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sábado, 9 de maio de 2020

Pastor Valdomiro e a espiritualidade ‘fake’ do neojudaismo cristão




This is apparently what Jesus REALLY looked like - Daily Star



“A grandeza de alma é inseparável da grandeza intelectual, porque implica independência. Mas, sem grandeza intelectual, a grandeza de alma deveria ser contida, pois que cria a desordem, mesmo que tenha a intenção de proceder bem e de obrar com justiça.”
Friedrich Nietzsche

Já disse a minha posição espiritual e não é de hoje, que não gosto das igrejas neopentecostais que andam circulando por aí. Não gosto de partes da teologia evangélica, que remontam muito mais o judaísmo do que o cristianismo, propriamente, dito. Para começar, nada tenho contra o judaísmo, sou um grande estudioso da cabala e estou aprendendo os vários símbolos judaicos sempre. Mas, ou você segue a Jesus ou você segue o judaísmo, os dois fica um pouco desconexo. Mesmo o porquê, muitas resoluções judaicas Jesus foi contra e até desautorizou a fazer. Como o que comer, como ser ligado demais as pessoas e as coisas, como ser materialista e precisar de alguém para se ligar com Deus.

A questão é: porque raios eu preciso ir numa igreja e pagar dizimo para que tudo dê certo na sua vida? O neopentecostismo, na verdade, destruiu o o conceito da graça que é a chave do arrependimento cristão, pois, se começou a barganhar o perdão como se fosse uma mercadoria. A graça é um perdão concedido, segundo a tradição cristã, com o arrependimento verdadeiro do pecado cometido e pelo amor de Deus a sua alma. Nada disso de dar coisas ou pagar pedágio para ter graça ou para entrar no paraíso. Mesmo o porquê, não há muita lógica você querer barganhar com um Ser que é onipresente, onisciente e onipotente e sabe muito bem, o que você fez na sua vida e sabe tudo que acontece no universo e no cosmo inteiro.

Quem me lê a mais tempo, sabe que separo religião com espiritualidade, pois, a meu ver, existe uma diferença muito grande, aquelas pessoas que buscam se religar com Deus e aqueles que buscam sentir as forças criadoras de todo o universo e da realidade. Ora, a religião busca uma ligação, que segundo cada tradição, foi interrompida por causa de um pecado ou um erro primordial, ou seja, são dogmas para se seguir e ter essa ligação. Na tradição cristã, esse erro ou pecado, se originou com o pecado original do casal primordial da humanidade, Adão e Eva. Essa tradição judaico-cristã vem de tradições muito mais antigas e que, alguns judeus dizem, que muitas pessoas dentro do próprio judaísmo não levam tão a sério essa questão. Seria, uma espécie, de simbolismo.  Na verdade, há uma tradição que diz que a primeira mulher de Adão não foi Eva, mas, foi Lilith, feita do pó (não do barro) como Adão. Lilith não queria, na hora da transa, que Adão ficasse em cima dela e foi embora porque Adão não aceitou ficar em baixo. Deus vendo que ele se sentia solitário, fez Eva da sua costela.

Há varias teorias sobre essa parte da bíblia, mas, há quase um consenso, que o velho testamento (Torá), seja uma tradição de um livro muito mais antigo. Ora, Adão pode ter vindo de “Adam”, que quer dizer “homem” ou “humanidade”, remontando que Adão, na verdade, é um termo que quer dizer a humanidade. Ainda há outra possibilidade, que Adão seja um nome de uma comunidade lideradas por homens. Outra possibilidade é que Adão vem do hebraico AdaMah que significa “terra fértil”, que remontariam a questão da origem do termo como a origem da humanidade. Já Eva também tem uma discussão interessante de estudiosos sobre a origem do termo, que vem de HaVVah que tem o significado “mãe de sobrevivente”. Outro termo é HaYah que quer dizer “viver”. Os dois termos podem ter origem muito mais profundas como ser uma comunidade de humanos comandado por mulheres. Há lendas sobre comunidades assim, que remontam várias tradições e faz um certo sentido, porque são comunidades que viviam em harmonia e começaram a viver em desarmonia com o que é espiritual.

Por outro lado, há também uma grande discussão sobre os 6 dias que Deus fez um mundo, que remontam, os 6 períodos geológicos. Mas, a questão ultrapassa uma leitura literal da questão, que pode muito bem, ir mais além do que possamos ir. Mesmo o porquê, na questão de conhecer a si mesmo – atribuída aos 7 sábios da Grécia (Hellas) e usada na entrada do Oraculo de Delfos e depois pela filosofia socrática – tem um lado, também, intrínseco de uma tradição espiritual muito mais antiga. Tanto é, que a continuação da frase é que conheceremos o universo e os deuses, ou seja, cada vez que somos convidados a conhecer a si mesmo, somos levados a evoluir e enxergar uma outra realidade muito além de uma construção e um sujeito que acha que tem o aval de Deus para falar por ele.

O que é o conhecer? Um dos significados é ter consciência, ou seja, quando você tem o conhecimento de algo, a sua consciência vai saber que aquilo existe e tem um significado. O objeto do conhecer, nesse caso, é você mesmo no sentido de fazer um exame do que você é, assim, enxergar uma realidade muito diferente daquilo que estamos acostumados. O “penso, logo existo” cartesiano (o filosofo francês Rene Descartes) radicalizou o termo dizendo que temos a certeza da nossa existência, pois, podemos duvidar de tudo. Posso duvidar que exista a banda que estou ouvindo e achar que é uma musica produzida por programas de música, ou posso duvidar que possa existir uma flor chamada rosa, mas, não posso duvidar de mim que estou escrevendo esse texto.

Quando temos a certeza de uma existência e que aquilo que todo mundo diz pode ser ilusão (as sombras de algo muito maior), pode ser que nem exista, porque botamos ali o critério da dúvida. Aliás, somos os únicos animais que podemos ter consciência da realidade que nos cerca e assim, podemos perceber que além das inúmeras coisas pela ciência, há outras muito mais além do que nossa realidade possa responder. Então, essa imagem fechada, esse pacotinho pronto de um “deus” barbudo em um trono, me parece, algo muito limitado e dará vazão a uma outra realidade. O mito da caverna platônico explica muito isso. A caverna é a sociedade impondo ordens morais que nem as pessoas entendem, intelectuais tentam entender, mas, não entendem. Porém, aquele que entendem que existe uma outra realidade – o mundo das ideias de Platão era muito mais além do que esse mundo espiritual do espiritismo que se diz kardecista – são taxados de doidos, incomodam, são isolados pelo medo daqueles que se sentem confortados com aquilo. Aquilo é o limite de seus espíritos amedrontados. É o limite de pessoas limitadas. Será mesmo que precisamos nos religar?  




domingo, 21 de abril de 2019

A verdadeira Páscoa é um momento de reflexão e não só de chocolate




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Amauri Nolasco Sanches Junior



“compreender para crer, crer para compreender”
(Santo Agostinho)

Santo Agostinho de Hipona (354-430), foi além de teólogo e bispo da Igreja Apostólica Católica Romana, foi um filósofo que juntou o platonismo com a teologia cristã. Algumas coisas como a reminiscência platônica e a sobrevivência da alma, vem de Sócrates e Platão, quando no seu último discurso, Sócrates ao beber uma taça de cicuta, diz ir para um outro mundo (dará uma espécie de paradoxo do suicídio, mas, é uma discussão para um outro texto). A questão é: que Santo Agostinho dizia que antes de ter fé (fide) temos que compreender (intelligere). 

Ao ler muitas mensagens cristãs – como gritar de felicidade a “paixão de Jesus” - me deparo com uma tremenda ignorância sobre sua própria fé. Crer é muito mais do que acreditar por acreditar, fé é uma questão clara de entender o motivo da sua fé. Os nórdicos – povos antigos que viviam na Escandinávia – tinham bem clara a imagem de Odin como o deus da guerra e o rei e pai de todos os deuses. Não pensem que eles acreditavam por acreditar, tinha vários rituais e esses rituais tinham que ser entendidos, do mesmo modo, existe uma compreensão daquilo que é seguido. 

Seguir por seguir é um ato de fé cega e nem saber o que está seguindo. Não pensem que só na religião está essa fé cega que muita gente segue, como a fé em ideologias que não deram certo, fé em pensamentos que não são verdadeiros, seguir só por seguir. O cristianismo ficou hoje, um amontoado de asneiras que não cabem num culto ou numa missa, só. A questão não é dizer que a outra fé é de satanás, sem saber, de onde vem os termos. Satanás vem do hebraico (שָטָן ) “satãn” que quer dizer, adversário. Em grego koiné (comum), se escreve “satanás” (Σατανάς). Em árabe se escreve “shaitan” (الشيطان) que deriva da raiz semítica ( šṭn) que tem o significado hostil. Ou seja, quando Jesus dizia “satanás”, ele estava dizendo que existem formas espirituais adversarias e hostis a evolução e a verdadeira designação espiritual. Dizer que a sua religião é verdadeira e a outra é de satanás (adversário) é até um sacrilégio, porque também é um lugar espiritual. 

Claro que se você é cristão, tem que seguir os rituais cristãos e deve seguir a moral cristã verdadeiramente. Matar é anticristão. Trair no casamento é anticristão. Olhar coisas não belas é anticristão. Julgar sem saber da verdade e não deixar a outra se defender é anticristão (nem vem petista achar que estou falando do Lula que não estou não). A questão que as pessoas hoje tem uma espiritualidade bastante feed food e não há mais nenhuma reflexão. Haviam tempos que as pessoas faziam jejum na sexta-feira santa, que existiam reflexões imensas dentro de igrejas e até mesmo as protestantes, tinham a palavra certa para isso. Aliás, minha avó italiana – sim, ela e meu avô materno nasceram na Itália – estudou até a segunda série, mas, sabia ler impecavelmente, porque a igreja (congregação) exigia que escrevessem bem e lessem bem para entenderem a bíblia. Hoje em dia – todos nós sabemos que é uma desculpa – não há essa exigência e cada vez mais, temos pessoas assassinando a nossa língua nas redes sociais e são cristãs. Ou seguram cartazes como: “Para que fazer universidade se sabemos a Bíblia”, mas, pelo menos, tem que saber ler, tem que entender o que está na Bíblia e ai que quero chegar.

Na verdade, Páscoa tem um significado bastante amplo para nós acharmos que se deve designar apenas festinhas, praia ou fazer aquela churrascada. Páscoa é uma grande festa judaica e cristã que comemora a Ressurreição de Jesus. Vem do latim vulgar “pascua”, que está atestado nas glosas, alteração do latim escolasticístico “pascha” e por um cruzamento com o termo “pascua”, onde o seu significado é alimento, propriamente, pasto. Porque a Páscoa coloca fim do jejum da quaresma, então, aquele mesmo termo em latim “Pascha” vem do grego – provavelmente, do koiné - “páscha” que segundo na versao dos Setenta (cujo o significado é a refeicao de Páscoa, o anho pascal. Com a origem do hebreu “pasach” que significa, “passagem”, que é uma festa celebrada como uma recordação da saída do povo hebreu do Egito, depois foi designada como uma festa cristã para designar uma celebração da ressurreição de Jesus por motivos de serem na mesma data. Na verdade, não se sabe ao certo de onde esse termo hebraico vem, mas, como eram povos nômades, muito provavelmente, eram oferendas dos animais primogênitos para evitar doenças e males. 

Vamos ficar no termo passagem. Essa coisa de ovos – que já eram características de povos nórdicos – e o coelho da Páscoa, são símbolos da fertilidade e da multiplicação. Mas, por que isso pode ser configurado na festa da Páscoa? Porque a passagem. O simbolismo da Páscoa e a quinta-feira ou a sexta-feira santa, são o momento da passagem de um novo ser humano com o simbolismo da morte de Jesus, porque uma dos significados de cruz é árvore. Ora, o pecado não nasce do fruto da ciência? A árvore da vida dará a origem do pecado de desobedecer à Deus e não ter o conhecimento – que podemos discuti em uma outra ocasião a essência do pecado original – mas, a cruz vai terminar esse período. Um renascimento da natureza humana em estar na ignorância (realidade imanente) e o ser humano renovado em uma outra realidade (realidade transcendente). 

Não foi diferente de várias tentativas de ensinarem ao ser humano que essa realidade imanente não é a verdadeira realidade e sim uma sombra, uma realidade que nos ensinaram com uma moral falsa e hipócrita (que todos devem seguir para haver união, mas, não promove união nenhuma). Dai entra a transcendia com a ressurreição de Jesus, quando uma outra realidade começa ser mostrada, um encontro espiritual divino pela verdadeira fé. Jesus não disse que Moisés não disse a verdade, disse que a moral construída com a moral ética de Moisés se corrompeu, foi distorcida por interesses políticos. A questão de Jesus era espiritual e não politica e por isso mesmo disse, para dar a César o que é de César, a Deus o que é de Deus. Tanto é – que é pouco repetido por motivos óbvios – que Jesus disse que tanto nossa fé faria com que fizéssemos o que ele fazia (não essa palhaçada que muitos pastores fazem por ai, claro), e também, que eramos “deuses”. O que são os “deuses” se não o nosso progresso moral e espiritual?

A questão da Ressurreição é uma questão vasta e pode ser discutida infinitamente. Mas, será que estamos mesmo numa realidade verdadeira?

sábado, 19 de janeiro de 2019

Ninguém quer ler Olavo de Carvalho









Amauri Nolasco Sanches Junior

Será mesmo que o público leu o filósofo Olavo de Carvalho? Será mesmo que seus livros foram bem vendido pelas suas ideias ou porque ele falava mal do Lula e do PT? Porque sabemos que o povo mal ler um post de Facebook ou de Twitter, ainda mais, livros de filosofia e de pensamento como do Olavo de Carvalho. Posso ter algumas divergências filosóficas e ideológicas com ele, mas, aprendi muitas coisas com ele ao longo da minha estada na internet. Nem acredito que um filósofo ou um intelectual, se faça só na academia como prega Paulo Ghiraldelli Jr. Claro, que a filosofia tem seus jargões certos, existe uma maneira certa de se fazer, porém, pessoas podem sim aprender fora da academia esses jargões filosóficos que usamos. A questão é muito além do que jargões ou ter diploma, vai ao encontro da educação e da nossa cultura que acha que um filósofo é um ser inútil, porque produzimos intelectuais e não filósofos.

Essa questão vem desde que fomos colonizados pelos jesuítas lá no século dezesseis. A igreja católica sempre pregou que o conhecimento era uma vaidade e sempre incentivou a ignorância, então, o nosso povo pegou ranço desse conhecimento. Por isso mesmo, o brasileiro é um pouco distante da leitura, porque temos uma cultura positivista da pratica e não da teoria, nunca gostamos de pensar e refletir. Por isso mesmo, nossa infraestrutura é uma porcaria, sempre fazemos as coisas nas “coxas”, porque não gostamos de parar e planejar as coisas. Já fui coordenador de um movimento grande em prol das pessoas com deficiência e eles tinham aversão ao planejamento, porque achavam que as coisas tinham que ser na pratica. Sim, Aristóteles disse que é melhor ter a pratica do que a teoria, mas, sabemos que o que ele estava falando, era a pratica de filosofar, de pensar e fazer críticas.

Dentro da filosofia a crítica não é somente falar mal, mas, analisar de fato, um problema que pode ter várias soluções. Uma das minhas críticas ao que o Olavo fala ou escreve, não é ele falar as bobagens que ele diz da Pepsi ou que a teoria da Terra esférica não tem fundamento, porque isso é uma tremenda palhaçada e a gente sabe, que isso é para ficar em evidencia; mas, é ele achar que só os filósofos clássicos fizeram filosofia e não os modernos e os contemporâneos. Não há nenhuma analise seria do Olavo pelos filósofos de agora, que chama todos de imbecis. Tem até um ranço grande com Nietzsche por conta da frase “Deus morreu”. No Jardim das Aflições, livro que deu a ele o nome do seu documentário, ele crítica Epicuro com a moral católica dizendo que o filósofo pregava o prazer desmedido. Isso não é verdade. Quem estuda o filósofo grego sabe, que Epicuro pregava o prazer equilibrado e essa fama de hedonista foi muito espalhada pela própria igreja católica.

 Ora, ele criticou a igreja protestante, mas, se não fosse ela, ele nem poderia ser filósofo (ia ser queimado em praça pública, fora os avanços que se seguiram após a revolução de Lutero). Vários pastores pentecostais, além de lerem (ou dizerem que leram) ainda apoia o pensador sem saberem, ou sabem, que o filósofo chamou eles de “vigaristas”. Olavo faz críticas contundentes contra a ciência, mas, esquece do computador que usa, esquece do hospital que foi cuidado. Claro, que acho que a ciência não está imune de críticas, ou até mesmo, duvidas. Mas devem ser duvidas logicas dentro de um sistema de comprovação, que claro, só é uma mera opinião. Platão, que Olavo de Carvalho gosta tanto de repetir, disse que uma mera opinião (doxa) não leva o ser humano ao conhecimento e sim, o pensamento lógico e filosófico. Aliás, a filosofia não é uma mera opinião ou mera falas ideológicas – se pode fazer ideologias com certas filosofias, como aconteceu com o marxismo ou com o anarquismo, mas, não se pode filosofar ideologicamente – se crítica com argumentos contrapondo-se a aquilo. Posso criticar as ideias de Karl Marx, por exemplo, mas se eu chamar ele de vagabundo e achar que ele não é filósofo por causa disso, é uma mera opinião. Um homem que escreveu um livro e trabalhou dentro da sua ideia, pode ser chamado de vagabundo? Ora, ser contra a teoria socialista até eu sou contra, mas, temos que criticar as ideias e não a pessoa para ser filosofia.

As pessoas não entenderam, junto com Olavo de Carvalho, que as coisas não são quadradas ou redondas como pensam. Existem coisas além do que ideologias por trás de uma transação comercial, que mexem com a economia de um país inteiro (consequentemente, o PIB). Quando imaginamos uma esfera, imaginamos que essa esfera seja perfeitamente, redonda sem nenhum defeito. Mas, quando moldamos a esfera que imaginamos, essa esfera não sai, totalmente, perfeita. A questão é muito clara, a política não há uma ideologia perfeita, atitude perfeitas e sim, atitudes comerciais ao país. O próprio Estados Unidos tem acordos comerciais com a China, o próprio presidente, Donald Trump, viajou até lá para fazer mais um acordo. Acho valido a crítica do Olavo por causa do vício do brasileiro de sempre dizer amem para tudo e não ter opinião contraria de nada que ele concorda, ninguém que ele ama ou tem amizade, ou ninguém que interessa para ele. O papel do filósofo é esse. Tirar o povo da caixinha daquilo que sempre estão acostumados a concordarem sempre. Porém, manipular informações para levar o país ao caos, já é uma inconsequência irresponsável e que poderia, por ventura, levar a prisão por lesa pátria.

Mas, o leitor deve estar perguntando: o porque eu acho que ninguém quer ler o Olavo de Carvalho? Pelo artigo que eu escrevi no Blasting News que ninguém quis ler, ninguém abriu e ninguém quis olhar a defesa até, que eu coloquei no artigo, da deputada do PSL – partido de Bolsonaro – Carla Zambelli dizendo coisas esclarecedoras. As pessoas só querem xingar e criticar e não estudam. Será que a maioria sabe o que é comunismo? Será que as pessoas sabem o que o Olavo de Carvalho escreve é filosofia? Ou as pessoas só entendem o que lhe interessam? Vale a reflexão.

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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Estudos revelam: evangélicos brasileiros não sabem o que é conservadorismo e que a Bíblia é um livro moral (parte 1)





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Abra se tiver coragem (AQUI)


Amauri Nolasco Sanches Junior

As pessoas estão confundindo as coisas com o governo Bolsonaro na questão de misturar religião com o governo, mesmo o porquê, o nosso Estado é laico. Ser laico não é ser ateu, apenas é uma divisão para que todas as religiões, convivam em paz e em harmonia. Portanto, na área política, não pode ser essa mistura entre religião e o Estado. Roma fez isso e não deu certo. Mas, acho que a ministra dos Direitos Humanos, das mulheres e de outras minorias, Damares Alves, deveria pensar um pouco mais como advogada do que como pastora. Porque ela dizer que a ciência deveria estar nas mãos dos evangélicos, é um pouco demais e não se deveria nem haver discussão sobre isso. Cada um no seu quadrado como mostrou o ministro da Ciência, Marco Pontes.

Primeiro, há uma seria confusão entre ser conservador e ser liberal, que começaram a difundi algo como um liberal na economia e conservador nos costumes. Vendo um vídeo do professor Pondé, eu entendi que há uma séria questão que deveríamos tomar cuidado. Porque o conservadorismo vai nascer no século 18 com a filosofia de David Hume (1711-1776), que desenvolveu o pensamento cético e o filósofo britânico, Edmund Burke (1729-1797), que vai criticar a Revolução Francesa na sua maior obra. Hume desenvolve uma filosofia cética que vai colocar a dúvida em questões que eram tomadas como “verdades”, que Burke, usou para duvidar de uma mudança repentina dentro de uma sociedade. Ora, na área filosófica, um conservador em política é aquele que tem uma certa dúvida que o ser humano possa inventar muitas coisas. Nós, herdamos muito o reacionarismo francês que é uma volta daquilo que era e o reacionarismo católico, que entre outras coisas, defende a volta das missas em latim (se for na lógica, as missas então, deveriam ser em aramaico, língua de Jesus). Mas, o conservadorismo britânico (filosófico), nasceu de uma dúvida de quem calcula mundos que não existem e usam uma retorica para convencer que esses mundos são possíveis. Prova disse é o socialismo (muito em experimentado e que não deu certo) e o comunismo. Segundo a visão britânica do conservadorismo, eles são engenheiros sociais e econômicos que acham que podem reduzir tudo lógica planificada, ou seja, são sofistas calculadores de economias e sociedades sem a menor chance de existir. Um conservador raiz (tenho certa dúvida que os neopentecostais e os pentecostais são dessa linha, mas, voltarei nisso no texto), ele valoriza o habito e acredita que os nossos ancestrais não destruíram o mundo, mas, talvez, nós possamos destruir brevemente.

  Ser liberal no sentido norte-americano quer dizer uma maior intenção do ESTADO. O que, aqui no Brasil, chamaríamos de um pensamento de esquerda. Mas em sua origem, o pensamento liberal na economia é uma sociedade onde as pessoas devem ser estimuladas a serem responsáveis por si mesmas. Seu ideólogo é Adam Smith (1723-1790), era um filósofo muito mais moral, mas, ele entendeu que quando as pessoas ficam livres se tornam mais criativas (não um mundo perfeito), mas, a liberdade do indivíduo deve ser privilegiada. Se valoriza o indivíduo e ter ações econômicas. O pensamento liberal tende sempre a ser aberto moralmente, concepções ancestrais.

Liberal conservador dúvida dos engenheiros sociais “muito loucas” e defende a conservação as instituições democráticas existentes. Privilegiar a propriedade privada. Defende razoável liberdade e experimentar no espaço da lei e que possa viver no espaço livre do merecimento. Agora, o neoconservador surge nos Estados Unidos da América no final dos anos 70 a continuou nos anos 80 durante o governo do presidente Ronald Reagan (1911-2004) – que teve grande influência religiosa – até o presidente George W. Bush Jr (1946). O termo NEOCON aparece na mesma época.

Ora, um pensamento conservador é um pensamento cético que dúvida de certas utopias dentro da sociedade que está fora do escopo de uma ideologia mais empírica e que deu certo. Mas, para entender os “cristãos” que está no governo e que se dizem conservadores nos costumes e liberais na economia. Primeiramente, Jesus não era um conservador e reformulou algumas coisas das leis judaicas, como o apedrejamento de adulteras, perdoar quem te ofende, que o mal não é o que entra pela boca e sim, o que sai (se referindo a comer porco); de fazer comercio no templo dedicado a Deus; ele mesmo fazer a cura através da fé; e redigir um só mandamento, amar a Deus sobre todas as coisas, ao próximo como a si mesmo. Fora que reformulou a lei do sábado curando enfermos em pleno dia de ócio, segundo as leis mosaicas. Segundo, a essência do protestantismo já é uma ruptura com a tradição católica, voltando ao cristianismo primitivo.

Segundo o Wikipédia (foda-se se você acha que não é uma fonte confiável), o protestantismo é uma das três principais das divisões do cristianismo, junto com a igreja católica e a igreja ortodoxia (ortodoxo é aquele que está conforme a doutrina) e é a segunda maior igreja que tem maior número de adeptos e foi a última a ser criada. Se originou com a Reforma Protestante, que foi um movimento contra o que seus seguidores consideram como os erros da igreja católica. Assim, os protestantes rejeitam, por exemplo, a doutrina católica romana da supremacia papal dos sacramentos, mas descordam entre eles na questão da presença real de Cristo na Eucaristia. Eles enfatizam o sacerdócio a todos os “crentes” (aqueles que creem na doutrina protestante), pela justificação pela fé (sola fide) em vez das boas obras e a autoridade da Bíblia sozinha (e não com a tradição sagrada) a fé e na moral (sola scriptura). As “Cinco Solas” podem resumir as diferenças teológicas básicas em oposição a Igreja Católica.

1º - Sola Scriptura (somente a Escritura) à O princípio na qual a Bíblia tem total primazia dentro da relação da tradição legada ao magistério da igreja protestante (evangélica), quando esses princípios doutrinários estão em conflito.

2º - Sola gratia (Somente a Graça ou Salvação Somente pela Graça) à esse princípio afirma que a salvação é pela graça de Deus apenas, e que o ser humano somos resgatados da Sua Ira, somente, através da graça. A graça de Deus em Cristo não é meramente necessária, mas é a única causa eficiente da salvação. Esta graça é uma obre sobrenatural do Espirito Santo que traz a Cristo por nos soltar a servidão do pecado e nos levantar da morte espiritual para a vida espiritual.

3º - Sola fide (Somente a Fé ou Salvação Somente pela Fé) à princípio que afirma que justificação é pela graça somente, através da fé somente, por causa somente de Cristo. É pela fé em Cristo que Sua justiça é imputada a nós como única satisfação possível da perfeita justiça de Deus.

4º - Solus Christus (Somente Cristo) à princípio que afirma que a salvação é encontrada somente em Cristo e que unicamente Sua vida sem pecado e expiação substitutiva são suficientes para nossa justificação e reconciliação com Deus o Pai. O evangelho não foi pregado se a obra substitutiva de Cristo não é declarada, e a fé em Cristo e Sua obra não é proposta.

5º - Soli Deo gloria (Glória somente a Deus) à princípio que afirma que a salvação só é através de Deus, e foi alcançada por Deus apenas para sua gloria.

Ora, se fomos analisar toda o princípio do protestantismo raiz (vou escrever sobre as pentecostais e os neopentecostais), eles mudaram totalmente, a tradição cristã até então. Acontece que hoje, pelo menos aqui no Brasil, há muito mais uma adesão as igrejas pentecostais e neopentecostais, que a princípio, não seguem muito o que o protestantismo raiz segue. Assim, a própria história do protestantismo é uma história de rompimento das tradições assim como Jesus rompeu algumas tradições dentro da cultura judaica da sua época. E outra coisa, existe uma confusão de uma tradição moral e uma tradição política que deveria ser o conservador. Família é subjetiva e depende das escolhas de cada um e mesmo que você não goste (não é uma ideia marxista), a família moderna foi sim, produzida pelo capitalismo. O liberalismo e o marxismo, num modo bastante analítico, vieram de uma mesma fonte que é a filosofia de Rousseau. O liberalismo foi um contraponto da afirmação do filósofo genovês, que aquele que teria cercado um punhado de terra e dito que aquilo era dele, é um imenso ladrão. O liberalismo vai dizer que as pessoas são livres para fazerem o que acharem que devem (dentro das leis), e que, se as terras são compradas por ele, tem o direito de ter sim. E o marxismo, que vem da filosofia de Karl Marx (1818-1883), não na sua “pureza”, é a favor da propriedade comunitária onde todos podem desfrutar todas as terras, porque a terra não é de ninguém. O anarquismo vai ser bastante radical dizendo que nada é de ninguém.

Os britânicos acham estranho essa coisa de liberalismo conservador, porque a essência do liberalismo é exatamente a liberdade de fazer o que bem entende dentro de uma sociedade de consumo. E por incrível que pareça, o liberalismo e todo o movimento iluminista e antes dele, a renascença, começaram nos burgos onde a nova religião tomava corpo. Lógico, que muitas pessoas tiveram que tomar cuidado, mas a arte começou a sair do mesmo graças ao protestantismo. Aí entrou em um outro aspecto muito importante, em muitas filosofias – como já disse antes – como o liberalismo, o iluminismo, as grandes filosofias que vão analisar além da questão da tradição católica. Essa liberdade que vai fazer casais poderem se separar se não dão certo, vai fazer com que as ciências possam evoluir, possamos inventar inúmeras tecnologias e vai fazer as pessoas pensarem além de um cristianismo católico imperialista e que obedecia muito mais preceitos romanos e não de Cristo.

Nossa tradição é católica e quando as igrejas pentecostais começaram a crescer, muitas pessoas eram da igreja católica romana e começaram a trazer muitas coisas delas. Em nenhuma parte do mundo – nem em países protestantes – as pessoas são levadas a crer que o estudo é um pecado e a filosofia é coisa do demônio, só aqui. Pastores que dizem que a Terra é plana, vão ao encontro do que o papado dizia lá na idade média. Porque o embasamento que a Terra é plana é de um filósofo e não está em nenhum texto bíblico, não está em nenhum cânone e a bíblia, na sua real essência, é um livro moral. Acho que a ministra Damares Alves deveria pesquisar mais, deveria não misturar ciência e religião, e deveria estudar mais os preceitos da religião que segue. Porque você colocar em dúvida que uma ciência só é ciência das mãos de um religioso – no qual, vai falar o que a maioria vai querer ouvir – é de uma ignorância muito grande. Mesmo o porquê, todo livro sagrado é alegórico e não pode ser levado ao pé da letra.

Continua....

sábado, 12 de janeiro de 2019

Pessoas com deficiência e a desigualdade do benefício do Loas (Previdência)




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Amauri Nolasco Sanches Junior

O BPC/Loas é um benefício que são cadastradas pessoas com deficiência que não podem trabalhar. O valor desse benefício é um salário mínimo (como se uma pessoa com deficiência gastasse um salário mínimo por mês). Segundo o meu colega e jornalista, Jairo Marques, o pente-fino passado  pegou 2 milhões desses benefícios de forma irregular e no meio desses benefícios, devem haver algumas pessoas com deficiência que trabalham ou tendo algumas atividades remuneradas. Essas informações foram cruzadas com dados fiscais. E ele faz algumas perguntas: será que o benefício é justo e precisa continuar? Vai se abrir mão do pagamento pelo “bem” maior do país? Uma cadeirante que ganha o teto da Previdência pode dar palestras de R$ 15 mil reais? E termina a reflexão dizendo, que é o momento importante para se saber qual rumo as coisas irão tomar e que rumos nós tomaremos (o post dele linkado AQUI).

Duas coisas eu sempre questionei: (1) é a Lei de Cotas das empresas que governo nenhum deu jeito de funcionar (esse também não vai fazer nada); (2) que esses benefícios atrelados com a previdência, porque sempre vai dar cagada e são usados o dinheiro de Previdência. Vamos ser bastante sinceros, se existe uma lei que não tem punições severas, ela pode continuar? A questão não é se você contratar ou não as pessoas com deficiência, a questão é, que você não pode discriminar deficiência e enquanto não forem atuadas pessoas que discriminam os cadeirantes (que muitas pessoas não contratam por ser cadeirante), a lei não vai funcionar mesmo. Pelo contrário, existem meios para ficar mais difícil as pessoas com deficiência serem contratadas tendo que mandar laudos médicos. Muitas pessoas dizem, que esses laudos médicos são para a empresa se adequar as pessoas com deficiência, mas, todos nós sabemos que não é bem assim. A questão é o “filtro” das deficiências menos visíveis e que tem menor acessibilidade no meio de trabalho (como mesas, banheiros acessíveis, programas para cegos, legendas para surdos e etc), e as deficiências mais visíveis que podem causar mal-estar num primeiro momento, tem mais necessidade de acessibilizar o ambiente de trabalho e tal.

Acontece, que há alguns problemas nessa questão. Existem leis que obrigam TODOS os prédios a serem adaptados para pessoas com deficiência, tendo ou não, alguma pessoa com deficiência ali. Isso é um ato ético e como um ato ético, deveria ser respeitado. Por outro lado, quem não queria um salário bem maior e poder comprar uma cadeira de rodas melhor ou produzir como outra pessoa qualquer? O problema do Brasil não é as pessoas com deficiência ou outras pessoas que recebem um salário mínimo da Previdência e sim, funcionários públicos que recebem salários integrais, regras que não condizem com a realidade brasileira, pessoas da política que tem duas ou três aposentadorias acumuladas. Fora, que esses 2 milhões de pessoas com deficiência que entraram no pente-fino, uma boa parte foi por causa de atividades remuneradas (como se o cara não pudesse vender balas num farol para complementar seu salário mínimo), então, por que essa cadeirante (que a gente sabe muito bem quem), que ganha o teto total desse benefício (R$ 5.645,80) e faz palestras, não perdem esse benefício, se é uma regra dentro do BPC/Loas? Nós, como muitos países desiguais, somos levados a termos castas e achamos que não temos.

Na Índia, por exemplo, há o sistema de castas a séculos e a religião de lá foi feita nesse sistema. Mesmo que o cristianismo pregue a igualdade – como o Mestre Jesus pregou – nós sabemos que não há nenhuma igualdade. Até arrisco dizer que toda essa teologia cristã, nada tem a ver com qualquer ensinamento de Jesus e tudo foi feito, como uma tentativa de perpetuar o império romano. Voltando a Índia, lá pelo menos se assume que há esse sistema, muito embora, o budismo nasceu de uma necessidade de questionamento desse sistema (como Jesus questionou o sistema judaico). No Brasil, se acreditamos que não há sistemas de castas, não há pessoas que são beneficiadas mais do que, as outras e entramos em minha outra questão.

Se olharmos os outros países, a questão da deficiência é muito mais sossegada (nem tanto, mas, não é igual aqui). As ruas são mais acessíveis na maioria da Europa e nos EUA, tem transporte adaptável, tem como as pessoas com deficiência se locomoverem. As regras são obedecidas porque as pessoas são punidas severamente, e não é só na questão da vaga de estacionamento, é em tudo. Tem mais educação e teve um maior trabalho de inclusão e reabilitação. Então, as pessoas podem trabalhar, podem andar na rua (as cadeiras motorizadas são subsidiadas pelo governo e não dadas), podem ter uma vida comum. A ajuda do governo vem separado, quando há um sistema previdenciário. Portanto, não é questão da Previdência e nem um (beneficio) e sim, ajudar para essas pessoas tenham as mesmas oportunidades que as outras pessoas.

Vivemos num país que as pessoas não são educadas para serem éticas e sim, verem somente o “seu”, só que estamos numa sociedade e gostando ou não, temos que seguir algumas regras de convívio. Isso faz parte do que Aristóteles chamava de etiqueta. Etiqueta não é coisa só da elite e muito menos, coisa de saber onde fica os talheres, onde fica o vinho, mas, como respeitar o outro dentro de uma sociedade. Você respeitar uma autoridade é cautela, você respeitar mulheres gravidas, cadeirantes, entre outras pessoas, é ético. Isso é etiqueta. Quando você consegue fazer uma palestra e custa R$ 15 mil reais, sabendo que existe pessoas que recebem da Previdência, um salário mínimo, você não iria abrir mão? Será que essa cadeirante, não consegue dar essas palestras por estar direto na mídia? Sim, porque há cadeirante que faz stand-up e não ganha nem a metade.

É só uma reflexão mesmo.


 Homem morre no Uber (aqui)
Presidente do PT reverencia Maduro (aqui) 
Faustão fala mal de Bolsonaro (aqui) 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Faustão acertou em sua crítica e não foi para Bolsonaro – Brasil tirado a limpo




Amauri Nolasco Sanches Junior

Eu assisto o Faustão a muito tempo e sei que ele faz críticas genéricas de todos os governos. Durante os 30 anos de Rede Globo, Fausto Silva, foi o único apresentador com uma certa liberdade de fazer críticas de tudo, desde a produção até o governo que está lá. Para mim não há nenhuma surpresa que ele faça esse tipo de crítica e isso fica bem claro, como o Faustão é isento em seus comentários. Faz muito tempo que não vejo televisão, porque se eu tenho serias críticas a esses canais (leia-se: TODOS), eu tenho que ser coerente com aquilo que eu critico e não vejo aquilo que eu critico. Então, não sei em que formato está o programa Domingão do Faustão, porém, eu vejo o Faustão desde 1989.

A questão é que temos uma população que não tem uma escola boa, onde ensine a interpretar textos, interpretar falas que, muitas vezes, nem tem nada daquilo que as pessoas interpretam. Isso, também, tem muito a ver com a questão dos valores do respeito ao outro, daquilo que você não gosta e daquilo que você gosta. Não acho que o brasileiro de um modo geral, seja um povo conservador nos costumes, porque, muitas vezes, trai a confiança, não tem fidelidade nenhuma com a ética e escondido, nem mesmo com a moral. Isso se chama, hipocrisia. Não acredito que um povo que viveu numa cultura corrupta (até mesmo na religiosidade, deturpando as falas de Jesus), queiram continuar nessa cultura hipócrita em que nos encontramos. Quem não respeita as vagas das pessoas com deficiência? Quem não sabe andar num shopping center? Eu fui atropelado – lembrando que eu estava numa cadeira de rodas motorizada – em um shopping center numa tarde de domingo que eu tinha o direito de estar lá. E ainda, vai e doa dinheiro para o Teleton, que nada tem a ver com a inclusão. Mas, isso vai muito além disso, a crítica do Faustão é uma crítica geral da nossa cultura. O Faustão disse:

“Na hora do Carnaval, na hora da seleção, o brasileiro, e nós sabemos muito bem, é um povo que tem união, tem solidariedade, tem uma integração. Por que isso não acontece nas coisas sérias? Lutar por educação, saúde pública, contra a corrupção, contra a incompetência, que é uma forma de corrupção. O imbecil que está lá – e não devia estar – pode até ser honesto, mas é um idiota que está lá e está ferrando todo mundo. Você paga imposto e o que você recebe? Vamos ver se esses novos ares vão mudar”.

O Faustão faz referência ao povo na primeira parte, que quando há carnaval, jogos de seleção brasileira e “porcarias” afins, as pessoas se unem para torcer ou ficar na “putaria” (não faço media mesmo). O brasileiro tem um espirito de rebanho por natureza – Nietzsche iria dizer bem isso mesmo – pois, quer agradar todo mundo para ser aceito dentro da sociedade. Veja as redes sociais. Eu não acredito, que todas essas pessoas estudam política, leem algum livro sobre política ou escrevem sobre política. No mesmo modo, vão a igreja ou seguem alguma religião só porque a maioria vai ou segue, nada é tão volátil do que o gosto musical do brasileiro. Nos países que tem mais estudos e tem valores mais sólidos, o gosto musical é o mesmo, as músicas são afirmativas (nada de voltar ao passado), as músicas são alegres e inteligentes. O que temos no carnaval além de copulação e coisas sem cultura nenhuma? O que temos em igrejas pentecostais e neopentecostais, do que a procura aos bens materiais e nenhum viés espiritual? A integração do nosso povo sempre houve no viés de sempre conseguir algo em troca, alguma vantagem.

Daí o Faustão pergunta: Por que isso não acontece quando é coisas serias? A seriedade do povo brasileiro acaba quando a sexta-feira chega, que o sujeito enche a cara de bebida, enche a cara de balada, vai no puteiro e depois fica gritando que quer moralidade no governo. Como disse, eu sou uma pessoa coerente daquilo que eu tenho de valores, não nego por causa dos outros e nem valorizo demais pelo mesmo motivo. Voltando ao Faustão, ele continua dizendo, que não há o mesmo empenho de união – do mesmo modo na putaria e na espiritualidade fest-food (que você passa duas horas em uma igreja e acha que está bom) – quando é para lutar para ter educação, para ter saúde e coisas afins o povo não se une. Faustão erra em colocar educação e não escolarização, mas, se você falar numa escolarização há vários pensamentos que, muitas vezes, entra em conflito. Na verdade, um ensino de verdade é isento de ideologias e religiões, para respeitar os valores familiares. Saúde sempre a mesma conversa.

Contra a corrupção aí o debate é bastante extenso, porque tem a ver com a ética. Corrupção tem a ver com corromper e só corrompe valores quando não temos tais valores. Não estou dizendo valores religiosos (mesmo o porquê, vários corruptos presos se dizem cristãos e conheço muito cristão que trai a mulher ou o marido, que seria uma forma de corrupção), estou dizendo valores éticos. Quando você dá caixinha para o lixeiro, presente para motorista, o dinheiro do café para não tomar multa, você está colaborando para corromper um sistema que é feito para todos e não só para você. Você respeitar um ministro do Supremo ou em outras instancias é cautela, você respeitar um cadeirante em sua vaga inclusiva, na preferencial ou no seu simples direito de ir e vir é ético. Ética não é não fazer, e sim, respeitar o outro como um ser humano e isso que o Faustão está dizendo. Quando você não é cometente naquilo que você faz, sendo um serviço essencial, você de alguma maneira está sendo corrupto.

Por fim a história do imbecil. O Faustão sempre chamou os presidentes e políticos de imbecis ou outras coisas. Isso não poderia e não deveria ser nenhuma novidade. Segundo o Google, primeiro, que o imbecil seria aqueles indivíduos que tem uma inteligência curta, tolo, idiota, aqueles que tem muito pouco juízo. Segundo, é aquele sujeito sem forças ou um fraco. Sempre um imbecil não pode estar numa chefia ou num cargo maior, por não ter forças para manter a questão governamental. Ou seja, é um idiota que só está lá (mesmo honesto), para atrapalhar o sistema de gestão social e gerar mais burocracias para prejudicar o básico da população. Portanto, sem tocar em nenhum mérito de nenhum político, a questão vai além do novo presidente e vai além das questões gerais. É uma crítica genérica que vai muito além de especificações ideológicas ou religiosas, é uma crítica pontual e deve sim, ser feitas, deve sim ser expostas.

Democracia é isso, temos o ponto e o contraponto.




terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Fogos, praia e Instagram – a derrocada da cultura brasileira






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Amauri Nolasco Sanches Junior

Nossa nação não sabe escrever e não sabe ler. Quando li uma postagem, que uma moça diz que o coletivo de lobo é cardume, eu tive a certeza que não temos escola. Escola vem na Grécia antiga, SKOLE que teve uma evolução até o termo em latim SCHOLA. Em ambas as línguas – tanto o grego quanto o latim – temos o significado, “discussão ou conferencia”, mas também significavam “folga ou ócio”. Na essência, a escola deveria ser uma discussão ou conferencia, num estado de ócio ou folga. O modelo da escola hoje, o professor na frente e fileiras de alunos, vendo o professor passar matérias de séculos atrás. Há uma discussão de avaliar os erros dos alunos e o professor, no meio da discussão, poderá corrigir esses erros? Será que o modelo que temos hoje é um modelo falido? Quando vemos as redes sociais, o analfabetismo funcional ou não.

Eu escrevi um texto <<< FELIZ NATAL METALEIRO - UMA REFLEXÃO >>>, onde eu faço algumas reflexões sobre o Instagram. Interessante, que esse anime mostra exatamente, que as pessoas montam uma vida artificial para mostrar nessas redes sociais. Você vê paredes de tijolos numa foto no Instagram? Venezuelanos mostrando uma vida que não bate no que vimos nos jornais ou em testemunhas de outros venezuelanos, relatando uma realidade miserável. Porque as pessoas idealizam uma realidade que não existe. Se você vai para a Grécia – um país que hoje, se encontra quase falido e salvo por grandes potencias como a Alemanha ou a França – você pode ir e mostra que você foi. Mas, se você não mostra as ruinas, por exemplo, como acreditar que você foi mesmo na Grécia? Não é uma discussão entre liberdade e não liberdade. Todos podem fazer o que quiser, mas, devemos colocar uma visão cética e duvidar nas coisas que nos mostram. Isso tem mais a ver com a má-fé e boa-fé. Eu, particularmente, não dou like para fotos de praia.

Temos uma cultura (condicionamento), que as pessoas “tem que” ir para a praia, as pessoas “tem que” ir numa balada, as pessoas “tem que” sempre sair ou ostentar algo. Acho muito brega. Quer coisa mais brega do que ser escravo dos objetos? Ninguém sabe que eu passei o ano novo em algum lugar, ou que passei o natal em algum lugar fora, porque não postei. Teve o churrasco no apartamento da minha irmã e não postei nenhuma foto, ninguém postou nada, porque não somos escravos da modinha. O declínio de uma cultura é a falta de valores verdadeiros dentro de uma sociedade, algo que o filósofo Nietzsche alertou no século 19. Quando ele diz que “matamos Deus”, ele está falando que matamos tradições de milênios em nome de outros valores que negam a vida. O que ele chama de “espirito de rebanho” é o reflexo de uma cultura de sempre querer estar nas mídias, ouvir ou assistir tudo que a massa ouve ou assiste. A sociedade brasileira perdeu valores. Não estou dizendo valores conservadores, mas, um discernimento do que ouve. Músicas infantis, que mostram homens ou mulheres, sendo traídos, amores arrebentados, mostrando que você não pode ficar nem com quem amamos. O sertanejo virou uma coisa que não é mais sertanejo.

O funk pancadão é uma música machista, idealista (ostenta aquilo que aquela realidade não pode ter), uma música que só há pornografia e nada passa de bom. Que, claro, a esquerda transforma em cultura, mas, não há nenhuma cultura nisso. Ensina ao jovem alterar a bebida da moça para estupra-la, ensina ao jovem fazer de tudo para ganhar muito e ter um carrão, ensina ao jovem  um hedonismo (prazer a todo custo e só prazer), interessa na vida. A verdadeira cultura procura ensinar, no meio de discussões e no ócio, que o importante não é o prazer (hedonismo), mas, a felicidade de ser verdadeiro (eudemonismo), onde há o bem e o bem-estar não só meu, mas, de toda a uma sociedade. Sendo assim, concordo com Platão e Aristóteles – mais Aristóteles – que diz que a ética é uma conduta da pratica. Até mesmo, você seguir uma religião e fazer coisas que não combinam com aquela religião, não faz o menor sentido. Fora, que com muita “cara-de-pau”, diz ensinar as meninas a ser imponderadas, porém, rebolam e dizer “dar” para os homens, do jeitinho que eles querem. Isso não é contra o feminismo? Você ficar rebolando de calcinha para machinho se masturbar? Ou acham que o cara está vendo o seu vídeo para quê? Essa é a derrocada da nossa cultura.

Claro, cada um é dono do seu corpo e das suas partes intimas, mas, estão invertendo lutas que não são assim. O emponderamento da mulher não se dá ela gritando os quatro ventos, que no governo do presidente Bolsonaro, “vai dar o seu cu”. Desculpem, mas, tem que ser mostrado isso. Ou fazendo clipes, que o sujeito faz da bunda da cantora de tamborim. Qual a valorização da mulher nisso tudo? Quando essa derrocada começa em nosso país? No final dos anos 80 com a lambada, que meninas vestiam saias curtas – para aparecerem mesmo tudo – que terminou hoje com o funk. Mas, nos anos 90 já existia o funk carioca, ainda, fechado no escopo do morro e os bailes eram em periferias. Talvez, tem a ver com a ilusão que esse tipo de música mostra, a realidade dessas comunidades. Por que mostra esse tipo de realidade? Será, que, exatamente, não ter uma cultura com esses valores? Será que essas músicas, não, também, incentivam a gravidez na adolescência? Você não pode incentivar e querer que as pessoas repitam esse tipo de coisa, você tem que ensinar que aquilo é errado.

O que podemos ver com isso? Que a ética só acontece com o conhecimento e a razão, pois, uma sociedade sem educação sempre será como “animais”. Ou seja, somos presos a nossa própria liberdade, mas essa liberdade, tem que ter o conhecimento sem esse “espirito de rebanho”.



segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

As oligarquias brasileiras e o 156 que não funciona aqui em São Paulo




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Amauri Nolasco Sanches Junior

Platão, filósofo grego da antiguidade, tinha um ciclo bastante interessante. A humanidade começa numa anarquia (que não concordo, logo depois eu falo o porquê), que surge um líder que é o monarca e essa monarquia se desvirtua e começa a ser despótica. Dentro desse exemplo platônico podemos dar o exemplo de Solón, grande tirano grego na antiguidade, que fez grande reformas em Atenas em nome do povo. Assim como os fazendeiros romanos, em nome da grande população, fez a rebelião contra a dominação etrusca. Com o tempo, Roma se desvirtuou do seu propósito e começou a querer cada vez mais o poder. Assim como a democracia ateniense que desvirtuou em nome da vaidade (que Sócrates desmascarou e foi morto por uma taça de cicuta).

O povo brasileiro não tem soberania e não sabe disso, acha que só porque vota, tem alguma parcela de participação. Na verdade, a oligarquias dentro da republica vai muito além, do que a esquerda e a direita. Mas antes de explicar as oligarquias dentro do Brasil, eu vou demostrar que Platão estava errado no caso da anarquia. Anarquia quer dizer “sem governo” e nunca foi testada, é uma utopia (no qual, acho essa ideia interessante). Platão não tinha elementos para saber, que hoje sabemos por hipótese antropológica, que o ser humano sempre teve um líder por ser um animal social. Claro, podemos entrar na epistemologia e dizer que o ser humano é um ser racional e junto do ser racional, está a consciência e a percepção da realidade. Porém, temos essa consciência graças ao aprendizado da educação e essa educação, dará ao ser humano o conhecimento. Os seres humanos primitivos, não tinham consciência de sua autonomia de ir e vir como quisermos dentro do ambiente onde vive. Porque os seres humanos primitivos, não tinham o conhecimento que temos agora. Mesmo assim, países como o nosso, com altos índices de analfabetismo de conhecimento e funcional, são bem estratosféricos, adoram o ESTADO.

Nunca, dentro da humanidade, tivemos uma anarquia. A anarquia pressupõe bagunça, mas, não é nada disso. A anarquia pressupõe uma autoconsciência dentro da própria capacidade, do ser humano cuidar e si mesmo, sendo assim, se pode conviver sem amarras morais ou jurídicas, porque não haveria competição entre seres humanos. O egoísmo humano. Então, seja num governo liberal, num governo monárquico, num governo de qualquer coisa, são formas primitivas de paternalismo e essa procura de um pai eterno, um ser que possa nos carregar por toda vida, nos fez acreditar em governos. Talvez, os agrupamentos dos humanos devem ter criado o ESTADO para melhor administrar todas as pessoas e garantir uma melhor harmonia comunitária. Há explicações cientificas e explicações espirituais que muitas pessoas, devem achar besteira. Mas, acredito que com a vinda de seres humanos mais agressivos, o ESTADO deve ter desvirtuado do seu propósito inicial. Ai sim, entrando no ciclo de Platão, onde a intenção inicial é sempre desvirtuada.

Agora podemos entrar no escopo do Brasil e da soberania que o povo não tem. Porque a oligarquia é muito forte desde a programação da Republica (quem tem cérebro sabe e já entendeu isso), que havia interesses dos escravocratas (ganhavam dinheiro com escravos), a intenção de industrialização do Brasil (que não aconteceu). Por que não teve nenhuma industrialização? Porque se colocaram empresas e não se criaram empresas. Houve uma oligarquia criada para industrias de fora fossem vir para cá. Não se trata de ser de direita ou de esquerda, são coisas que somos levados a pensar graças a fatos. Sempre tivemos dificuldade de empreender, mas, as empresas quem vem de fora sempre tiveram facilidades. Por que? Por que industrias internacionais tem abate nos impostos? Por causa das oligarquias que vendem nosso país dês da programação da republica e a cem anos, temos governos populistas.

Populismo de direita e populismo da esquerda. Mas, investigamos a origem de oligarquia e aristocracia. Oligarquia vem do grego “oligarkhia” que significa “governo de poucos”, enquanto a aristocracia, que quer dizer “o governo dos melhores”. Claro, que algumas pessoas vão dizer que os dois termos são sinônimos, mas, contemporaneamente, pode até ser, mas, na antiguidade, não. O governo do tirano Sólon, lá em Atenas, era uma oligarquia de aristocratas que colocaram Atenas em ordem para o bem popular. No mesmo modo, o governo primitivo romano (que chamaram de res publica), eram de aristocratas que faziam uma oligarquia. Até mesmo, se fomos bastante radicais, os governos revolucionários foram oligarquias intelectuais que dominaram as ações políticas. Na verdade, todos os governos são aristocratas, pessoas que estudam para administrar o país melhor. Por que a aristocracia foi demonizada dentro da política brasileira? Porque se associou a riqueza, mas, ser o “melhor” não quer dizer ser o mais rico – principalmente, nossa elite rastaquera como a nossa – porque existem ricos que não gostam de cultura, não leem (só Olavo de Carvalho para dizer que está atualizado), apenas rosnam aquilo que não sabem.

Por que eu escrevi tudo isso? Para explicar o porquê, quando reclamamos, o poder público não faz absolutamente, nada. A questão vai muito além das questões de aristocracia, porque se trata de oligarquias que se encontram, ainda, aqui no Brasil. Vamos pegar os serviços da prefeitura desde um simples número 156, daqui de São Paulo, até uma fiscalização de vagas para pessoas com deficiência e idosos. Existem grupos de interesse nos três poderes que transcendem essa coisa de direita e esquerda, porque quando há interesses, não há uma boa ética. Aí resgatamos Aristóteles e sua ideia de ética (bastante interessante). Quando estamos convivendo e vivendo com os demais, sempre achamos um motivo para procurar a felicidade e dividir a felicidade com o outro. Porque, se procuramos só a nossa felicidade, entramos num egoísmo narcisista, no qual, pensando só no nosso bem-estar. Mas, a ética por sua natureza racional e natureza social de informação e conhecimento, vai ampliando cada vez mais a discussão em torno de uma harmonia social. É ético sempre olhar o outro através de um olhar se fosse você. Se você fosse pobre? Se você quisesse fazer uma ligação para o 156 e não conseguisse? Se você fosse um idoso ou uma pessoa com deficiência que quisesse parar naquela vaga? As vagas não são privilégios, são vagas para exatamente, não tumultuarem o estacionamento ou mais perto da entrada. Isso requer empatia.

As pessoas deveriam ser civilizadas, mas não são, porque não foram educadas. A ética pressupõe que você viva bem e queira as outras pessoas felizes. Mas o que acontece em países que há um déficit muito grande de escolaridade? Tendem a haver mais conflitos e fanatismo. Civilidade pressupõe conhecimento e o conhecimento lhe dará a ética. Ética veio do grego antigo ou helênico, ETHOS e a tradução moderna seria caráter, porém, o grande estudioso da cultura grega antiga, Werner Jaeger (1888 – 1960), diz que é muito mais do que pensamos hoje. Pois, a ideia de ETHOS para o grego era a sociedade de sua cidade-estado e esse estado de espirito, era a união como um todo. Quando não temos o caráter civilizatório, tendemos ao egoísmo e ao fanatismo ideológico ou religioso. Por que será que há tantas guerras civis no território africano? Por que há tantos conflitos religiosos no oriente médio? Por causa do auto grau de analfabetismo que distorcem e não dão a verdadeira informação para as pessoas, que aquele governo quer, na verdade, dominar todos ou pela fé, ou pela fome. No Brasil não é diferente. Só que a questão do Brasil é curiosa, existem dois analfabetos, os da escrita e os funcionais. Os da escrita são aqueles que não tiveram oportunidade de estudar em uma escola para trabalhar e ajudar no sustento da casa, os funcionais, são aqueles que lê e não entendem nada.

Os emergentes (aqueles que tiveram a sorte de empreender e ficar rico), são, em sua maioria, funcionais. São pessoas que distorcem o que sabem da vida com seus conceitos, que muitas vezes, são preconceitos. Daí se esquecem que empresas tem sim, um papel social muito grande. Sem empresas, no mundo de hoje, não há sustento. Aí entra a civilidade e a ética, e porque não, a etiqueta. Nossos emergentes ainda não entenderam, ou por ignorância ou por má-fé mesmo, que etiqueta seria além de saber onde colocar os talheres ou não arrotar na mesa, e sim, ter uma ética social. Vamos a um exemplo bastante simples. A Lei de Cotas para pessoas com deficiência física que manda as empresas com mais de 100 funcionários terá que contratar 1% de pessoas com deficiência, 200 funcionários terão que contratar 2%, 300 funcionários e mais de 1000 funcionários, terá que contratar 5% de pessoas com alguma deficiência. Ora, como disse em um outro texto, as leis como essa (que os norte-americanos liberais, também fizeram), são leis que reeducam a sociedade a não discriminarem uma parcela da sociedade. Ético não é só não fraudar o imposto, não dar propina para político corrupto, ética é ter o seu bem-estar, e também, a felicidade do outro.

Se temos empresários que para fugir da lei, ficam dizendo que não existe pessoas com deficiência qualificadas, logicamente, se deve mostrar que existe essas pessoas. Ora, como acontece no serviço do número 156, não há uma eficiência dentro do poder público por causa da ética e da etiqueta. Você liga para a SPTrans, tem sempre um funcionário que não sabe o que está acontecendo, não atende como deveria e ainda, você não consegue falar com quem deve falar. Só esclarecendo, o serviço 156 é uma iniciativa da prefeitura do governo João Doria Jr (PSDB) que unificou tudo em um número só. Acontece, que muitas coisas dentro da SPTrans, acontecem a revelia do Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo, como 3 faltas no ATENDE acarreta o desligamento automático. Não parece de interesses de oligarquias de empresas que o serviço diminua?

Aristóteles falando de ética disse: “A humanidade em massa se assemelha totalmente aos escravos, preferindo uma vida comparável à dos animais”. São os religiosos e os ideológicos, que se escravizam diante de tantas coisas.