tales em Mileto (hoje Turquia) e evoluíram para um geneticista mapear o genoma. Enquanto Tales dizia que tudo vinha da agua, Aristóteles dizia que tudo tinha uma essência, Darwin disse que tudo vinha da evolução de vidas infinitas durante milênios. A física veio de Galileu e Newton, mas já pensada por vários filósofos.

Dizer como meu amigo Miranda lá no X:

 

Será meditando que enfrentaremos as dúvidas que pairam sobre nós, livres do fanatismo, seja religioso ou político. Assim fazendo, sentiremos a necessidade de enfrentar a realidade escapando da ilusão. Da minha parte, assumo e me desculpo pela insistência de lutar cotidianamente contra a corrupção que grassa em nosso País e por considerar intolerável a existência de uma polarização eleitoral entre dois populistas corruptos, apoiados irrefletidamente pelos que cultuam estas personalidades.

E assim poderíamos perguntar: o que é ilusão? Platão dizia que a matriz de todas as coisas ficava no mundo das ideias, Aristóteles discordando do seu mestre, colocou essência nas coisas e disse que no bloco de granizo havia um potencial de virar uma estátua. E assim, poderemos ver isso hoje, como uma ilusão usada para dizer que existe um outro objeto perfeito e que estamos sempre com uma essência. A meu ver, pode existir somente a continuação da consciência e somos o que se precisa ser como o filme Avatar. Ainda, esse pequeno pedaço do texto dele, diz muito de ética, razão e nos tira muito da ilusão ideológica. É quase um manifesto estoico. Mas há um problema: a realidade esta imposta e não tem como fugir. A razão que disse no outro texto, tem a ver muito mais com outras questões em enxergar a realidade e sair da “Matrix” das ideologias e narrativas.

O que é a política? Essa é a questão.

quarta-feira, 23 de julho de 2025

A MENTIRA DOS SENHORES DO CAOS

 



A quem interessa, como a frase do general chines Sun Tzu, “governar sobre as cinzas”? Embora tenha mudado o nome desse blog, ele é um meio que eu tenho como resistência através da filosofia (razão), ciência (conhecimento) e a religião (espiritualidade). Isso tem a ver com o progresso através do conhecimento e do saber dentro de um pensamento solido e seguro de que fara o ser humano não só evoluir biologicamente, mas mentalmente, emocionalmente e espiritualmente, fechando o triangulo do existir humano.

Daí a pergunta: existe liberdade? Alguns filósofos e intelectuais, colocam a liberdade como algo utópico e tendem a achar que a liberdade tende a ser só mais uma crença como outras crenças. Mas, a meu ver, a liberdade tem a ver com a individualidade de sermos o que somos como indivíduos, tendo nossos valores dentro de um pensamento único e nosso. Daí – ao contrário de um vídeo do Instagram do Marcus Ruzzo – o individualismo nada tem a ver com você compartilhar línguas, genes etc., mas tem a ver com o teu existir e ter o direito de privar alguns aspectos da sua vida que não são públicos dentro da nossa vontade. A vontade como ato muito particular do desejo individual, tem a ver com a liberdade individual de cada ser sem precisar de incentivo. O coletivismo leva ao populismo.

E assim, lendo Steven Pinker (psicólogo e filosofo vivo) “O Novo Iluminismo”, pude encontrar dentro do pensamento iluminista, várias características do mesmo pensamento e sei muito bem que um desse pensamento é a “razão”. E dentro de um pensamento mais racional e não tão emocional vem a pergunta: a quem interessa esse caos e não for pela razão, qual o caminho do progresso? Ai devemos abrir uma ressalva importante, pois, mesmo que na nossa bandeira tenha “ordem e progresso”, nem todo mundo entendeu e nem todo mundo gosta e tem simpatia pelo progresso. A frase vem de uma outra frase de Auguste Comte, o pai do positivismo, que diz "O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim.", que por explicação seria o amor como força moral, ordem como estrutura social e progresso como objetivo coletivo. Nossa república, calcada no positivismo, deu a bandeira algo como ordem como estrutura social solida e progresso como objetivo coletivo e não puseram o amor como objetivo moral. O grande problema do Brasil, sempre foi de ordem moral como estrutura social como uma construção coletiva.

Ou seja, ordem sem amor pode se tornar repressão, progresso sem moralidade pode virar desigualdade e estrutura social sem ética se torna uma sociedade hipócrita. E ai chegamos naquela máxima daqui do Brasil que é: “para melhor governar temos que separar e emburrecer”. Como? Emburrecer o povo para serem ignorantes e dar a eles pao (bolsa família) e circo (shows de graça e putaria midiática) e assim, estamos em uma polarização afetiva com o lema “eu contra eles”. Como se a solução fosse um agente político só e não pode haver, pois, um corpo social seria um conjunto de indivíduos que tem sua ética e no meio social tem que obedecer a uma moral. Essa moral (junto com a ética) remontam de séculos de tradições, e esses agentes políticos – que chamo de senhores do caos – pegam essas tradições complexas de milênios e simplificam elas.

Essa “simplificação” gera uma defesa de lados ideológicos ou de pessoas (agentes políticos, religiosos, coach etc) nas redes sociais. Em um modo bastante claro para quem estuda filosofia e sua história, essa simplificação – a grande maioria sempre gostou de pensamentos simplistas na história humana – pode interferir dentro do julgamento de certos assuntos. Meu pensamento político – talvez, escreva um texto sobre a religião – é bem claro, só poderemos defender posições, muitas vezes,, mas defender agentes políticos e quem manipulam essas mesmas posições políticas, é muita burrice. O caminho, como enalteceu Kant no seu texto “O que é o esclarecimento?”, é o esclarecimento no modo do ser humano sair do caos (da minoridade tutelar) e não haverá outro. O filosofo prussiano dizia “ouse saber” como um lema a guerra a ignorância e a melhor rebeldia que poderemos ter é adquirir o conhecimento e fazer dele uma arma para não ser manipulado. Conhecer é se libertar de uma caverna.

A nova direita populista – esses sim, são os senhores do caos e fazem parte da nova ordem mundial – dizem que ter o conhecimento não traz nada de prático e que as universidades só fazem doutrinação aos jovens. Onde que puseram na cabeça do brasileiro que para seguir uma ideologia política precisa doutrinar? Os jovens hoje – como na época dos anos 80 e 90 – sabiam onde seguir e o porquê seguir sem ninguém fazer lavagem cerebral. A questão do Olavo de Carvalho sempre foi querer ter os holofotes nele e suas crenças sejam prioritárias, pois, cursos de filosofia (pelo menos os que eu sei) tem Marx como tem outros autores. Queiramos ou não, Karl Marx tem papel importante dentro da história da filosofia. Dai vem a pergunta: será que não temos de investir em um estudo muito mais crítico do que menos? E a quem interessa transformar uma sociedade em um bando de alienado emburrecendo-a?

Desde o princípio, a filosofia tratou a realidade como um ser que existe e que nossos sentidos captam, e só se conhece esse ser estudando seus conceitos e pesquisando suas origens. Se não conheço uma realidade ou algo, eu não sei sua existência ou seu conceito (ou nome) dentro da explicação lógica da razão. Por que eu sei da água? Porque aprendi que aquele líquido incolor e se molda conforme o recipiente, depois aprendi que a fórmula da água é H2O. Por quê? Primitivamente (ou biologicamente), o ser humano capta os objetos pelos sentidos e pelos sentidos poderemos dizer se é perigoso ou não. Daí conceituamos aquilo como um símbolo para dar significado. Ou seja, se sou contra conceitos de Marx, devemos discordar conforme o conceito que ele fez e percebeu o mundo. E como fazemos isso? Com o estudo e pesquisa.

Meu posicionamento libertário (alguns chamam de anarco-liberalismo, mas eu sou minarquista) é bastante racional e não contém nenhum indício de “político de estimação” e sim, posicionamento. Libertários, muito mais os minarquistas, são ligados ao liberalismo (muitos colocam como ultra-liberal) e deveriam seguir posições liberais como posicionamento político. Dai concordo que a razão, como defendida por Pinker – como uma característica do iluminismo – é a essência para progresso humano e até mesmo, espiritual e logico, tecnológico. Com o conhecimento, poderemos abarcar muitas soluções vindas de uma calma (inteligência emocional) e muita analise dentro de uma ótica crítica, e assim, combatemos o caos promovido por populistas (senhores do caos) de uma nova direita (que desvaloriza as universidades para continuar doutrinando as pessoas quase igual a esquerda).

E outro ponto que Pinker “peca”, pois nem sempre o ser humano são racionais. Mesmo filósofos como Marcia Tiburi chamem o liberalismo de fascista (não encontrei nenhuma explicação), a história do liberalismo é uma história de encontrar meios de propor soluções para a desigualdade. Promovendo livre mercado e renovar o comercio melhorando e reduzindo a pobreza com o empreendedorismo. E, além disso, o direito a propriedade para empoderar indivíduos, e caridade voluntaria em vez de uma coerção estatal. No entanto, devemos exigir educação universal para mitigar abusos, evitando “crony capitalism”. Ora, o que é “crony capitalism”? A meu ver, o Brasil é muito bom em ter isso, pois, é um sistema econômico onde o sucesso nos negocio depende das relações próximas entre empresários e autoridades governamentais, via favoritismo como subsídios, isenções fiscais, concessões ou regulamentações que suprimem a concorrência livre. Dai seria uma distorção do liberalismo, formando desigualdades e ineficiência, como visto em casos globais (ex: o caso da crise asiática). A eficiência que cabe aqui é menos interferência estatal.

Como um libertário minarquista, devo explicar o que seria um anarco-liberalismo e o minarquismo tem certas diferenças e devem ser muito explicadas.  Enquanto o anarco-liberalismo (ou anarcocapitalismo) defende a eliminação do Estado (como uma solução para o crony capitalismo), o minarquismo diminui o Estado só deixando direitos básicos como direito e a defesa territorial (talvez saúde). Ou seja, o anarco-liberalismo ao eliminar o Estado quer evitar favoritismo governamental e promover mercados verdadeiramente livres. Acontece que há um grande problema (sendo bastante racional sem ser idealista): sem estruturas mínimas, corre o risco de piorar as igualdades extremas via monopólio para proteger propriedades privadas e a sociedade de ações violentas. Qual a solução mais racional? O minarquismo. Ou seja, o Estado mínimo para proteger, pelo menos, direitos, se alinharia ao novo iluminismo de Pinker. Unir o novo iluminismo de Pinker, com uma defesa da razão humanista, ao minarquismo poderíamos criar um libertarianismo mais robusto. Um Estado mínimo para direitos essenciais, impulsionando progresso via mercado livre e ciência (além de filosofia e um espiritualismo mais livre). Isso poderia evitar um certo extremismo e fomentaria igualdade de oportunidades.

Ai que esta, o Estado mínimo neutralizariam os “senhores do caos” e não poderiam usar sua máquina de manipulação política e nem massificar (coletivismo) para se criar ditaduras ou governos tiranos. E ai, como algo bastante importante, entra o apoio moral. Porque sinto falta no libertarianismo uma teoria moral e encontrei na racionalidade de Pinker, que visa o bem-estar humano com a razão e empatia, sem dogmas. Poderíamos integrar o minarqusmo ao defender individuais como base ética, promovendo liberdade e igualdade de oportunidade.

sábado, 12 de julho de 2025

O DEUS DA GUERRA NIETZSCHE




Nietzsche dizia: "Ser independente é coisa de muitos poucos - é um privilégio dos fortes."

 

Um ser independente sempre vai ser daquelas pessoas que ao invés de cultivar ídolos – como meio de esperança em um mundo decadente desses – vão destruir todos eles. No livro “Para Além do bem e do mal”, Nietzsche vai nos deixar uma sabedoria ímpar fazendo duras críticas sobre os filósofos (um livro antifilosofia) e começa que além do bem (conhecimento) e do mal (ignorância) esta um outro estado de harmonia entre a realidade e sua consciência que não seria só o raciocínio, mas a intuição. Entre o sentir (Dionisio) e o pensar (Apolo). Ou seja, para Nitzsche coloca que o homem não pode ficar preso em uma ideia engessada dentro do raciocinar, preso da ideia que existe uma moral universal.

Claro, há virtudes que não podemos esquecer – que o próprio Nietzsche não esqueceu também – mas como escreveu Sartre depois de Nietzsche, junto com a liberdade contém a responsabilidade dos nossos atos. Mas, antes do que liberdade, Nietzsche nos fala de ter um momento de reflexão, afinal, quem nunca se perguntou o porquê seguir tal ídolo ou, o porquê gostar de certas coisas. Na política – principalmente, nos dias de hoje com a polarização – as pessoas andam muito com o “espírito de rebanho” onde deveriam transcender. Claro, convicções politicas e religiosas podem ser defendidas, mas, isso a qualquer preço? Não há um momento, no qual, as pessoas não possam perguntar o porquê?

Dai quando você luta com os ídolos, seria um guerreiro lutando com os deuses (como se fosse Kratos no jogo e no livro God Of War) e isso são para poucos. Os mais fortes sobrevivem nessa guerra. Talvez, a jornalista Madeleine Lacsko tem razão, temos que parar de votar em boomer por causa de vícios conceitual da guerra fria e a política binaria. Ou seja, viveram em tempos que acreditaram na “família feliz” norte-americana e que uns viram nisso uma verdade outros viram em uma mentira. Ora, a destruição da verdade real de um mundo de destruição e ainda, narrativas que escravizam o ser humano em seus conceitos. E existe a realidade subjetiva (aquilo que percebemos) e a realidade objetiva (aquilo que existe independente da nossa consciência). As pessoas crédulas de narrativas políticas que alimentam uma visão binaria das coisas e isso, talvez, fez a jornalista dizer isso: a geração boomer acreditou em fazer um mundo e um Brasil melhor, acontece que, eles não sabem que a guerra fria terminou.

O bem é aquilo que se aceita (como suposta bondade) o mal é aquilo que não se aceita (como suposta maldade), mas, não passa de escolhas morais de pessoas que aceitam histórias e explicações fáceis de um mundo com uma realidade complicada. Como o próprio Nietzsche disse: “não existem fatos, mas interpretações”. Somos animais simbólicos e simbolizamos tudo que pudermos para dar significado ao mundo, e assim, talvez, o que deveríamos fazer é dizer aquilo que é e não aquilo que aparenta ou faz bem ao nosso ego. Por isso que existe pessoas com transtornos mentais diversos, pois, acreditam em histórias e vivem a partir dessas histórias que criaram ou a própria pessoa criou.  Por quê? Nietzsche disse na frase, só os fortes podem transcender as ideologias que enganam e fazem o ser humano se enganar.

Mas nos enganamos só por causa dessas narrativas? Platão vai nos mostrar, que na caverna onde humanos pensam que as sombras são realidade, haviam uma casta de homens que tentaram explicar essas sombras. No começo da modernidade, o filosofo francês Rene Descartes colocou em duvida a realidade dizendo que, um demônio pode nos enganar e dizer que aquilo é real. E se não for? Hoje sabemos que vídeos podem ser gerados por inteligência artificial (o que é inteligência?) e pode me enganar, que o momento que vimos a foto, ela já é um passado e as coisas podem ser mudadas. Talvez, Descartes não tivesse errado. Talvez, vimos uma realidade que não existe e o que existe é nossa consciência, porque eu escrevendo isso estou pensando, pensando eu existo. Mas e o resto? E o Bolsonaro fazendo cagada? O Lula com suas bravatas? No fina das contas, nossos problemas são nossos, eles só contam histórias para sustentar as suas verdades. E eles são escravos dessas histórias também.

Nunca foi tão necessário o “penso, logo sou”. O sentir a vida pulsante e pensar como forma de resistência, deveria ser a regra. A única regra que deveríamos seguir nesse mundo louco e complexo.