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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Homem é tudo igual? – Dialogo sobre afetos e subjetividades entre o masculino verdadeiro



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Amauri Nolasco Sanches Junior

Quem não cresceu ouvindo a frase: “homem é tudo igual”, pela ideia do senso comum que o homem é o reprodutor. Podemos filosofar sobre essa frase, porque tem a ver com a nossa cultura machista, a subjetividade e o senso comum (não tem um conhecimento). Nossa cultura se torna machista com a invasão de povos “aryas” a, mais ou menos, uns 5 mil anos. As cidades-estados gregas antigas, assim como a Índia, viveram uma obscuridade de opressão desses povos – que viviam lá - que eram matriarcais. Povos mais antigos veneravam a “Mãe Terra” por observar o círculo da mulher – da menstruação e gravidez – e assim, achavam que a terra que dava a vida a tudo (que, mais ou menos, não estavam errados). Enquanto os povos antigos – antes dos arianos – acreditavam que as mulheres eram sagradas (que os celtas preservaram em uma certa maneira), por dar a vida e sangrar todo o mês. Os povos invasores, os arianos, acreditavam que os homens eram os dominadores. O mundo do feminino (não feminista), era um mundo pacifico – tanto que foram dominados muito facilmente – e o masculino é movido pela guerra e destruição. Na questão biológica existe a explicação do hormônio testosterona, que dará vitalidade ao homem e produzira os espermatozoides. Só que dará motivação da briga, do lado primata do “macho alfa”.

O líder humano antes da agricultura e das cidades-estados, eram do mais forte e o patriarca do clã. Talvez, porque muito pouco se fala, as religiões matriarcais são uma observação de fazer, quem dá a vida, como sagrado e não pode ser profanado. Mas, as coisas eram bastante rudes. Pesquisas mostram, e quem quiser tem um filme que retratada o comportamento da época segundo pesquisas (algumas estão sendo contestada), “A Guerra do Fogo”, onde as mulheres de aldeias mais primitivas, eram quase “estupradas” por homens jovens. Mas, como disse, algumas coisas estão sendo questionadas (como a ciência deve ser). No próprio filme, mostra que uma mulher de outro clã, com uma outra cultura, ensinou o mais rude a fazer sexo deitado olhando para ela.  Claro, que não sabemos se foi assim mesmo, mas, a percepção que o seu semelhante é um ser humano como você, deve ter dado uma outra perspectiva a humanidade. Mas, existiu o amor? Acredito que o amor românico, começa só no século 20, porque nos outros séculos, se arranjavam o casamento. O interessante, que o amor romântico e a família – estou escrevendo sem o viés ideológico – surgiram com o capitalismo liberal. Isso não tira as monstruosidades que existe no capitalismo, isso mostra que o liberalismo – com todos os defeitos que tem – deram ao ser humano uma escolha de casar por amor. Existe um outro problema – fetiche de filósofo – essa imagem da família de marca de margarina, é a imagem da família norte-americana pós-guerra.

Porém, me contestando, existiam traições que mostram que existiu amor ou paixão, mesmo nos casamentos arranjados e mostra que existia o amor. Eu mudaria, que não que não existia o amor, existia uma obrigação matrimonial dentro do contexto da época. Porém, a imagem da família que pode se juntar para criar os filhos e tal, é uma imagem elitizada, porque, os mais pobres – isso em todas as sociedades – escolheram com quem tem filhos. Claro, que existia etnias que não admitiam casamentos escolhidos como, por exemplo, os casamentos judeus. Muitos diziam, que o amor aparece com o tempo. Será? Daí, chegamos na questão da subjetividade. Digamos, que um conhecimento subjetivo é um conhecimento que depende de um ponto de vista pessoal, individual, que não tem nenhum fundamento no objeto, mas, é condicionado somente por sentimentos de afirmação arbitrarias do sujeito. Ao contrário da objetividade. O conhecimento objetivo tem o fundamento de observação imparcial, ou seja, é independente das preferencias individuais. O subjetivo tem relação com a relativização de uma discussão, o objetivo, tem certeza pelo conhecimento que tem pelo objeto discutido sem se prender na parcialidade desse objeto.

O amor é subjetivo, porque usa do sentimento para com o objeto amado. Seja um animalzinho, seja um objeto que você se afeiçoa – como pode acontecer sim – pelos seus pais e, pelo ser amado. Os gregos chamam de Eros por causa do deus do amor e do sexo. Só que Eros é egoísta de querer o ser amado para si mesmo, como acontece na lenda da princesa Psique (alma/espirito) e o deus Eros (amor sexual) que exigia que a princesa usasse uma faixa nos olhos, quando se encontrasse com ele, para ela amar o deus, não pelo sua beleza, mas, amar do jeito que ele era. Ate, numa noite, ela tira a máscara ou a faixa, não lembro, e vê a beleza desse deus e ele acorda com a princesa lhe olhando e vai embora, deixando Psique desesperada a procura do ser amado. A lenda reflete a natureza egoísta do amor de não aceitar a vontade de cada alma, de cada um (subjetividade). Por que egoísta? Quis que a Psique (alma) fizesse o que ele queria e não entendeu, que antes de amar sua beleza, ela amou seu ser (a essência). A essência, neste caso, procedeu a existência. Psique viu a beleza de Eros e amou mais. A alma vê a beleza do amor e lhe ama mais, lhe ama tanto, que quer que ele entre nela (na alma).

Sponville diz que há amor que toma, é o impuro, assim, há amor que dá ou que contempla, é a pureza. A princesa Alma (Psique) amou a beleza do amor (Eros) sem só amar ela (a beleza), e sim, amar o deus como o todo. Você só ama completamente. Não há meio amor ou amor só no sexo, ou o amor só no beijo e no abraço, o amor tem que ser completo. Amor não toma para si – o amor próprio é um erro, e sim, se aceitar como é e pronto – amor dá ou contempla, o amor verdadeiro já é completo em sua natureza. Mas, também, não o ideal é o que deveria ser e não o que existe. E entramos no outro ponto, o senso comum que Platão, vai chamar de “doxa”. Para ser mais didático, o doxa seria o achismo, ou seja, aquilo que se repete sem nenhum estudo antes de repetir aquilo infinitamente. Como que o amor faz sofrer ou o amor é o que acontece dentro de bares, baladas e afins. Não. Isso é paixão. Quando você se sente atraído por causa do corpo e por causa de pontos específicos, você não está amando, você está apaixonado. Paixão tem a origem latina passio –onis que é derivado de passus, princípio do passado de patī que quer dizer, sofrer. A paixão é um sentimento que, podemos dizer, é uma emoção intensa convincente, um entusiasmo ou um desejo sobre qualquer coisa. Todas as músicas sertanejas – até mesmo da Adriana Calcanhoto – são sobre paixões e não o amor.

Daí, depois de analisar tudo isso – que é importante – se pode analisar a frase em si, porque tem a ver com a cultura machista, a subjetividade (que seria o amor, que é um sentimento) e o que a maioria pensa sobre os gêneros. A questão é mais ou menos, assim: todo homem (do gênero masculino) é igual? Não. Porque a igualdade já pressupõe que todo homem tem comportamentos iguais, e assim, não tem lógica essa frase. Claro, que quando uma mulher diz isso, ela quer dizer que todos os homens não podem ver mulher, que logo, se empolga. Isso dará uma análise, bastante, interessante, porque vai ao encontro direto com a fidelidade. Primeiro, temos que colocar uma questão: a traição é da natureza do homem ou é imposta pela cultura? Porque se é da natureza do homem, logicamente, que só o homem iria trair. Então, por que a mulher trai? Será que pelos mesmos motivos? Talvez. Afinal, as mulheres sentem desejo também. Só que vivemos numa sociedade onde o homem tem o direito de desejar, a mulher não tem o mesmo direito. O homem deve perder a virgindade novinho, a mulher deve se preservar virgem (hoje o tabu se inverteu, mulheres que querem preservar virgens são chacoteadas). A questão vai muito além. Mas, voltando aos homens, todos tem sua subjetividade.

Se confunde desejo com o amor. O desejo sexual é a parte biológica animal que temos que não há mal nenhum – o mal só existe na cabeça dos religiosos fanáticos – mas, somos animais conscientes da realidade. Um cachorro que sente uma cadela no cio, ele vai copular com a cadela. O ser humano tem consciência do ser amado, ele sente afeto. Sua subjetividade diante do outro que é amado, lhe faz ser fiel ao seu amor e nada em volta importa. Como disse Sponville, a fidelidade é a memória. Poderemos ser fieis a uma marca de sorvete, por lembrarmos do gosto que aquele sorvete tem. O gosto e o gostoso, te remete a ser fiel aquilo que te agrada. O outro, quando te agrada, você se fideliza a ele. O ente amado sempre é o ente que nos liberta da solidão. Mas, a cultura da sexualidade mal resolvida (que chamamos de machista), sempre vai impor que para sermos homens, temos que ter um harém. Porém, alguém me perguntou se eu quero ter um harém? Afinal, o gosto tem a ver com a qualidade e não a quantidade. A questão de ter memória para ser fiel, tem a ver de sempre lembrarmos do ser amado que estará sempre ao seu lado, enquanto aquela bunda alheia, é apenas uma outra bunda que não tem nenhum significado. Desejo por desejo.

Podemos ficar encantados por outra pessoa? Talvez. Mas ainda se confundem o desejo (paixão) com sentimento (amor). Antes disso, a memória que é importante para a fidelidade. A fidelidade é lembrar que temos um compromisso com o ser amado, não basta só amar, tem que haver uma lembrança de quem nos ama e de quem amamos. Nem a paixão (desejo) é errado, porque amor sem desejo fica um amor sem substância, sem a essência da caricia do ser amado. Mas, só desejo fica só sexo, fica só um ato animal (primata?), somos animais conscientes da nossa realidade, então, somos conscientes de nossos semelhantes e nos afeiçoamos (com afetos) a quem demostra carinho por nós. Com isso não estou dizendo que os outros primatas não têm afetos. Pode até ter de maneira diferente. Estou demonstrando que nós temos o diferencial da percepção do outro como um ser afetuoso, um ser que tem um vínculo com o demais. Sponville – ele de novo – diz que dizem que o amor começa com a mãe. Isso concordo. A mãe que nos ensina a amar, a respeitar o outro com seu amor infinito (agapé?). Claro, que existem mães que maltratam e não tem nenhum afeto com seus bebes – que seriam exceções – mas, que a maioria tem sim muito amor aos filhos. Quando o homem perde esse afeto? Quando a própria mãe diz que homem não chora. Diz que seu filho é o bodinho e que as outras mães, tem que esconder suas cabritas porque seu filho está a solta. Ensina a ter ciúmes da irmã, mas, a irmã nunca pode ter ciúmes do irmão. É bonitinha cuidar do corpo da mocinha (irmã), porém, quando são as mocinhas alheias (as irmãs de alguém) pode. Acontece, que cada um deveria ser ensinado a cuidar da própria vida e do seu próprio corpo.

Com essa cultura, que digamos, niilista (contra a vida e os reais valores humanos), vai criar homens vorazes, homens que brincam de guerra (minha mãe detestava brinquedos como arminhas e de guerra), criar verdadeiros touros reprodutores. Afinal, se não tiver reprodução, quem vai pagar impostos e trabalhar? O ESTADO detém o discurso, o poder diz para sermos vorazes não no amor, mas, no sexo porque quer cada vez mais, que pessoas nasçam para acumular em grandes cidades. Por outro lado, as próprias pessoas se alienam, se vangloriam que teu filho pega as meninas por aí, mas, detestam quando o marido faz isso. Ele tem o compromisso, seu filho não. A ignorância (mal) faz com que as pessoas dão valor a aquilo que é pobre, aquilo que não está de acordo com aqueles que detém o conhecimento (bem/bom). Homens do gênero masculino, podem sim, ter sentimentos, chora, fica triste e se decepciona. Por que não? Por que não podemos amar um outro ser humano além de querer o sexo? Todo homem não é igual, mas, as culturas impõem (começando no berço) a exigir isso dele. Questão de educação.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Vermes partidários (lulistas progressistas e bolsonaristas olavetes conservadores) e a humildade anarquista




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Amauri Nolasco Sanches Junior



Humildade, segundo o filósofo Sponville, é uma virtude nobre que pode ir ao encontro da misericórdia. Mas, analisando a misericórdia, chegamos ao sinônimo, perdoar. O perdão é aquilo que cessa o ódio, quase, digamos, a indiferença por aqueles que nos fizeram algo. A ignorância pode ser perdoada? Claro. O fato de escrever uma pauta tão importante – como o Ministério da Educação reabrir as classes especiais – e ser chamado de petista e terem criticado minhas posições espirituais, não me causa ferimento nenhum, só mostra a ignorância alheira da minha pessoa. Não é à toa, que Sakiamuni Buda disse que não existe o bem e o mal, mas, o conhecimento e a ignorância. Jesus Cristo também disse algo parecido, quando disse que não podemos tirar o cisco do olho do outro, sem ao menos, tirar a trave do seu próprio olho. Se as pessoas tivessem conhecimento da minha pessoa como alguns tem, não falariam tantas coisas que não são verdade. Sou fiel aos princípios que me regem.

A indiferença é a assumi que não adianta brigar com pessoas que já tem dentro de si uma postura rígida. O fanatismo de todo tipo é um tormento, porém, a ignorância de um caminho melhor, te faz indiferente a opinião do outro. Não pode ser uma regra. Mas, uma mulher pode ficar indiferente ao homem que a assediou (com atos e não com olhares)? Claro que não. Um assédio, quando é feito com o ato da mão em algumas partes, é uma invasão ao corpo e toda a invasão é uma violência. As pessoas com deficiência que o diga. A indiferença da sociedade, nos complica com rampas erradas, com degraus em estabelecimento, além de ser uma violência a nossas cadeiras de rodas (que são nossas pernas), ainda é uma falta de respeito. Será que podemos perdoar um bandido matar um pai de família por causa do objeto que esta cobiçando? Não. Mas podemos pedir justiça, afinal, a lei deveria ser para todos. Humildade de reconhecer que antes de atirar as pedras devemos examinar nossos próprios pecados, como diria Cristo. Por isso, devemos sempre lembrar, que a origem do termo humildade vem de “húmus” que quer dizer, terra. Lembramos como os centuriões romanos – que em algum lugar da história, esqueceram da missão espiritual de Roma – eram lembrados que vieram do pó. Realmente, somos fruto de pós estelar, moléculas de estrelas mortas ou nuvens espaciais, que fizeram acontecer nosso sistema solar. Nosso corpo é filho do universo.

Talvez, Kant tenha razão quando diz: “Se o homem se considera um verme, ele não deve se queixar quando for pisado”, que, na verdade, a humildade é uma baixeza (objectio). Mas será que Kant quis dizer sobre a humildade ou sobre a submissão? Submissão não é humildade. O submisso não é um humilde. Um humilde é o sujeito que reconhece seu erro e reconhece o seu lugar na humanidade. O submisso tem o espirito de rebanho como diz Nietzsche, mas, o filósofo também voltou a ideia de Kant. Nietzsche disse: “A minhoca se enrola quando pisamos nela. Isso encerra muita sabedoria. Com isso, ela diminui a possibilidade de que tornem a pisar nela. Na linguagem da moral: humildade. ”. Ou seja, Nietzsche mostra que a defesa da minhoca (verme), é a verdadeira humildade de reconhecer suas fraquezas e te preservar. O ser humano, tem consciência da sua própria realidade e não do outro, da sua moral e da sua ética, então, deveria andar conforme ela.

Se apoia a moral, por que vai numa balada ou ouve funk pancadão? Se é a favor de políticas progressistas, por que não é a favor da infraestrutura do país?  Somos regidos com nossos princípios éticos (caráter), pois, eles que vão nos mostrar as leis morais regem nossa sociedade.  Mas, será que todas as leis morais são as certas? Não, certamente. Nossa ética pode reger nossa conduta para não invadir o outro. Daí chegamos as redes sociais e as opiniões. Platão dizia que as opiniões (doxa) são, o que chamamos hoje, achismo. O filósofo grego que foi discípulo de Sócrates, dizia que só podemos dizer nossas ideias com o conhecimento (episteme/cientia), porque só com o conhecimento poderemos chegar a verdade. Voltamos ao que Buda e Jesus disseram, sem o conhecimento daquilo que você está dizendo, não haveria tantas ideias erradas nas redes sociais. Ora, Buda disse que o que pensamos nos faz montar nossa própria realidade, que se confirma, quando hoje se fala da bolha ideológica. Se você começa só ler e ver vídeos que te interessam, só vai enxergar aquela realidade. O Brasil nunca teve um perigo comunista, mas, com uma “forcinha” do Olavo de Carvalho, se criou essa ideia do perigo comunista. Talvez, quando teve a intervenção de 64 teria (embora, a intervenção foi por outros motivos), porém, hoje, não mais.

Quem conta a história sempre é o vencedor. Quem venceu nesse período foi a esquerda, ideologicamente. Mas, a direita usa ou se viciou – como os católicos acabaram viciando das suas crenças, o protestantismo, o espiritismo entre outras vertentes cristãs – com os mesmos ataques que a esquerda, fanática, usa. A humildade nos dará sempre o exame de avaliar nossos “pecados” antes de jogarmos as pedras, avaliar se conhecemos as convicções morais de alguém para defender com tanta ênfase; ter condutas morais que defende, para julgar o outro. Uma hashtag não vai trazer nada além de um escrito pobre e que nada traz. Homens não são deuses para trazer o paraíso, mas, não são demônios para trazer a destruição total da humanidade. Os nazistas tinham a ignorância que não existe nada perfeito dentro do universo, as coisas são o que são, judeus, pessoas com deficiência, ciganos, eslavos, negros, gays, tudo que achavam imperfeitos, são seres humanos. Somos todos homines sapiens. Acharam que a raça ariana (que não era uma raça e sim, uma etnia a muito tempo, tempo o bastante para desaparecerem e se fundirem na cultura grega e indiana. E existem pesquisadores que defendem, que nem da Europa vieram), eram a mais fortes, sendo que até mesmo os alemães, tiveram sua mesclagem cultural. A ignorância de saber que somos todos seres humanos, levou a destruição europeia. Os norte-americanos cometem os mesmos erros de acharem que etnias diferentes, separam nossa origem ancestral comum. Não separa. Sejam negros, brancos, asiáticos, índios, aborígenes, todos são uma só espécie humana. O paraíso e o inferno são conceitos da moral humana.

O universo existe graças a evolução (conhecimento), onde cada coisa transmite uma informação. Nunca, pelo menos no que se sabe, nada regrediu para a ignorância. Memória é também evolução. Esquecemos aquilo que nos atrapalha em nossa evolução. Portanto, o fanatismo é aquilo que não largamos para se sentimos confortáveis. Se não largarmos – a lei do desapego tem a ver com a realidade impermante do universo de sempre mudar com sua evolução – não vamos enxergarmos as diversas formas de informação e conhecimento. Somos parte do humano.


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Entre a prudência e a imprudência – ‘nunca foi tão fácil ser ladrão nesse país’






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Amauri Nolasco Sanches Junior
(42 anos, formado em filosofia da educação na FGV e também, formado em publicidade pelo IPED e técnico de informática pela ETEC Parque Santo Antônio)

O filósofo André Comte-Sponville, no livro Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, diz que a prudência é uma virtude menor dentro de um mundo contemporâneo cheio de tecnologia. Porém, na antiguidade grega – principalmente, Aristóteles e Epicuro – a prudência tem um significado bastante importante, porque tratara de um modo de viver bem melhor. No mundo moderno (contemporâneo), prudência se tornou uma virtude de se evitar alguma coisa. Mas, prudência, também, é uma virtude cardinal (dos cardeais da igreja), para não se afastar das suas obrigações. Acho eu, que o ex-presidente Lula, como bom católico que é (ou diz ser), deve saber disso. André Comte-Sponville, diz ainda, usando o “phronésis” grego, que a prudência tem um lado mais profundo.

Aristóteles dizia que a prudência (phronésis), era uma virtude intelectual. Para Aristóteles, tem a ver com o verdadeiro, com o conhecimento, com a razão. Seria a disposição que permite decidir corretamente sobre o que é bom ou mau para o homem e agir em consequência como o que convier.  O que poderíamos chamar de bom senso, mas que estaria a serviço de uma boa vontade. Ou da inteligência, mas que seria virtuosa. Para Santo Tomás de Aquino dizia que, das quatro virtudes cardeais, a prudência é a que deve reger as outras três virtudes que seriam: a temperança, a coragem e a justiça. Sem a prudência, os cardeais não saberiam o que deveriam fazer, nem como fazer. Seriam virtudes cegas ou virtudes intermediarias, como, por exemplo, o justo amar a justiça sem saber praticar ela, ou o corajoso amar a coragem sem saber fazer a sua coragem. Assim, como a prudência sem as outras três, seria vazia ou não seria mais que uma mera habilidade. Porém, segundo Sponville, a prudência decide e a coragem provê.

O significado dito por Epicuro seria a essência, a prudência, que escolhe, os desejos, que convém satisfazer e os meios para satisfazê-los. Ou seja, na visão de Epicuro, nos ocorre recusar numerosos prazeres, quando devem acarretar a um maior desprazer, ou buscar determinada dor, se ela permitir evitar dores piores ou obter certo prazer mais imediatos ou muito mais duradouro. Sempre vamos ao dentista para não sentir dor. Então, a prudência, é algo que você tem que ter antes de escolher um ato. Mas, escolher requer uma ciência (conhecimento), requer uma racionalidade daquilo que você quer fazer. Não podemos tocar o corpo do outro sem permissão, por causa da violação do direito de preservar sua individualidade, portanto, tem que ter uma prudência dentro de um desejo. No mesmo modo, tem que ter uma certa prudência de não roubar, de não fazer nada que vai negar ao outro uma dignidade e o direito de individualidade.

O Lula esqueceu da prudência. Fez um governo onde, segundo denúncias, aceitou propinas e aceitou todo o esquema de corrupção que se instalou na Petrobras. A corrupção é uma escolha de aceitar e não aceitar, é uma escolha que deveria ter uma certa, racionalidade de pensar o que vai vir no futuro e ter um ato de ter ética. A ética é construída dentro de certos valores que são passados dentro da sociedade, dentro de uma história de vida (uma egrégora?), que se manifesta na construção daquilo que você pensa e aquilo que você é. Muitas vezes, com as dificuldades e com o querer ser aceito dentro de um certo grupo, nós podemos esquecer quem somos, aquilo que acreditamos e até mesmo, os valores em que nós apoiamos. Muitas pessoas acham que nós libertários anarquistas, não podemos ou não temos valores para seguir, que é uma tremenda bobagem. Todo ser humano tem valores no qual segue, até mesmo, valores volúveis dentro daquilo que você é de fato, sua natureza. Só de não atacar o outro fisicamente ou moralmente, é um valor que você segue e para um anarquista de verdade, a honestidade de ser você mesmo sem radicalizar – porque é uma doutrina humanitária – é ser liberto de amarras ideológicas de uma liberdade guiada a não dignidade de si mesmo. A liberdade desmedida é uma carência e não uma libertação de si mesmo. A pessoa segura de si, não vai ficar bebendo ou fazendo sexo adoidado, para se sentir liberto do mundo. Assim, você continua prisioneiro da liberdade mediática hollywoodiana.

Do mesmo modo, podemos dizer de um corrupto. Um corrupto entra no esquema, geralmente, porque o outro entrou. Porque ele quer superar aquilo que ele viveu no passado e não foi trabalhado nele. Mas isso, não é nenhum álibi para serem corruptos, só é um sintoma da cultura no qual o indivíduo viveu. Não podemos justificar alguém como o Lula, por exemplo, pelo que é mostrada em sua biografia – que muitos alegam ser suspeita de ter vários fatos inverídicos – pelos atos que cometeu, porque muitos na mesma situação, não fez nada que possamos chamar, atos antiéticos. Todo corrupto, na sua essência, é um ser humano egoísta que pensa só no seu bem-estar. Mesmo assim, o corrupto graças a sua avareza, esquece da sua prudência e comete vários atos sem raciocinar o que pode acontecer no futuro. Um ladrão (alguns, pelo menos), tem uma certa prudência de não se deixar ser pego (hoje, com uma certa impunidade, eles não tomam esse cuidado), um corrupto, sempre acha que a lei não vai pegar ele. Muitas vezes é verdade. Mas, o ESTADO pode punir aqueles que não reprogramam o sistema – usando a expressão da Pitty – como ele quer, como se deve ser o “esquema”. Um sempre entrega o esquema todo.

Lula foi pego pelo vislumbre do poder – não que antes não era assim -  por achar que seria o “rei” de um país, de tamanhos continentais e de riquezas grandes. Achou que quem era oposição no passado, era seu amigo naquele momento. Lula sabia falar como sabe até hoje (com uma certa parresia), mas, diante de todo marketing, diante de todo o apoio popular e das instituições, esqueceu da prudência. Esqueceu que não há amizade na política e tem que agir conforme a ética e a moral, manda e eles são “majestades” bem exigentes. Mas, antes de tudo, Lula esqueceu de cumprir o que ele prometeu, que em toda vida discursiva, prometeu e colocou como sua pauta e pauta do PT (Partido dos Trabalhadores). Afinal, o PT é seu. Ele reina no PT. E por último, ele esqueceu que não é um “deus”, mas um misero ser humano. Humanos são, demasiadamente, apenas humanos.


sábado, 10 de novembro de 2018

Fui expulso de um grupo de filosofia por filosofar – tratado da liberdade




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Amauri Nolasco Sanches Junior

Na cidade-estado de Atenas (hoje capital da Grécia), mais ou menos, trezentos anos antes de Cristo, existia um homem careca, com o nariz achatado e barbudo, chamado Sócrates. Sócrates foi chamado de sábio pelo oraculo de Delfos, que era o oraculo do deus Apolo, e não se conformou, porque achava que existiria um homem mais sábio do que ele em Atenas. Filho de uma parteira, achava que as ideias eram como o trabalho da sua mãe, que deveria fazer o parto delas nos outros e demos o nome de maiêutica, que quer dizer, parto. Eram perguntas que deveriam conter respostas, mas, que incomodou muitas pessoas e essas pessoas condenaram Sócrates por esse ato infame. Como ele ousa desmascarar aqueles que se mostravam conhecedores de tudo? Como um misero cidadão do baixo “clero”, tem a audácia de desmascarar os grandes guardiões da democracia ateniense? Foi condenado por algo que não fez a morte. Foi condenado a beber cicuta e morreu assim. Sócrates nos mostra que nem sempre as pessoas que se acham amantes da liberdade, do conhecimento ou até mesmo, se acham humanistas, são tolerantes com as ideias alheias.

Num grupo de filosofia, eu vi uma pergunta que me chamou a atenção e sempre me chamava a atenção, que o dono do grupo – num sentimento de paternidade, tipo xuxando – sempre colocava a pergunta: “Vamos filosofar? ” e aquilo me intrigava (como intrigaria qualquer filósofo). Se estamos num grupo de filosofia, nós vamos ou não filosofar? Lógico que a resposta é óbvia, mas, quem fez a pergunta pode responder que é uma figura de linguagem para chamar atenção. Mas, a pergunta vinha num fundo alaranjado, já poderia chamar muita atenção. Se estamos num grupo de filosofia, claro, que vamos filosofar e esse filosofar faz parte da pergunta que veio depois. A pergunta era:

Vamos filosofar? Existe consciência sem materialismo? Justifique:

A resposta foi simples e objetiva. Sempre estamos a filosofar, mas, remete a algo que está sempre nos intrigando. A consciência, por exemplo, pode chegar, nesse caso, com a pergunta: “vamos filosofar? ”. Porque se estamos num grupo de filosofia, nós vamos filosofar e, portanto, temos consciência disso. Ora, a consciência é a construção de um fenômeno de um objeto que não é o eu e sim, o outro. Mas, eu sei que aquilo te a sua imagem é um termo que podemos chamar aquele objeto. No caso, filosofar. Porém – continuando porque fui expulso antes de continuar – o filosofar passa a ser objeto de minha atenção, materializando um objetivo, porque minha realidade agora é filosofar e estou livre em aceitar essa realidade, ou não aceitar essa realidade. A consciência não pode existir sem a ideia do objeto e o objeto nos faz pensar. Mas, para filosofar, tem que ter uma certa liberdade e se não tivermos liberdade, não podemos dar respostas e nem perceber nossa realidade.

Muitos estudantes de filosofia ou professores, ficam amarrados em uma ideia e não enxergam o TODO. Porque você começa a perguntar coisas obvias e essas coisas começam a ser banalizadas, como, graças a esses grupos que ficam xuxando (expressão minha), que ficam com perguntas de ensino médio. Muitas pessoas que estão ali, são professores ou estudantes, não são alunos da moderação. Por outro lado, por que não posso filosofar a pergunta “vamos filosofar? “?  Ele (o moderador), como tantos outros, não entendem que todo filósofo escolhe um problema para resolver e esses problemas ele mesmo escolhe. Se não se tem liberdade de escolha, não se tem o filosofar e se não tem filosofar, nós não podemos filosofar. O mais engraçado é que sujeitos assim, ficam gritando nas universidades ou na internet, contra o fascismo. Quer coisa mais fascista do que obrigar a pessoa a responder o que você quer ou não deixar a pessoa explicar o porquê da resposta e expulsar ela?

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Gangs de bolsominions e de petistas invadem as redes sociais





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Amauri Nolasco Sanches Junior 



Dentro da filosofia, um problema não é uma dúvida a ser resolvido dentro de uma ênfase, mas sim, uma situação que inclui a uma possibilidade de uma alternativa. Não podemos confundir com uma dúvida, que seria uma questão do ser, que é uma confusão de crença do mesmo ser. ou seja, essa dúvida quando for solucionada, a dúvida se torna em uma crença ou uma descrença. Mas, o que seria uma crença ou uma descrença? Crenças são aquilo que acreditamos ser a verdade. Porém, não existe uma verdade absoluta que devemos nos agarrar e apostamos, por muitas vezes, na descrença. Essa crença e essa descrença, tem a ver com os valores que se aprende durante a vida. Você acreditar que tal candidato vai ser um bom presidente, por exemplo, é crer no plano de governo do tal candidato. 

Porém, para a filosofia (que deveria ser mais aplicada dentro da escola), teria que ter uma alternativa para um problema de aquilo ser ou não viável. A viabilidade tem que ser analisada dentro de uma crítica bastante acirrada, porque envolve políticas que envolvem pessoas e envolve uma sociedade inteira. Então, não dá para você fazer a análise seguindo um pressuposto, que aquele candidato vai fazer por causa do viés ideológico que ele segue ou diz seguir. A esquerda sempre levantou a bandeira da igualdade (porém, seu partido mor, o PT, fez muito pouco pelas minorias), e por elas lutam, mas, como eu sou uma porcentagem dessa minoria, posso falar que o PT fez muito pouco para as minorias. Aliás, nós pessoas com deficiência, não tivemos a Lei de Cotas respeitada por exatamente, não ter fiscalização. Quando fazíamos denúncias, sempre o Ministério Público Federal, dava causa de ganho a empresa. Fora que quando o ex-prefeito Haddad foi prefeito, sucateou vários serviços e também, acabou não só o Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SP), fazendo dele, uma instituição de propaganda. Mas também, acabou com o serviço especial de transporte de vans adaptadas (ATENDE), pondo um gerente filiado. Isso tudo tem que ser analisado, não é só o viés esquerdista. 

Já no outro lado, na direita, temos o candidato como o Bolsonaro. Ele é filiado num partido pequeno e se diz liberal (que apoiou o governo petista, só pesquisar), que defende soluções militaristas e que não apoia as minorias. Claro, que não estou dizendo minorias como um número de indivíduos, mas, que os discursos de igualdade de direitos não são aceitos. Lógico, que eu não sou igual outra pessoa com deficiência, não somos iguais de aparência e muitas vezes, nem de deficiência. Por outro lado, o discurso de acessibilidade, inclusão social, e de ter uma vida como outra pessoa, não é aceito pela maioria. Ou por ignorância, ou porque as pessoas têm uma visão distorcida o que seria uma pessoa com deficiência. Então, você dizer que o negro é malandro, que o índio é preguiçoso, é uma negação das minorias. Ponto. Não existe desculpa para uma opinião que é sua e está na sua natureza, porque se aprendeu assim, aprendeu que pessoas com deficiência atrapalham ou são coitados, que negros são pessoas “malandras” ou que, até mesmo, a África veio de um filho de Noé amaldiçoado (por muito tempo, a igreja usa isso para justificar a escravidão). Que os índios, por terem uma outra cultura e um outro meio de produção, serem preguiçosos e não quererem trabalhar. 

Essa é a questão: a polarização está levando o país a fazer escolhas ideológicas e não, escolhas para o que é melhor para o país. O Brasil nunca teve uma tradição de ideologias, mesmo o porquê, as ideologias aqui são camufladas de interesse ou de discursos populares e não para a melhoria do país. Não se vai votar no Haddad porque ele foi ou não, um bom ministro da educação ou que ele foi um bom prefeito (que não foi), mas, uma agenda partidária de um partido que corrompeu como os outros, que não fez diferente. Além do mais, o seu maior político foi preso por corrupção passiva, só isso já seria motivo para não votarem nesse partido. Mas, o petismo é muito mais articulado e não admite traições, não admite que sua agenda seja mudada. Porem no outro lado, ninguém vai votar no Bolsonaro por causa da honestidade (não me venham com esse papo furado), vão votar por causa do sentimento de antipetismo no ar. Na maioria das vezes, a maioria que pretende votar no Bolsonaro, já foi eleitor do Lula e não admite isso. Outros, são neonazistas que gostam da agenda do candidato, preconceituosos e religiosos fanáticos que não gostam de pensamentos contrários dos seus. 

Qual seria a alternativa viável dentro de uma democracia confusa (por falta de escolaridade), num país em crise política e econômica? Qual seria a saída? As redes sociais são usadas para darem opiniões fora de propósito, muitas vezes, sem embasamento de conhecimento do que estão dizendo. Então, ninguém tem alternativa nenhuma, na realidade.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Nós deficientes precisamos de qualificação e o pessoal falando asneira nos jornais





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leiam primeiro (aqui)


Amauri Nolasco Sanches Junior

Num desabafo, uma amiga disse que há pessoas com deficiência que não a favor da lei de cotas – que obrigam as empresas a contratarem 5% de pessoas com deficiência entre seus funcionários – porque acham que há uma diferenciação de um trabalhador com deficiência e sem a deficiência. Claro, se fomos bem racionais, nós estamos fazendo com que as empresas nos olhem como pessoas incapazes de assegurar e competir num mercado de trabalho, extremamente, competitivo. Só que, tem um outro lado (sempre existe um outro lado), as empresas ainda trabalham com conceitos arcaicos que não cabem mais nos dias atuais, como não se adequarem as pessoas com deficiência, acharem que por serem deficientes, são um “problema”. Porém, existe uma outra coisa, quando você não tem diploma universitário, as empresas ligam mais para você, elas contratam mais, elas se interessam mais. Mas lá, no órgão governamental (onde deveria ter uma fiscalização rígida), as mesmas empresas alegam não haver qualificação dentro da área. Não é uma contradição? Será mesmo que eles querem pessoas com deficiência qualificados ou não querem para pagar menos ao que pagam para pessoas sem nenhuma deficiência?

leiam também: a liberdade de Lula

Respondi a essa amiga que quem é contra, na sua maioria, trabalha numa empresa de um conhecido ou da própria família. Então, para essas pessoas, é algo extremamente fácil porque existe alguém que sempre vai arranjar trabalho para ele e ele não vai ficar sem emprego. O que falta nesse caso, é a empatia de ver que existe outras pessoas com deficiência que tem deficiências severas, que as empresas – dentro de uma lógica arcaica – enxergam com um problema e não como uma pessoa em potencial. Mas, é um segmento (pessoas com deficiência) muito estranho, ao mesmo tempo que escrevem verdades, não querem se comprometer com nada. Eu sou uma pessoa verdadeira, se falo é para valer, se é para só fazer um “desabafo”, prefiro não escrever. Enfim. A questão fica em torno de qualificação num país – oitava economista mundial – que não investe em nada, o ensino escolar e quando tem que cortar, cortam a verba da educação e da pesquisa cientifica. Como fica? Como se vai exigir em qualificação das pessoas com deficiência se não tem nem educação de verdade?

Isso está acima de ideologias políticas. Porque a deficiências estão além das crises, e com as crises, são convites para mudanças. Mas, as pessoas são muito resistentes a mudança e as mudanças, são retardadas por causa disso. Eu te garanto que em toda a história da humanidade, a questão da mudança tem tanta importância, que se não acontecesse, ainda estávamos morando nas cavernas. Acontece, que as pessoas se acostumam daquilo que é mais cômodo. A deficiência, voltando ao assunto, não vai ser revertido e não vamos desaparecer por conta que a sociedade nos trata como um problema secundário. Mesmo o porquê, a previdência que foi criada como um modelo ideal, está ruindo por conta de anos de corrupção. Não vai adiantar todo mundo – dentro do Brasil – querer ter um benefício e esse benefício trará dor de cabeça, não dará o poder aquisitivo nem para comprar uma cadeira de rodas. E uma questão fica no ar: se nós estudamos, nos especializamos, pagamos livros, pagamos cursos, por que temos que ganhar menos que uma pessoa que o pai pagou todo o curso? Não adianta fazer média, a maioria das pessoas que estão nas áreas mais bem pagas do mercado (como publicidade e TI), o pai ou o governo pagou todo o curso, o retorno para as pessoas com deficiência, é zero.


Umas das coisas que temos que parar de argumentar é que queremos uma chance, não queremos só uma chance, foi todo um investimento dentro da nossa capacitação. Dentro da escrita, por exemplo, investi pesado para aprender a nova ortografia, investi em livros para fazer textos melhores, investi numa internet melhor (sim, eu pago internet), então não dá para ter esse papinho de bobo e achar que estamos, eternamente, ajudando a humanidade. Claro, que podemos colaborar com a humanidade. Mas, não vamos ser hipócritas, queremos um salário e uma oportunidade boa. Todo mundo quer, por que nós seriamos diferentes? Por que não podemos ser bem-sucedidos profissionalmente? Percebemos, também, que há uma cobrança muito grande por causa da deficiência. Nomes como Stephen Hawking – morto sesse ano – nos remetem a essa cobrança de sermos exemplos e não reclamarmos.



Mas, se nós temos que ser qualificados, por que será que vejo vários erros em matérias de jornais? Por que temos que ter qualificação, se vejo várias pessoas que nem sabem escrever? Não esquecemos – que já disse nesse texto – que não há uma educação de verdade, ao ponto, de pessoas nem saberem escrever a própria língua. Ora, se há jornalistas que erram na escrita, se existem pessoas que escrevem errado nas redes sociais, então, não há razão de existência. E outra coisa, estão pedindo laudo médico junto com o currículo, que é errado. Por que temos que provar nossa deficiência? Por que temos que ser aquilo que não somos, para agradar setores que não exigem qualificação?

segunda-feira, 30 de julho de 2018

De Bolsonaro a Lula – e os zumbis acéfalos engolidores de cérebro








Amauri Nolasco Sanches Junior

Uma das coisas que sempre me irritaram é essa mania de fazer o que todo mundo faz. Nessa mania, que a nossa cultura está impregnada, saem coisas bizarras que não entendo como aparecem. Uma dessas coisas é acharem que um texto de noticia é um Twitter, porque detesto ficar lendo linhas soltas. Num livro, pode ser aceitável, mas, num texto de notícia, parece algo realmente, jogado no site de notícia. Não aceito esse papo que se não fizer assim ninguém lê, porque, de qualquer forma, ninguém vai ler nada além daquilo que está na modinha. O povo do Brasil é o único povo que sabe da notícia pelo nome (deve ter superpoderes de ler telepaticamente), o único povo que sabe que o escritor não sabe escrever sem sequer, abrir um livro do próprio escritor (duvido que algum crítico do Paulo Coelho leu um livro dele). Enfim, um povo que tem sempre a formula mágica para todo mundo, mas, não sabem aplicar nem em si mesmo.

Mais uma vez, o povo bolsonaram o meu Twitter com notícias, realmente, idiotas e sem sentido nenhum. Um tempo atrás foi o Doutor Bumbum (vulgo fazedor de bunda), que matou uma mulher que queria levantar a bunda e parecer artista de televisão (como se mulher artificial fosse mulher), agora, temos em alguns noticiários, um youtuber estuprador que nunca estuprou. Futilidades da mídia. Mas, o porquê dessa futilidade dentro da mídia? A lei da demanda e da procura. Se tem procura de tal produto, terá sim, maior demanda desse produto e eu sei disso por ser publicitário (sim, um publicitário). Além, de saber disso, também sei, que as pessoas têm a mania de lerem o que está na modinha, comprarem o que está na modinha e acharem que sabe só porque está na modinha. Minha noiva é evangélica (que deixou de ir por causa da modinha), que me faz viver no meio e afirmo, o número de evangélicos anda crescendo por causa da modinha. Tenho romance escrito (aqui), tenho livro escrito sobre deficiência (aqui), tenho um livro com a minha noiva (aqui) e só porque não sou conhecido – tem um monte de obra de conhecido que é uma bosta – ninguém nem mesmo, olhou os meus livros. Porque, as pessoas querem ler só porque os outros estão lendo, para ficarem por dentro e não serem rejeitados. Nosso povo odeia serem rejeitados.

Isso é ruim? Num dado momento, sim. Porque você acaba não descobrindo coisas novas, outras coisas que podem ser boas. Eu sempre ouço bandas além das conhecidas, para conhecer aquelas bandas. Sempre leio livros de autores desconhecidos, para conhecer aquele autor e se ele é bom. Se a banda ou o autor é bom, eu indico sim. Acontece que as pessoas querem ficar na sua zona de conforto, sempre gostando daquilo, sempre lendo porcaria, sempre fazendo a mesma coisa. Porque é seguro, porque se o outro faz, eu também, vou fazer. Será mesmo que aquela noticia é importante mesmo? Será que realmente interessa ou leram só porque o outro leu? Eu escrevi uma notícia do discurso memorável da professora Janaína Paschoal (aqui) e ninguém leu, escrevi sobre a censura do Facebook cometeu com o MBL (aqui) e ninguém leu; escrevi sobre a menina com Síndrome de Down que foi discriminada numa escola (aqui) e ninguém leu. As pessoas gostam de ler polêmicas para ficarem por dentro de baixarias, como a pensão só Wesley Safadão, como um gay chamar Jesus de travesti (se Jesus fosse Deus e Deus ama a humanidade, acham mesmo que ele iria ficar bravo com isso?), como coisas, realmente, irrelevantes. Tinham que analisar o que é relevante e o que não é relevante.

Na verdade, ninguém se interessa muito em ler sobre deficiência. No subconsciente, moldado por uma cultura de milhares de anos, é uma coisa horrível que pode acontecer com qualquer um. Preferem ler sobre as merdas que o Safadão faz, ou o estupro do youtuber Zóio, ou uma Copa que já era de esperar, que o Brasil iria perder.  Teve até nudes do Felipe Neto, como se eu quisesse ver o youtuber no ato solitário da sua intimidade. Mas, as pessoas querem ler sobre quem falou mal do seu político de estimação. Ou as pessoas ditas de direta (são apenas eleitores frustrados da esquerda de outra hora), defendem o Bolsonaro, ou as pessoas ditas da esquerda (nem sabem um por cento da teoria que se molda a esquerda), defendem o Lula. Começam a ler, títulos que mostram críticas ao seu político favorito, mas, não é qualquer texto. Escrevi sobre o Bolsonaro (aqui) fugindo da bêbada, porém, ninguém leu. Também, escrevi sobre a tentativa ridícula do PT para livrar o Lula da cadeia (aqui), mas, ninguém leu e nem deram a mínima. Por trás disso, existe uma coisa bastante estranha, todo mundo reclama das grandes mídias e jornais, mas, quando aparecem mídias diferentes, ou chamam de “Fakes News” (noticia falsa), ou não repassam, dando mais visualizações ao que há de mais podre na mídia tradicional.

Podem dizer que se trata de ignorância, mas, não é não, porque sabem muito bem o que repassam. São apenas escravos de um Estadão ou uma Folha (que tem o mesmo dono), mesmo sendo contra, são escravos da Globo, mesmo sendo contra, são escravos de toda a mídia. E no mais, a questão de esquerda e direita, dentro da própria mídia, é bastante clara e objetiva. Ou seja, bem e o mal na pauta eterna da humanidade. A questão é: que não existe bem e não existe o mal, existem opiniões antagônicas que fazem parte da política. A energia para se criar pautas desse porte são as mesmas. Quem conhece a franquia Guerra nas Estrelas (Stars Wars), sabem das falas dos jedis, não existe uma força negra e não existe uma força branca, existe a sua escolha. Eu posso descordar de muitas opiniões de diversos youtubers, mas, posso concordar em outras opiniões. Porque não se trata de uma opinião fechada, conceitos você muda e evolui. Porém, esse é o real problema, as pessoas não querem evoluir. A questão dos jedis veio do budismo zen – isso fica bem evidente, quando o mestre Yoda muda a energia de um raio atirado do lorde sith – onde não existe dois lados e sim, o lado que você escolher trilhar durante a vida. Estamos numa sociedade, na verdade, mimada que não pode ser frustrada. Você tem que votar no Bolsonaro, porque o povo tem certeza que vai mudar o Brasil. Temos que votar no PT (porque o Lula não vai ser candidato, aceita que dói menos), porque deram cem reais por mês, para um povo que falta até dignidade de morar em um lugar melhor.

Eu não vou escutar uma música, porque a maioria ouve; eu não vou votar numa pessoa, porque a maioria vai votar; eu não vou ler uma mídia, porque a maioria vai ler. Eu nem gosto de ver seriado que todo mundo está assistindo, não gosto do mesmo ritmo musical da maioria, não gosto nem, do ídolo que todo mundo gosta. Porque, ates de tudo, eu tenho que me respeitar e respeitar quem eu sou de verdade.