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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Faustão acertou em sua crítica e não foi para Bolsonaro – Brasil tirado a limpo




Amauri Nolasco Sanches Junior

Eu assisto o Faustão a muito tempo e sei que ele faz críticas genéricas de todos os governos. Durante os 30 anos de Rede Globo, Fausto Silva, foi o único apresentador com uma certa liberdade de fazer críticas de tudo, desde a produção até o governo que está lá. Para mim não há nenhuma surpresa que ele faça esse tipo de crítica e isso fica bem claro, como o Faustão é isento em seus comentários. Faz muito tempo que não vejo televisão, porque se eu tenho serias críticas a esses canais (leia-se: TODOS), eu tenho que ser coerente com aquilo que eu critico e não vejo aquilo que eu critico. Então, não sei em que formato está o programa Domingão do Faustão, porém, eu vejo o Faustão desde 1989.

A questão é que temos uma população que não tem uma escola boa, onde ensine a interpretar textos, interpretar falas que, muitas vezes, nem tem nada daquilo que as pessoas interpretam. Isso, também, tem muito a ver com a questão dos valores do respeito ao outro, daquilo que você não gosta e daquilo que você gosta. Não acho que o brasileiro de um modo geral, seja um povo conservador nos costumes, porque, muitas vezes, trai a confiança, não tem fidelidade nenhuma com a ética e escondido, nem mesmo com a moral. Isso se chama, hipocrisia. Não acredito que um povo que viveu numa cultura corrupta (até mesmo na religiosidade, deturpando as falas de Jesus), queiram continuar nessa cultura hipócrita em que nos encontramos. Quem não respeita as vagas das pessoas com deficiência? Quem não sabe andar num shopping center? Eu fui atropelado – lembrando que eu estava numa cadeira de rodas motorizada – em um shopping center numa tarde de domingo que eu tinha o direito de estar lá. E ainda, vai e doa dinheiro para o Teleton, que nada tem a ver com a inclusão. Mas, isso vai muito além disso, a crítica do Faustão é uma crítica geral da nossa cultura. O Faustão disse:

“Na hora do Carnaval, na hora da seleção, o brasileiro, e nós sabemos muito bem, é um povo que tem união, tem solidariedade, tem uma integração. Por que isso não acontece nas coisas sérias? Lutar por educação, saúde pública, contra a corrupção, contra a incompetência, que é uma forma de corrupção. O imbecil que está lá – e não devia estar – pode até ser honesto, mas é um idiota que está lá e está ferrando todo mundo. Você paga imposto e o que você recebe? Vamos ver se esses novos ares vão mudar”.

O Faustão faz referência ao povo na primeira parte, que quando há carnaval, jogos de seleção brasileira e “porcarias” afins, as pessoas se unem para torcer ou ficar na “putaria” (não faço media mesmo). O brasileiro tem um espirito de rebanho por natureza – Nietzsche iria dizer bem isso mesmo – pois, quer agradar todo mundo para ser aceito dentro da sociedade. Veja as redes sociais. Eu não acredito, que todas essas pessoas estudam política, leem algum livro sobre política ou escrevem sobre política. No mesmo modo, vão a igreja ou seguem alguma religião só porque a maioria vai ou segue, nada é tão volátil do que o gosto musical do brasileiro. Nos países que tem mais estudos e tem valores mais sólidos, o gosto musical é o mesmo, as músicas são afirmativas (nada de voltar ao passado), as músicas são alegres e inteligentes. O que temos no carnaval além de copulação e coisas sem cultura nenhuma? O que temos em igrejas pentecostais e neopentecostais, do que a procura aos bens materiais e nenhum viés espiritual? A integração do nosso povo sempre houve no viés de sempre conseguir algo em troca, alguma vantagem.

Daí o Faustão pergunta: Por que isso não acontece quando é coisas serias? A seriedade do povo brasileiro acaba quando a sexta-feira chega, que o sujeito enche a cara de bebida, enche a cara de balada, vai no puteiro e depois fica gritando que quer moralidade no governo. Como disse, eu sou uma pessoa coerente daquilo que eu tenho de valores, não nego por causa dos outros e nem valorizo demais pelo mesmo motivo. Voltando ao Faustão, ele continua dizendo, que não há o mesmo empenho de união – do mesmo modo na putaria e na espiritualidade fest-food (que você passa duas horas em uma igreja e acha que está bom) – quando é para lutar para ter educação, para ter saúde e coisas afins o povo não se une. Faustão erra em colocar educação e não escolarização, mas, se você falar numa escolarização há vários pensamentos que, muitas vezes, entra em conflito. Na verdade, um ensino de verdade é isento de ideologias e religiões, para respeitar os valores familiares. Saúde sempre a mesma conversa.

Contra a corrupção aí o debate é bastante extenso, porque tem a ver com a ética. Corrupção tem a ver com corromper e só corrompe valores quando não temos tais valores. Não estou dizendo valores religiosos (mesmo o porquê, vários corruptos presos se dizem cristãos e conheço muito cristão que trai a mulher ou o marido, que seria uma forma de corrupção), estou dizendo valores éticos. Quando você dá caixinha para o lixeiro, presente para motorista, o dinheiro do café para não tomar multa, você está colaborando para corromper um sistema que é feito para todos e não só para você. Você respeitar um ministro do Supremo ou em outras instancias é cautela, você respeitar um cadeirante em sua vaga inclusiva, na preferencial ou no seu simples direito de ir e vir é ético. Ética não é não fazer, e sim, respeitar o outro como um ser humano e isso que o Faustão está dizendo. Quando você não é cometente naquilo que você faz, sendo um serviço essencial, você de alguma maneira está sendo corrupto.

Por fim a história do imbecil. O Faustão sempre chamou os presidentes e políticos de imbecis ou outras coisas. Isso não poderia e não deveria ser nenhuma novidade. Segundo o Google, primeiro, que o imbecil seria aqueles indivíduos que tem uma inteligência curta, tolo, idiota, aqueles que tem muito pouco juízo. Segundo, é aquele sujeito sem forças ou um fraco. Sempre um imbecil não pode estar numa chefia ou num cargo maior, por não ter forças para manter a questão governamental. Ou seja, é um idiota que só está lá (mesmo honesto), para atrapalhar o sistema de gestão social e gerar mais burocracias para prejudicar o básico da população. Portanto, sem tocar em nenhum mérito de nenhum político, a questão vai além do novo presidente e vai além das questões gerais. É uma crítica genérica que vai muito além de especificações ideológicas ou religiosas, é uma crítica pontual e deve sim, ser feitas, deve sim ser expostas.

Democracia é isso, temos o ponto e o contraponto.




quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Como ser pessoa com deficiência no Brasil





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Amauri Nolasco Sanches Junior

Quem tem o BPC (Benefício de Prestação Continuada) do governo tem que ir no CRAS (Centro Regional de Assistência Social) mais próximo da sua residência e ainda, tem que agendar. Muito bem. Nossas deficiências vão melhorar de um ano para o outro, nossas deficiências não vão mais existir daqui dois anos, para receber esse benefício. Claro, que existem pessoas que recebem depois que o parente com deficiência morre ou dão sumiço em alguma clínica de repouso. Mas, isso é obrigação do governo. Como, também, o governo ter o mínimo de decência, de fiscalizar a Lei de Cotas que não está sendo cumprida devidamente. Por que eu tenho que provar a minha deficiência? Por que eu tenho que mandar junto com meu currículo algo tão visível? Por que não veio junto com a carta, onde temos que ir para fazer o cadastro? O governo não quer ter trabalho nenhum.

Acontece, nós, pessoas com deficiência, nunca somos lembrados quando há discussões políticas. Isso porque, a deficiência sempre foi lembrada como uma disfunção corporal que a pessoa não pode ser um cidadão por ser limitada. Mas, será que essa pessoa é limitada em suas faculdades mentais? O que seria do mundo, por exemplo, se não fosse um Stephen Hawking? Não para ser um “exemplo de superação”, mas, para mostrar que nem sempre há uma ligação entre o corpo limitado e a consciência que pode sim, saber o que se pensa. Uma rampa é útil para carrinhos de bebe, gestantes e até para idosos, que por causa da limitação da idade, pode cair em um degrau mais auto. Temos uma cultura, lamentável, de construir sempre degraus. Cadê a arquitetura universal que o curso de engenharia já ensina nas universidades? Cadê o treinamento do funcionalismo público para falar com uma pessoa com deficiência, que por ventura, quer alguma informação? Nenhum treinamento é feito com qualidade. Existem motoristas das vans do ATENDE (Atendimento Especial de Vans adaptadas da cidade de São Paulo), de taxi adaptado, de um monte de serviço, que não tem nem treinamento e nem os veículos são adequados conforme a cadeira de rodas. Existem cadeiras de rodas – pelo novo formato do ATENDE – que não vão caber dentro de uma van dessas, porque a ABNT está desatualizada conforme a adaptação. Fora que serviços como UBER ou outros aplicativos, não obedecem às normas de acessibilidade e adaptação em seus veículos. Portanto, a discussão tem que sair fora da caixinha.

O que dizer dos ônibus? Os ônibus é um problema social que tem a ver com o capitalismo das empresas e o governo que contrata a porcaria do serviço. Acho eu, que quando você abre uma empresa, no mínimo, você tem que ter caráter e vergonha na cara. Se você não quer investir, amigão, você está no ramo errado. Quando você abre uma empresa, você não está numa ilha e nem é um favor que você está fazendo. Uma empresa vende um produto ou um serviço – isso é básico no marketing – e para vender esse produto e serviço, tem que existir um público. Acontece, quando se trata de transporte público, a questão fica cada vez mais complicado. Porque o trabalhador comum paga todo dia (tecnicamente, paga duas vezes) e outras minorias, tem todo o direito de não pagar. Será que não pagamos? Vamos ver. quando você paga uma bala na venda, você paga ou não imposto? Quando você vai no shopping e vai numa sorveteria, você paga ou não paga importo do sorvete? Não vamos tão longe: 39% de um simples livro, vai de imposto, como você pode conferir em qualquer notinha fiscal. Portanto, eu, você, e todos nossos parentes e amigos, pagam o transporte e a adaptações e ainda, pagamos as cadeiras de rodas e outros aparelhos, que o SUS fornece.

Cadeiras de rodas...é o problema mor de todo cadeirante. Sem elas a pessoas com deficiência física cadeirantes, podem andar? Não. Primeiro, que a qualidade de uma cadeira de rodas manual e motorizada brasileiras (fora outros aparelhos), é um lixo total, por causa do mesmo problema de qualquer empresa brasileira, não quer investir e só quer lucrar. Além disso, tem o enorme problema de serem caras e ter a manutenção cara. Uma cadeira motorizada Freedom, que o SUS fornece, só um pneu dela, custa 200 reais. Será que a primeira manutenção, não poderia ser paga pelo próprio SUS? Os pneus de câmera, desgastam demais. Porém, os postos de saúde (chamados de UBSs) não sabem desse direito. Existem muitas pessoas que relatam que seria injusto os postos forneceram esse tipo de equipamento para quem pediu, mas, os outros não terem o mesmo equipamento. Todos devem ter. E, por outro lado, quem não corre atrás nunca vai ter mesmo. Ficam na internet batendo papo e vendo bunda de mulher e de homem – conforme o gosto da pessoa – e os outros ficam dizendo que não pode, porque é injusto. Não se trata de sorte UBS Jardim Elba, é um direito, tá ok?

Se recebemos um salário mínimo (que muita gente acha que vai quebrar a previdência), se não temos uma acessibilidade vagabunda (uma ABNT porqueira), se temos que provar que somos pessoas com deficiência com laudos médicos, se pagamos impostos (junto com amigos e parentes) e temos um transporte vagabundo, como é ser pessoa com deficiência nesse país? Não é para amadores. Acho que seria mais interessante temos a oportunidade de trabalharmos e ganharmos melhor para até, ter um equipamento melhor. Acho interessante estudarmos e sempre querer ir atrás. Poder casar. Poder fazer o que todos fazem. Mas, vivemos num país que as pessoas (funcionários públicos, principalmente), quando vão te atender nem fala com você. Que quando vai perguntar, sempre pergunta para seu acompanhante. Resta saber, que essas atitudes capacitistas, vão parar. Será?




quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Você não sabia que Freddie Mercury era gay? Faça o ENEM



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Amauri Nolasco Sanches Junior

Existia um filósofo chamado Rene Descartes (1596-1650), que começou a duvidar de tudo que o ser humano produziu dentro de uma cultura e dentro de todo o pensamento. No fundo, as coisas humanas são falhas e podem, muito bem, errar. Mas, será que aquela moral é certa? Será que ser contra algo, devo apoiar a outra? Ser de uma religião, não quer dizer aceitar cegamente, ao longo da vida. Descartes disse no Discurso ao Método, que a consciência é construída como um prédio, que comece nas bases. Porém, qual é a base de consciência? A educação. O termo educação vem de educar e a origem desta, vem do termo “educare” que é um derivado de “ex”, tem o significado “fora” ou “exterior” e “ducere”, que significa, de “guiar”, “conduzir” e “instruir”. Em latim, o significado é, literalmente, “guiar para fora”. Se educar é instruir, podemos pensar, isso quer dizer a moral. A moral pode ser indagada? Sim.

 Quando Descartes disse “Penso logo existo” (cogito ergo sun), quis dizer que a única certeza que temos é a nossa existência, pois, todo o resto pode ser uma ilusão que um “gênio do mal” pode induzir. Mas, vou pular para o século XIX, com Nietzsche (1844-1900) que criticou a moral. Para o filósofo alemão, a moral é um ressentimento dos fracos para barrar os fortes e os fortes na mostrarem que são fortes. Só observar quando a moral é usada para atacar uma parcela de cidadãos só porque, é contra uma ideologia ou uma posição política. Os fortes não precisam vaiar algo, eles são fortes para aceitar a vida como ela é, sem idealizações ou sem nenhuma moral, que tranca qualquer possibilidade de viver por viver.

Quem gosta de rock – tem muito picareta que cai de paraquedas – gosta e já ouviu a banda Queen e o seu vocalista, Freddie Mercury, que era gay. Não adianta achar que não era, ele era e isso não vai mudar. Então, por que você vai ao cinema – pagando R$ 24,00 – e fica vaiando, quando mostra quando ele se relaciona com outros homens? Essa vaia vai mudar a realidade que o filme mostra? Não. As realidades não mudam só porque você quer, porque você acha que o mundo tem que ser como você quer, como você idealizou, é uma ilusão. Nietzsche diria que o mundo é o que é e não vai mudar. Só resta uma questão: se você é contra, por que assistir ao filme? Ser contra um lado ideológico é ser contra uma realidade que não vai mudar? Claro que não. As realidades não vão mudar. A realidade mostrada no filme – eu não vi ainda – não vai mudar. A questão aqui no Brasil, é não aceitar que o mundo está mudando e é melhor aceitar, senão, vai doer e muito. Ser conservador, não é sinônimo de não querer mudança, mas, querer que as mudanças sejam melhor examinadas e melhor implantadas para serem a harmonia social. Simples. Ter moral não é ser moralista.

Descartes diria que essa coisa de ficar contra gays deveria ser duvidada, porque é um valor anti-humano e antipatia com pessoas que não tem a mesma orientação sexual do que você. Por que devemos ser contra? O que eles prejudicam nossas vidas? Esse é a síntese do liberalismo, respeitar todas as pessoas sejam o que for que pensem, que escutem, que façam e é um direito humano. É um direto ser o que você é e ninguém pode desrespeitar nada. E por que essas coisas são ensinadas ainda no Brasil? Qual o interesse das religiões em alimentar o preconceito, uma moral que não cabe mais nesse mundo que está mudando? Ser cristão é ser preconceituoso? Eu nunca li nada no evangelho, que Jesus disse ser contra gays ou ser contra qualquer coisa, muito pelo contrário.

domingo, 9 de setembro de 2018

The Undateables e a “paralitica” da UnB





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Amauri Nolasco Sanches Junior

Imaginem pessoas diferentes com suas aparências que não são tão comuns para a sociedade, querendo, como outras pessoas, acharem seus pares para amarem. Porque, se essas pessoas são seres humanos, são como humanos e querem amar e ter uma vida como todo mundo.  Claro, que poderíamos colocar como um estereotipo do amor romântico, de ter o outro para cuidar e ser cuidado, de ter segurança para ter um relacionamento. Mas, logicamente, por serem diferentes, são vistos como pessoas a margem da sociedade. A questão mostrada no seriado documentário, The Undateables (algo como “Os Insuportáveis”), mostra o universo das pessoas com deficiência britânicas que tem uma vida normal, porém, não podem se relacionar por causa das suas deficiências. É claro “abiguinhos”, que ser uma pessoa com deficiência na Grã-Bretanha é muito diferente, em ser uma pessoa com deficiência no Brasil. Meu irmão mora na Irlanda, sempre me mostra pessoas com deficiência circulando normalmente entre os pedestres sem muito atrito (lá a maioria tem motorizada). Então, me impressiona essa diferença brutal, tanto cultural (onde pessoas com deficiência tem um tipo de trabalho, agencias de relacionamento não tem departamento diferenciado, pessoas com deficiência moram sozinhas e etc), quanto numa maneira estrutural (acessibilidade plena), num mundo onde as pessoas não subprotegem pessoas, mas, colocam as pessoas com deficiência como pessoas.

Onde quero chegar? Na série, isso fica bastante marcado, os pais não tentam tirar a ideia de um relacionamento com o outro. Muito pelo contrário, acham que os filhos deveriam sim ter um relacionamento com outras pessoas. Com todas as suas limitações, o físico Stephen Hawking, se casou duas vezes e teve filhos no primeiro casamento. A questão, pelo menos para mim, é olhar a pessoa e não a deficiência, porque a deficiência é uma característica que pode ser superada com a pessoa, com seus pensamentos, com seus relacionamentos, com a maneira de causar impacto e empatia ao outro. Daí começa a questão, porque há ainda, muito forte no nosso país, uma imagem de “coitado” que deveríamos esquecer de vez, mas, ainda é muito forte no nosso país.

Li na semana passada, que uma mocinha com paralisia cerebral, estudando na UnB, estava com dificuldade em deixarem a irmã de 11 anos a ficar no alojamento de estudantes, porque a mãe tinha que ficar com ela. Ora, vamos aos fatos, que me levam a escrever esse texto. Primeiro, o site Metrópoles usou o termo “paralitica” que além de ser errado, ainda transforma as pessoas com deficiência em meros “coitados” que precisam ser sempre amparados. Nós que escrevemos notícias, temos que ter extremo cuidado com as palavras, que podem ser interpretadas e assimiladas de forma bastante, erradas. Segundo, todos tem o direito de ter ou não uma pessoa consigo em qualquer lugar, mas, acho que deveríamos rever esse tipo de pensamento de dependência. Quando eu estava na FCD (Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência), eu fiz minha primeira viagem aos 16 anos de idade, no interior, com os companheiros de movimento. Não tinha muito independência e também, tenho a mesma deficiência que a mocinha, paralisia cerebral. A paralisia cerebral não causa paralisia no cérebro ou algo desse tipo, mas, é uma falta de oxigenação na hora do parto, e alguns casos, podem ocorrer casos uterinos e até, por causa de meningite. Porém, raciocinamos tão bem, como qualquer ser humano.

Acima de qualquer discussão é salientar que devemos sempre acreditar e defender a inclusão. Incluir é deixar a pessoa ter um convívio dentro da sociedade e aprender a fazer adaptações para viver dentro dessa sociedade, pois, temos que adaptarmos cada vez mais a ela e vencer algumas barreiras. Por incrível que pareça, a questão moral e ética são questões bastante difíceis, por causa da nossa cultura. Uma cultura que gosta de “varrer para de baixo do tapete”, uma cultura que ainda sustentam associações assistencialistas, uma cultura que enxerga as pessoas com deficiência como “anjos” assexuados ou pessoas que atrapalham a vida cotidiana da sociedade. Uma sociedade que se diz tolerante, mas, não gosta de ver o diferente e o que acha ser, errado. Mas, o que seria certo ou errado? O que seria aquilo que deve ou não, ser aceito? A questão é quase uma questão subjetiva, porque vele a visão de cada pessoa como pode ver a cultura e a sociedade como um todo. Nosso povo acha que ser cidadão só envolve o nicho de cultura e comunidade que estão acostumados, e não é bem assim, existem outros setores que são tanto quanto brasileiros.

O que me incomoda é que esse tipo de escolha sejam escolhas padrões, assim, universidades não precisam ter acessibilidade para podemos frequentar. Que as pessoas com deficiência, sejam vistos como pessoas que não podem se virar, que não podemos ser felizes longe dos nossos pais, que não podemos ter uma vida. Inclusão não é ter só uma rampinha para a mamãe ou o papai, empurrar sua cadeira como um neném com um carrinho. Na maioria das vezes, quem olha feio para mim quando estou com minha noiva, não é quem está passeando (existem pessoas que acham bonito), mas, pais de pessoas com deficiência que não gostam de ver um casal namorando. Ainda mais, dois cadeirantes com paralisia cerebral. Por que? Não querem que sofram, não querem que se decepcionem, não querem que se frustrem. Mas, eu amadureci, graças a atitude dos meus pais de não me protegerem, de deixarem eu me decepcionar, de me frustrar e até mesmo, sofrer. Ninguém morre por causa do sofrimento, ninguém morre por ficar frustrado, a questão, é a nossa cultura de subproteção.

 O sofrimento não vai fazer as pessoas com deficiência, se transformarem de cristal. Frustrações não vão fazer s pessoas com deficiência, em sofredores eternos e que não podem superar essas frustrações. Somos humanos e temos sentimentos, mas, como todo ser humano, temos a razão e a racionalidade. Com a razão podemos mostrar que podemos superar algumas dificuldades, assim, podemos ser independentes com nossa deficiência. O que vi ali, foi nitidamente, um retrocesso a inclusão de pessoas com deficiência que deram a razão de não adaptação da universidade, ao não convívio aos colegas (como se alguma colega não pudesse ajudar a mocinha), ao de tomar decisões que no futuro, vai ser importante. Mas, como disse, cada um escolhe o que agrada. Só espero que essa escolha não seja padrão.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Nós deficientes precisamos de qualificação e o pessoal falando asneira nos jornais





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leiam primeiro (aqui)


Amauri Nolasco Sanches Junior

Num desabafo, uma amiga disse que há pessoas com deficiência que não a favor da lei de cotas – que obrigam as empresas a contratarem 5% de pessoas com deficiência entre seus funcionários – porque acham que há uma diferenciação de um trabalhador com deficiência e sem a deficiência. Claro, se fomos bem racionais, nós estamos fazendo com que as empresas nos olhem como pessoas incapazes de assegurar e competir num mercado de trabalho, extremamente, competitivo. Só que, tem um outro lado (sempre existe um outro lado), as empresas ainda trabalham com conceitos arcaicos que não cabem mais nos dias atuais, como não se adequarem as pessoas com deficiência, acharem que por serem deficientes, são um “problema”. Porém, existe uma outra coisa, quando você não tem diploma universitário, as empresas ligam mais para você, elas contratam mais, elas se interessam mais. Mas lá, no órgão governamental (onde deveria ter uma fiscalização rígida), as mesmas empresas alegam não haver qualificação dentro da área. Não é uma contradição? Será mesmo que eles querem pessoas com deficiência qualificados ou não querem para pagar menos ao que pagam para pessoas sem nenhuma deficiência?

leiam também: a liberdade de Lula

Respondi a essa amiga que quem é contra, na sua maioria, trabalha numa empresa de um conhecido ou da própria família. Então, para essas pessoas, é algo extremamente fácil porque existe alguém que sempre vai arranjar trabalho para ele e ele não vai ficar sem emprego. O que falta nesse caso, é a empatia de ver que existe outras pessoas com deficiência que tem deficiências severas, que as empresas – dentro de uma lógica arcaica – enxergam com um problema e não como uma pessoa em potencial. Mas, é um segmento (pessoas com deficiência) muito estranho, ao mesmo tempo que escrevem verdades, não querem se comprometer com nada. Eu sou uma pessoa verdadeira, se falo é para valer, se é para só fazer um “desabafo”, prefiro não escrever. Enfim. A questão fica em torno de qualificação num país – oitava economista mundial – que não investe em nada, o ensino escolar e quando tem que cortar, cortam a verba da educação e da pesquisa cientifica. Como fica? Como se vai exigir em qualificação das pessoas com deficiência se não tem nem educação de verdade?

Isso está acima de ideologias políticas. Porque a deficiências estão além das crises, e com as crises, são convites para mudanças. Mas, as pessoas são muito resistentes a mudança e as mudanças, são retardadas por causa disso. Eu te garanto que em toda a história da humanidade, a questão da mudança tem tanta importância, que se não acontecesse, ainda estávamos morando nas cavernas. Acontece, que as pessoas se acostumam daquilo que é mais cômodo. A deficiência, voltando ao assunto, não vai ser revertido e não vamos desaparecer por conta que a sociedade nos trata como um problema secundário. Mesmo o porquê, a previdência que foi criada como um modelo ideal, está ruindo por conta de anos de corrupção. Não vai adiantar todo mundo – dentro do Brasil – querer ter um benefício e esse benefício trará dor de cabeça, não dará o poder aquisitivo nem para comprar uma cadeira de rodas. E uma questão fica no ar: se nós estudamos, nos especializamos, pagamos livros, pagamos cursos, por que temos que ganhar menos que uma pessoa que o pai pagou todo o curso? Não adianta fazer média, a maioria das pessoas que estão nas áreas mais bem pagas do mercado (como publicidade e TI), o pai ou o governo pagou todo o curso, o retorno para as pessoas com deficiência, é zero.


Umas das coisas que temos que parar de argumentar é que queremos uma chance, não queremos só uma chance, foi todo um investimento dentro da nossa capacitação. Dentro da escrita, por exemplo, investi pesado para aprender a nova ortografia, investi em livros para fazer textos melhores, investi numa internet melhor (sim, eu pago internet), então não dá para ter esse papinho de bobo e achar que estamos, eternamente, ajudando a humanidade. Claro, que podemos colaborar com a humanidade. Mas, não vamos ser hipócritas, queremos um salário e uma oportunidade boa. Todo mundo quer, por que nós seriamos diferentes? Por que não podemos ser bem-sucedidos profissionalmente? Percebemos, também, que há uma cobrança muito grande por causa da deficiência. Nomes como Stephen Hawking – morto sesse ano – nos remetem a essa cobrança de sermos exemplos e não reclamarmos.



Mas, se nós temos que ser qualificados, por que será que vejo vários erros em matérias de jornais? Por que temos que ter qualificação, se vejo várias pessoas que nem sabem escrever? Não esquecemos – que já disse nesse texto – que não há uma educação de verdade, ao ponto, de pessoas nem saberem escrever a própria língua. Ora, se há jornalistas que erram na escrita, se existem pessoas que escrevem errado nas redes sociais, então, não há razão de existência. E outra coisa, estão pedindo laudo médico junto com o currículo, que é errado. Por que temos que provar nossa deficiência? Por que temos que ser aquilo que não somos, para agradar setores que não exigem qualificação?

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Para defender Bolsonaro, a direita discriminou a Wikipédia – mimi a vista








Amauri Nolasco Sanches Junior

A um tempo atrás, quando eu fazia o curso de técnico de informática, perguntaram para o meu professor se ele achava a Wikipédia confiável. Afinal, se começou a modinha de ficar desqualificando a enciclopédia coletiva, por causa de fontes duvidosas (coisas da seita Academia que nada tem a ver com Platão). Ele disse que o pessoal reclama demais e por ser aberta, se você acha a fonte duvidosa e que o site não traz segurança da fonte daquilo, pega e corrige. Além de fazer você estudar pesquisando – coisa que dói no povo – ainda, você fara um bem ao ser humano trazendo uma informação verdadeira. Ele não gosta de redes sociais. Ele não gosta de conversas fúteis e sempre trazia um conhecimento além daquilo proposto de um curso, que poderia ser uma bosta por ser público, mostrando vários ângulos de um mesmo assunto. Mas, essa questão é interessante, porque além dele ensinar que não existe crítica sem um aprofundamento daquilo que você crítica – se você crítica a Wikipédia tem que conhecer a Wikipédia – tem a parte ética; pois, se você vê algo de errado, você vai lá e arruma. Sempre faço isso nas traduções erradas, se você acha que a tradução de uma música está errada, corrige. Assim, você estuda e ajuda outras pessoas a terem esse conhecimento.


Eu assisti o programa do Roda Viva e quase chorei. Bancada que passou tantos jornalistas de renome, agora, passam jornalistas que não sabem formular uma pergunta. O problema não é o Bolsonaro na essência, e sim, a oposição. Num país que temos uma escola ruim (com a GRADE errada e não só salário de professor), num país que não investe pesado num ensino de verdade, esse tipo de coisa não me surpreende. Nem venham dizer que é culpa do Paulo Freire, que nem 1% do que ele escreveu em seus livros, foi colocado na escola. Essa crítica, tanto do Paulo Freire, quanto do Wikipédia é uma forma de seguir um líder que faz de você um dependente das ideias alheias. Ninguém leu a Pedagogia do Oprimido, ninguém leu a matéria do Bolsonaro no Wikipédia. São apenas, ressonâncias das críticas do Olavo de Carvalho. Mas, o mais desastroso, que o próprio Olavo confessou, que nunca existiu o comunismo.


Bolsonaro é o retrato de um povo que não teve uma boa educação e emergiu das periferias. As “pichações” do Twitter são reflexos de um povo que não quer ler, não quer estudar a questão, porque não gosta de se sentir responsável pelo problema. Querem alguém que carreguem elas no colo, querem alguém que tragam algo que só é responsabilidade de cada um. Como a Wikipédia, porque se um artigo está errado, de alguma maneira, a culpa é nossa. Eu também poderia arrumar. Nós, juntos, poderíamos arrumar juntos e fazer uma enciclopédia dessente. Mas, o povo não quer fazer nada dessente, quer criticar, quer fazer de uma coisa um inimigo imaginário para botarem a culpa. O Bolsonaro tem sim, um discurso populista, como um dia, o Lula teve seu discurso populista (a Dilma nem discurso tinha).

Não vi diferença nenhuma da direita defendendo o Bolsonaro, e a esquerda defendendo a Manuela D´Ávilla, o mesmo mimi se abateu nas redes sociais. Não é possível que o povo não enxerga argumentos melhores, desenvolvimento de coisas mais consistentes sem se apegar em uma Wikipédia. Sempre defendendo políticos, sempre degradando as redes sociais. Cadê uma análise inteligente? Cadê pessoas que possam refletor sobre uma educação de verdade sem moralismo, sem coisas que não cabem mais no século 21? Não estamos mais numa guerra fria. Não estamos mais na ditadura militar. Não estamos mais nos anos 80. Estamos num outro mundo, acabou o velho mundo. Aceita que dói menos!

segunda-feira, 30 de julho de 2018

De Bolsonaro a Lula – e os zumbis acéfalos engolidores de cérebro








Amauri Nolasco Sanches Junior

Uma das coisas que sempre me irritaram é essa mania de fazer o que todo mundo faz. Nessa mania, que a nossa cultura está impregnada, saem coisas bizarras que não entendo como aparecem. Uma dessas coisas é acharem que um texto de noticia é um Twitter, porque detesto ficar lendo linhas soltas. Num livro, pode ser aceitável, mas, num texto de notícia, parece algo realmente, jogado no site de notícia. Não aceito esse papo que se não fizer assim ninguém lê, porque, de qualquer forma, ninguém vai ler nada além daquilo que está na modinha. O povo do Brasil é o único povo que sabe da notícia pelo nome (deve ter superpoderes de ler telepaticamente), o único povo que sabe que o escritor não sabe escrever sem sequer, abrir um livro do próprio escritor (duvido que algum crítico do Paulo Coelho leu um livro dele). Enfim, um povo que tem sempre a formula mágica para todo mundo, mas, não sabem aplicar nem em si mesmo.

Mais uma vez, o povo bolsonaram o meu Twitter com notícias, realmente, idiotas e sem sentido nenhum. Um tempo atrás foi o Doutor Bumbum (vulgo fazedor de bunda), que matou uma mulher que queria levantar a bunda e parecer artista de televisão (como se mulher artificial fosse mulher), agora, temos em alguns noticiários, um youtuber estuprador que nunca estuprou. Futilidades da mídia. Mas, o porquê dessa futilidade dentro da mídia? A lei da demanda e da procura. Se tem procura de tal produto, terá sim, maior demanda desse produto e eu sei disso por ser publicitário (sim, um publicitário). Além, de saber disso, também sei, que as pessoas têm a mania de lerem o que está na modinha, comprarem o que está na modinha e acharem que sabe só porque está na modinha. Minha noiva é evangélica (que deixou de ir por causa da modinha), que me faz viver no meio e afirmo, o número de evangélicos anda crescendo por causa da modinha. Tenho romance escrito (aqui), tenho livro escrito sobre deficiência (aqui), tenho um livro com a minha noiva (aqui) e só porque não sou conhecido – tem um monte de obra de conhecido que é uma bosta – ninguém nem mesmo, olhou os meus livros. Porque, as pessoas querem ler só porque os outros estão lendo, para ficarem por dentro e não serem rejeitados. Nosso povo odeia serem rejeitados.

Isso é ruim? Num dado momento, sim. Porque você acaba não descobrindo coisas novas, outras coisas que podem ser boas. Eu sempre ouço bandas além das conhecidas, para conhecer aquelas bandas. Sempre leio livros de autores desconhecidos, para conhecer aquele autor e se ele é bom. Se a banda ou o autor é bom, eu indico sim. Acontece que as pessoas querem ficar na sua zona de conforto, sempre gostando daquilo, sempre lendo porcaria, sempre fazendo a mesma coisa. Porque é seguro, porque se o outro faz, eu também, vou fazer. Será mesmo que aquela noticia é importante mesmo? Será que realmente interessa ou leram só porque o outro leu? Eu escrevi uma notícia do discurso memorável da professora Janaína Paschoal (aqui) e ninguém leu, escrevi sobre a censura do Facebook cometeu com o MBL (aqui) e ninguém leu; escrevi sobre a menina com Síndrome de Down que foi discriminada numa escola (aqui) e ninguém leu. As pessoas gostam de ler polêmicas para ficarem por dentro de baixarias, como a pensão só Wesley Safadão, como um gay chamar Jesus de travesti (se Jesus fosse Deus e Deus ama a humanidade, acham mesmo que ele iria ficar bravo com isso?), como coisas, realmente, irrelevantes. Tinham que analisar o que é relevante e o que não é relevante.

Na verdade, ninguém se interessa muito em ler sobre deficiência. No subconsciente, moldado por uma cultura de milhares de anos, é uma coisa horrível que pode acontecer com qualquer um. Preferem ler sobre as merdas que o Safadão faz, ou o estupro do youtuber Zóio, ou uma Copa que já era de esperar, que o Brasil iria perder.  Teve até nudes do Felipe Neto, como se eu quisesse ver o youtuber no ato solitário da sua intimidade. Mas, as pessoas querem ler sobre quem falou mal do seu político de estimação. Ou as pessoas ditas de direta (são apenas eleitores frustrados da esquerda de outra hora), defendem o Bolsonaro, ou as pessoas ditas da esquerda (nem sabem um por cento da teoria que se molda a esquerda), defendem o Lula. Começam a ler, títulos que mostram críticas ao seu político favorito, mas, não é qualquer texto. Escrevi sobre o Bolsonaro (aqui) fugindo da bêbada, porém, ninguém leu. Também, escrevi sobre a tentativa ridícula do PT para livrar o Lula da cadeia (aqui), mas, ninguém leu e nem deram a mínima. Por trás disso, existe uma coisa bastante estranha, todo mundo reclama das grandes mídias e jornais, mas, quando aparecem mídias diferentes, ou chamam de “Fakes News” (noticia falsa), ou não repassam, dando mais visualizações ao que há de mais podre na mídia tradicional.

Podem dizer que se trata de ignorância, mas, não é não, porque sabem muito bem o que repassam. São apenas escravos de um Estadão ou uma Folha (que tem o mesmo dono), mesmo sendo contra, são escravos da Globo, mesmo sendo contra, são escravos de toda a mídia. E no mais, a questão de esquerda e direita, dentro da própria mídia, é bastante clara e objetiva. Ou seja, bem e o mal na pauta eterna da humanidade. A questão é: que não existe bem e não existe o mal, existem opiniões antagônicas que fazem parte da política. A energia para se criar pautas desse porte são as mesmas. Quem conhece a franquia Guerra nas Estrelas (Stars Wars), sabem das falas dos jedis, não existe uma força negra e não existe uma força branca, existe a sua escolha. Eu posso descordar de muitas opiniões de diversos youtubers, mas, posso concordar em outras opiniões. Porque não se trata de uma opinião fechada, conceitos você muda e evolui. Porém, esse é o real problema, as pessoas não querem evoluir. A questão dos jedis veio do budismo zen – isso fica bem evidente, quando o mestre Yoda muda a energia de um raio atirado do lorde sith – onde não existe dois lados e sim, o lado que você escolher trilhar durante a vida. Estamos numa sociedade, na verdade, mimada que não pode ser frustrada. Você tem que votar no Bolsonaro, porque o povo tem certeza que vai mudar o Brasil. Temos que votar no PT (porque o Lula não vai ser candidato, aceita que dói menos), porque deram cem reais por mês, para um povo que falta até dignidade de morar em um lugar melhor.

Eu não vou escutar uma música, porque a maioria ouve; eu não vou votar numa pessoa, porque a maioria vai votar; eu não vou ler uma mídia, porque a maioria vai ler. Eu nem gosto de ver seriado que todo mundo está assistindo, não gosto do mesmo ritmo musical da maioria, não gosto nem, do ídolo que todo mundo gosta. Porque, ates de tudo, eu tenho que me respeitar e respeitar quem eu sou de verdade.

domingo, 29 de julho de 2018

A Toca do coelho chamada Facebook







Imagine você deitado de baixo de uma árvore e de repente, passa um coelho dizendo “estou atrasado”. Você se pergunta: atrasado por que? Você já vai estranhar um coelho dizer isso, e mais, dizer que está atrasado e corre atrás do coelho. Você vê que mundo doido, você se prende em salas, crescendo e diminuindo, conhece criaturas estranhas que não fazem o menor sentido lógico. Você pergunta para uma figura numa árvore (um gato sorridente) se ele poderia dizer qual caminho que você deveria tomar para sair daquele mundo. Ele responde, que dependera de onde você quer ir. Então, você responde que não importa onde você vai. A figura responde, que não importa o caminho que você escolha, porém, muito intrigado com a resposta você diz, contudo, que o caminho dê em algum lugar. E a figura diz, que se você andar o bastante, vai chegar em algum lugar. Mas. Você anda, você quer sair, mas, a rainha te prende e ainda quer sua cabeça.


Carrol, quando escreveu seu maior livro, Alice no país das Maravilhas – pelo que me lembro, ele escreveu como uma história para ensinar matemática – nunca imaginaria, que o mundo virtual pudesse ser possível. Afinal, esse mundo do livro poderia ser confundido, muito bem, com o mundo virtual. Figuras estranhas. Pessoas que não sabem aonde irem e nem o caminho tomar. Fotos que não existem e felicidades que só estão na cabeça de quem tirou a foto. Esse mundo foi, muito bem retratado, no filme Matrix, onde os seres humanos viviam num mundo virtual. Onde estaria a realidade? Onde está o mundo verdadeiro? Será que uma foto em uma piscina com champanhe é a verdadeira felicidade? Será que tudo que lemos nas redes sociais é verdade? Acho que não. Porém, quem pode dizer se há um critério para saber? Como a Alice do livro do Carroll, não temos a menor ideia qual caminho poderemos chegar a uma saída, mas, o gato diz se nós andarmos o bastante, poderemos chegar. Será que é o conhecimento? Será que pesquisando?

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As guerras ideológicas começam com o caminho que não se sabe ir. Assim como, confiar cegamente numa rede social como o Facebook, que, claramente, estará cagando para você e seu direito de falar o que você quiser. Eles são financiados pelo governo e fui milhares de vezes, censurado por eles. Tem um texto meu que escrevi tempos atrás (aqui), que mostram o quanto que não devemos confiar numa rede social, que o seu começo, começou com a raiva de Mark de não conquistar as mulheres. Foi um bulling. Ele esqueceu muito rápido que sua rede social (nem teve a capacidade de fazer o algoritmo primal do Facebook, idealizado e feito, pelo seu amigo), é uma puta fake News de Harvard. Isso mesmo. Era para zoar os alunos e quase zoou o tráfico da universidade, até onde contaram a verdade, não sei, mas, fato que ele tem um monte de dinheiro à custa de trabalho alheiro. Então, uma rede social que começou assim, tem chance de ser confiável?

Para entender o que acontece, temos que entender como funciona. Existe o Bit, que é uma simplificação para o digito binário, “Binary digit” em inglês. É a unidade de informação que pode armazenada ou transmitida, usada, principalmente, na computação e na teoria da informação. Um bit pode assumir somente dois valores: 0 ou 1, corte ou passagem de energia respectivamente. Se falarmos de modo, fisicamente, o valor de um bit, de uma maneira geral, armazenado como uma carga elétrica acima ou abaixo de um nível padrão em um único capacitor dentro de um dispositivo de memória. Porém, bits podem ser representados fisicamente por muitos valores. Mas, por que estou dizendo isso? O conceito do bit é também, importante entender como uma parte da Teoria da Comunicação que entra dentro do mundo virtual. Sem nenhum bit não pode existir comunicação dentro de qualquer computador e, por ventura, existe a programação. O fato que quando há um algoritmo – tudo na nossa vida tem um algoritmo – há uma informação sendo transmitida, e isso, sempre vai gerar um fator entrópico.

Primeiro, temos que entender, que tudo na sua vida contem seguimentos algorítmicos. Eu estou com meu computados ligado, ouvindo música, usando o teclado para escrever esse texto. Liguei o computador, estou usando o computador, coloquei uma música e estou escrevendo um texto para expressar uma opinião. Há uma linha lógica de acontecimentos que se liga, portanto, um algoritmo. Na programação, há uma sequência lógica para instruir o software a fazer o que o usuário deseja, ou seja, se eu estou escrevendo esse texto no MS-Word, alguém programou o software para obedecer ao comando do teclado (hardware). Portanto, no mundo e no universo, as informações podem criar e também, destruir um sistema e isso tem a ver com a entropia. Basicamente, a entropia, é usada muito na física e é a perda de energia. Em qualquer processo de uma transformação de energia em calor, uma certa quantidade dessa energia será, com certeza, desperdiçada e não será utilizada para esse objeto em questão (há teorias dizendo que essas energias não são desperdiçadas e voltam em outras formas).  Um exemplo, é quando esquentamos a água do café ou do chazinho (quem teve vovó sabe), nem todo aquele calor gerado será utilizado para aquecer aquela água, assim, é a entropia do calor.

Quando trazemos isso para a área da comunicação e na linguagem (afinal, não há comunicação sem linguagem), a Teoria da Comunicação pode utilizar a entropia para analisar os ruídos ou até mesmo, as incertezas da informação. Se tivemos a consideração que todas as mensagens seguem a roda emissor> canal de transmissão > receptor, que o emissor, pode por ventura, ser qualquer pessoa que passa essa mensagem, seja falada, escrita, por linguagem corporal ou por qualquer canal de transmissão (as redes sociais podem ser um exemplo), é o meio, como a fala, como uma matéria de jornal, um telefonema; é o receptor que receptor que recebe essa mensagem e a descodifica (com sua percepção), que poderemos, entender de forma da comunicação técnica.

E nesse processo sempre vai acontecer, passivamente, a entropia, de uma perda de energia na comunicação, com algum ruído, seja técnico ou linguístico (não escrever direito, por exemplo, ou um nome que não desperta interesse). Ou seja, o ruído é a interpretação do receptor faz da mensagem recebida, ou até mesmo, quando essa mensagem é enviada. Como disse, um único termo pode estragar toda a comunicação e põe ela a perder. Podemos, também, entender esse ruído e podemos consertar a comunicação perdida. Podemos entender os vários processos da mensagem e prestando bastante atenção em cada uma das etapas, poderemos até nos adaptar a nossa própria linguagem com quem recebeu. Por exemplo, mandamos um SMS para alguém, tendemos a usar textos curtos. A tecnologia do SMS não tem a pretensão de trabalhar com grandes textos, porque enviar uma mensagem longa, iria atrapalhar o meio e iria atrapalhar a compreensão da mensagem que, o receptor, iria não assimilar a informação. Muito embora, eu ache que esse exemplo do SMS – que peguei de um site que pesquisei – não seja muito adequado nos dias de hoje, mesmo o porquê, o princípio do SMS nos deu o WhattSApp. Nesse caso o ruído seria a maneira de escrever (num modo linguística) e não, o meio de onde você envia.

Mas acontece é que temos além de levar em conta a tecnologia usada para as mensagens enviadas e suas possibilidades, e compreender o objetivo da mensagem é fundamental. Podemos usar um exemplo, um e-mail de cunho profissional, que deve ser adequada a linguagem exigida pelas ocasiões. Você pode mandar um e-mail onde você manda um currículo, mas, você não pode mandar com uma linguagem coloquial ou alguma gíria. Dificilmente, um e-mail desse poderia começar dizendo: “E aí, beleza? ”. Esse exemplo é muito obvio, porque mostra que dificilmente dará o resultado esperado. E dessa forma, podemos dizer que há entropia da informação, tenta definir o grau que uma mensagem pode alcançar uma incerteza, assim, criando um ruído, uma redundância e uma imprevisibilidade. A comunicação assertiva está diretamente relacionada a essa teoria. O objetivo das duas é, justamente, identificar e corrigir os ruídos da comunicação interpessoal seja de linguagem, no meio utilizado ou a junção desses aspectos.

Com tudo isso, ainda Mark (que é considerado inteligente, mas, para mim é muito burro), acha que proibindo esse tipo de mensagem vai fazer um ruído. A internet é muito grande e tem vários ecos (que podemos chamar, também, de ressonância), que atinge conceitos, atinge posições políticas, atinge posições religiosas e com a crise, pode atingir várias posições econômicas. O próprio Mark sentiu isso essa semana, quando depois de várias resoluções e derrubamento de várias páginas pelo mundo, as ações caíram e ele perdeu bilhões. Esse tipo de erro cometeu o Google com a questão do Orkut, antes deles, a televisão (e a mídia em geral), manipulavam a informação e alienava. Mas, a tevê é uma caixa. A Google, quando construiu o Orkut, a internet era bem mais limitada e uma novidade (os norte-americanos não gostavam do Orkut), mas, hoje com o Facebook, a internet está muito mais ampla com muito mais redes sociais. Mark, com toda a inteligência que diz que tem, está com o perigo de ser mandado embora da própria empresa. Mostrando para os “anarcocapitalistas” que a empresa não é sua completamente, e também, que o capitalismo como um sistema aberto, não nos dará muitas opções. Até burrice tem limite. Como você é mandado embora de uma empresa que você mesmo construiu? Isso mostra que até pessoas, aparentemente, bem-sucedidas, podem fazer cagadas homéricas (heroicas com seu próprio patrimônio).

Mark é a Alice que pergunta para o gato que caminho trilhar, mas, não sabe aonde quer chegar. O gato (poderíamos chamar o sucesso), pergunta onde ele quer chegar, ele diz que não sabe, aí, o gato diz que qualquer caminho serve. Muitas pessoas acham que estão bem onde estão e com o que conquistaram, mas, o trabalho é continuo e tem que ter foco. O Mark não tem foco. Acha que engana todo mundo, porém, está engando ele próprio.