Mostrando postagens com marcador pensamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pensamento. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Como ser pessoa com deficiência no Brasil





Imagem relacionada



Amauri Nolasco Sanches Junior

Quem tem o BPC (Benefício de Prestação Continuada) do governo tem que ir no CRAS (Centro Regional de Assistência Social) mais próximo da sua residência e ainda, tem que agendar. Muito bem. Nossas deficiências vão melhorar de um ano para o outro, nossas deficiências não vão mais existir daqui dois anos, para receber esse benefício. Claro, que existem pessoas que recebem depois que o parente com deficiência morre ou dão sumiço em alguma clínica de repouso. Mas, isso é obrigação do governo. Como, também, o governo ter o mínimo de decência, de fiscalizar a Lei de Cotas que não está sendo cumprida devidamente. Por que eu tenho que provar a minha deficiência? Por que eu tenho que mandar junto com meu currículo algo tão visível? Por que não veio junto com a carta, onde temos que ir para fazer o cadastro? O governo não quer ter trabalho nenhum.

Acontece, nós, pessoas com deficiência, nunca somos lembrados quando há discussões políticas. Isso porque, a deficiência sempre foi lembrada como uma disfunção corporal que a pessoa não pode ser um cidadão por ser limitada. Mas, será que essa pessoa é limitada em suas faculdades mentais? O que seria do mundo, por exemplo, se não fosse um Stephen Hawking? Não para ser um “exemplo de superação”, mas, para mostrar que nem sempre há uma ligação entre o corpo limitado e a consciência que pode sim, saber o que se pensa. Uma rampa é útil para carrinhos de bebe, gestantes e até para idosos, que por causa da limitação da idade, pode cair em um degrau mais auto. Temos uma cultura, lamentável, de construir sempre degraus. Cadê a arquitetura universal que o curso de engenharia já ensina nas universidades? Cadê o treinamento do funcionalismo público para falar com uma pessoa com deficiência, que por ventura, quer alguma informação? Nenhum treinamento é feito com qualidade. Existem motoristas das vans do ATENDE (Atendimento Especial de Vans adaptadas da cidade de São Paulo), de taxi adaptado, de um monte de serviço, que não tem nem treinamento e nem os veículos são adequados conforme a cadeira de rodas. Existem cadeiras de rodas – pelo novo formato do ATENDE – que não vão caber dentro de uma van dessas, porque a ABNT está desatualizada conforme a adaptação. Fora que serviços como UBER ou outros aplicativos, não obedecem às normas de acessibilidade e adaptação em seus veículos. Portanto, a discussão tem que sair fora da caixinha.

O que dizer dos ônibus? Os ônibus é um problema social que tem a ver com o capitalismo das empresas e o governo que contrata a porcaria do serviço. Acho eu, que quando você abre uma empresa, no mínimo, você tem que ter caráter e vergonha na cara. Se você não quer investir, amigão, você está no ramo errado. Quando você abre uma empresa, você não está numa ilha e nem é um favor que você está fazendo. Uma empresa vende um produto ou um serviço – isso é básico no marketing – e para vender esse produto e serviço, tem que existir um público. Acontece, quando se trata de transporte público, a questão fica cada vez mais complicado. Porque o trabalhador comum paga todo dia (tecnicamente, paga duas vezes) e outras minorias, tem todo o direito de não pagar. Será que não pagamos? Vamos ver. quando você paga uma bala na venda, você paga ou não imposto? Quando você vai no shopping e vai numa sorveteria, você paga ou não paga importo do sorvete? Não vamos tão longe: 39% de um simples livro, vai de imposto, como você pode conferir em qualquer notinha fiscal. Portanto, eu, você, e todos nossos parentes e amigos, pagam o transporte e a adaptações e ainda, pagamos as cadeiras de rodas e outros aparelhos, que o SUS fornece.

Cadeiras de rodas...é o problema mor de todo cadeirante. Sem elas a pessoas com deficiência física cadeirantes, podem andar? Não. Primeiro, que a qualidade de uma cadeira de rodas manual e motorizada brasileiras (fora outros aparelhos), é um lixo total, por causa do mesmo problema de qualquer empresa brasileira, não quer investir e só quer lucrar. Além disso, tem o enorme problema de serem caras e ter a manutenção cara. Uma cadeira motorizada Freedom, que o SUS fornece, só um pneu dela, custa 200 reais. Será que a primeira manutenção, não poderia ser paga pelo próprio SUS? Os pneus de câmera, desgastam demais. Porém, os postos de saúde (chamados de UBSs) não sabem desse direito. Existem muitas pessoas que relatam que seria injusto os postos forneceram esse tipo de equipamento para quem pediu, mas, os outros não terem o mesmo equipamento. Todos devem ter. E, por outro lado, quem não corre atrás nunca vai ter mesmo. Ficam na internet batendo papo e vendo bunda de mulher e de homem – conforme o gosto da pessoa – e os outros ficam dizendo que não pode, porque é injusto. Não se trata de sorte UBS Jardim Elba, é um direito, tá ok?

Se recebemos um salário mínimo (que muita gente acha que vai quebrar a previdência), se não temos uma acessibilidade vagabunda (uma ABNT porqueira), se temos que provar que somos pessoas com deficiência com laudos médicos, se pagamos impostos (junto com amigos e parentes) e temos um transporte vagabundo, como é ser pessoa com deficiência nesse país? Não é para amadores. Acho que seria mais interessante temos a oportunidade de trabalharmos e ganharmos melhor para até, ter um equipamento melhor. Acho interessante estudarmos e sempre querer ir atrás. Poder casar. Poder fazer o que todos fazem. Mas, vivemos num país que as pessoas (funcionários públicos, principalmente), quando vão te atender nem fala com você. Que quando vai perguntar, sempre pergunta para seu acompanhante. Resta saber, que essas atitudes capacitistas, vão parar. Será?




quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Homem é tudo igual? – Dialogo sobre afetos e subjetividades entre o masculino verdadeiro



Resultado de imagem para subjetividade humana



Amauri Nolasco Sanches Junior

Quem não cresceu ouvindo a frase: “homem é tudo igual”, pela ideia do senso comum que o homem é o reprodutor. Podemos filosofar sobre essa frase, porque tem a ver com a nossa cultura machista, a subjetividade e o senso comum (não tem um conhecimento). Nossa cultura se torna machista com a invasão de povos “aryas” a, mais ou menos, uns 5 mil anos. As cidades-estados gregas antigas, assim como a Índia, viveram uma obscuridade de opressão desses povos – que viviam lá - que eram matriarcais. Povos mais antigos veneravam a “Mãe Terra” por observar o círculo da mulher – da menstruação e gravidez – e assim, achavam que a terra que dava a vida a tudo (que, mais ou menos, não estavam errados). Enquanto os povos antigos – antes dos arianos – acreditavam que as mulheres eram sagradas (que os celtas preservaram em uma certa maneira), por dar a vida e sangrar todo o mês. Os povos invasores, os arianos, acreditavam que os homens eram os dominadores. O mundo do feminino (não feminista), era um mundo pacifico – tanto que foram dominados muito facilmente – e o masculino é movido pela guerra e destruição. Na questão biológica existe a explicação do hormônio testosterona, que dará vitalidade ao homem e produzira os espermatozoides. Só que dará motivação da briga, do lado primata do “macho alfa”.

O líder humano antes da agricultura e das cidades-estados, eram do mais forte e o patriarca do clã. Talvez, porque muito pouco se fala, as religiões matriarcais são uma observação de fazer, quem dá a vida, como sagrado e não pode ser profanado. Mas, as coisas eram bastante rudes. Pesquisas mostram, e quem quiser tem um filme que retratada o comportamento da época segundo pesquisas (algumas estão sendo contestada), “A Guerra do Fogo”, onde as mulheres de aldeias mais primitivas, eram quase “estupradas” por homens jovens. Mas, como disse, algumas coisas estão sendo questionadas (como a ciência deve ser). No próprio filme, mostra que uma mulher de outro clã, com uma outra cultura, ensinou o mais rude a fazer sexo deitado olhando para ela.  Claro, que não sabemos se foi assim mesmo, mas, a percepção que o seu semelhante é um ser humano como você, deve ter dado uma outra perspectiva a humanidade. Mas, existiu o amor? Acredito que o amor românico, começa só no século 20, porque nos outros séculos, se arranjavam o casamento. O interessante, que o amor romântico e a família – estou escrevendo sem o viés ideológico – surgiram com o capitalismo liberal. Isso não tira as monstruosidades que existe no capitalismo, isso mostra que o liberalismo – com todos os defeitos que tem – deram ao ser humano uma escolha de casar por amor. Existe um outro problema – fetiche de filósofo – essa imagem da família de marca de margarina, é a imagem da família norte-americana pós-guerra.

Porém, me contestando, existiam traições que mostram que existiu amor ou paixão, mesmo nos casamentos arranjados e mostra que existia o amor. Eu mudaria, que não que não existia o amor, existia uma obrigação matrimonial dentro do contexto da época. Porém, a imagem da família que pode se juntar para criar os filhos e tal, é uma imagem elitizada, porque, os mais pobres – isso em todas as sociedades – escolheram com quem tem filhos. Claro, que existia etnias que não admitiam casamentos escolhidos como, por exemplo, os casamentos judeus. Muitos diziam, que o amor aparece com o tempo. Será? Daí, chegamos na questão da subjetividade. Digamos, que um conhecimento subjetivo é um conhecimento que depende de um ponto de vista pessoal, individual, que não tem nenhum fundamento no objeto, mas, é condicionado somente por sentimentos de afirmação arbitrarias do sujeito. Ao contrário da objetividade. O conhecimento objetivo tem o fundamento de observação imparcial, ou seja, é independente das preferencias individuais. O subjetivo tem relação com a relativização de uma discussão, o objetivo, tem certeza pelo conhecimento que tem pelo objeto discutido sem se prender na parcialidade desse objeto.

O amor é subjetivo, porque usa do sentimento para com o objeto amado. Seja um animalzinho, seja um objeto que você se afeiçoa – como pode acontecer sim – pelos seus pais e, pelo ser amado. Os gregos chamam de Eros por causa do deus do amor e do sexo. Só que Eros é egoísta de querer o ser amado para si mesmo, como acontece na lenda da princesa Psique (alma/espirito) e o deus Eros (amor sexual) que exigia que a princesa usasse uma faixa nos olhos, quando se encontrasse com ele, para ela amar o deus, não pelo sua beleza, mas, amar do jeito que ele era. Ate, numa noite, ela tira a máscara ou a faixa, não lembro, e vê a beleza desse deus e ele acorda com a princesa lhe olhando e vai embora, deixando Psique desesperada a procura do ser amado. A lenda reflete a natureza egoísta do amor de não aceitar a vontade de cada alma, de cada um (subjetividade). Por que egoísta? Quis que a Psique (alma) fizesse o que ele queria e não entendeu, que antes de amar sua beleza, ela amou seu ser (a essência). A essência, neste caso, procedeu a existência. Psique viu a beleza de Eros e amou mais. A alma vê a beleza do amor e lhe ama mais, lhe ama tanto, que quer que ele entre nela (na alma).

Sponville diz que há amor que toma, é o impuro, assim, há amor que dá ou que contempla, é a pureza. A princesa Alma (Psique) amou a beleza do amor (Eros) sem só amar ela (a beleza), e sim, amar o deus como o todo. Você só ama completamente. Não há meio amor ou amor só no sexo, ou o amor só no beijo e no abraço, o amor tem que ser completo. Amor não toma para si – o amor próprio é um erro, e sim, se aceitar como é e pronto – amor dá ou contempla, o amor verdadeiro já é completo em sua natureza. Mas, também, não o ideal é o que deveria ser e não o que existe. E entramos no outro ponto, o senso comum que Platão, vai chamar de “doxa”. Para ser mais didático, o doxa seria o achismo, ou seja, aquilo que se repete sem nenhum estudo antes de repetir aquilo infinitamente. Como que o amor faz sofrer ou o amor é o que acontece dentro de bares, baladas e afins. Não. Isso é paixão. Quando você se sente atraído por causa do corpo e por causa de pontos específicos, você não está amando, você está apaixonado. Paixão tem a origem latina passio –onis que é derivado de passus, princípio do passado de patī que quer dizer, sofrer. A paixão é um sentimento que, podemos dizer, é uma emoção intensa convincente, um entusiasmo ou um desejo sobre qualquer coisa. Todas as músicas sertanejas – até mesmo da Adriana Calcanhoto – são sobre paixões e não o amor.

Daí, depois de analisar tudo isso – que é importante – se pode analisar a frase em si, porque tem a ver com a cultura machista, a subjetividade (que seria o amor, que é um sentimento) e o que a maioria pensa sobre os gêneros. A questão é mais ou menos, assim: todo homem (do gênero masculino) é igual? Não. Porque a igualdade já pressupõe que todo homem tem comportamentos iguais, e assim, não tem lógica essa frase. Claro, que quando uma mulher diz isso, ela quer dizer que todos os homens não podem ver mulher, que logo, se empolga. Isso dará uma análise, bastante, interessante, porque vai ao encontro direto com a fidelidade. Primeiro, temos que colocar uma questão: a traição é da natureza do homem ou é imposta pela cultura? Porque se é da natureza do homem, logicamente, que só o homem iria trair. Então, por que a mulher trai? Será que pelos mesmos motivos? Talvez. Afinal, as mulheres sentem desejo também. Só que vivemos numa sociedade onde o homem tem o direito de desejar, a mulher não tem o mesmo direito. O homem deve perder a virgindade novinho, a mulher deve se preservar virgem (hoje o tabu se inverteu, mulheres que querem preservar virgens são chacoteadas). A questão vai muito além. Mas, voltando aos homens, todos tem sua subjetividade.

Se confunde desejo com o amor. O desejo sexual é a parte biológica animal que temos que não há mal nenhum – o mal só existe na cabeça dos religiosos fanáticos – mas, somos animais conscientes da realidade. Um cachorro que sente uma cadela no cio, ele vai copular com a cadela. O ser humano tem consciência do ser amado, ele sente afeto. Sua subjetividade diante do outro que é amado, lhe faz ser fiel ao seu amor e nada em volta importa. Como disse Sponville, a fidelidade é a memória. Poderemos ser fieis a uma marca de sorvete, por lembrarmos do gosto que aquele sorvete tem. O gosto e o gostoso, te remete a ser fiel aquilo que te agrada. O outro, quando te agrada, você se fideliza a ele. O ente amado sempre é o ente que nos liberta da solidão. Mas, a cultura da sexualidade mal resolvida (que chamamos de machista), sempre vai impor que para sermos homens, temos que ter um harém. Porém, alguém me perguntou se eu quero ter um harém? Afinal, o gosto tem a ver com a qualidade e não a quantidade. A questão de ter memória para ser fiel, tem a ver de sempre lembrarmos do ser amado que estará sempre ao seu lado, enquanto aquela bunda alheia, é apenas uma outra bunda que não tem nenhum significado. Desejo por desejo.

Podemos ficar encantados por outra pessoa? Talvez. Mas ainda se confundem o desejo (paixão) com sentimento (amor). Antes disso, a memória que é importante para a fidelidade. A fidelidade é lembrar que temos um compromisso com o ser amado, não basta só amar, tem que haver uma lembrança de quem nos ama e de quem amamos. Nem a paixão (desejo) é errado, porque amor sem desejo fica um amor sem substância, sem a essência da caricia do ser amado. Mas, só desejo fica só sexo, fica só um ato animal (primata?), somos animais conscientes da nossa realidade, então, somos conscientes de nossos semelhantes e nos afeiçoamos (com afetos) a quem demostra carinho por nós. Com isso não estou dizendo que os outros primatas não têm afetos. Pode até ter de maneira diferente. Estou demonstrando que nós temos o diferencial da percepção do outro como um ser afetuoso, um ser que tem um vínculo com o demais. Sponville – ele de novo – diz que dizem que o amor começa com a mãe. Isso concordo. A mãe que nos ensina a amar, a respeitar o outro com seu amor infinito (agapé?). Claro, que existem mães que maltratam e não tem nenhum afeto com seus bebes – que seriam exceções – mas, que a maioria tem sim muito amor aos filhos. Quando o homem perde esse afeto? Quando a própria mãe diz que homem não chora. Diz que seu filho é o bodinho e que as outras mães, tem que esconder suas cabritas porque seu filho está a solta. Ensina a ter ciúmes da irmã, mas, a irmã nunca pode ter ciúmes do irmão. É bonitinha cuidar do corpo da mocinha (irmã), porém, quando são as mocinhas alheias (as irmãs de alguém) pode. Acontece, que cada um deveria ser ensinado a cuidar da própria vida e do seu próprio corpo.

Com essa cultura, que digamos, niilista (contra a vida e os reais valores humanos), vai criar homens vorazes, homens que brincam de guerra (minha mãe detestava brinquedos como arminhas e de guerra), criar verdadeiros touros reprodutores. Afinal, se não tiver reprodução, quem vai pagar impostos e trabalhar? O ESTADO detém o discurso, o poder diz para sermos vorazes não no amor, mas, no sexo porque quer cada vez mais, que pessoas nasçam para acumular em grandes cidades. Por outro lado, as próprias pessoas se alienam, se vangloriam que teu filho pega as meninas por aí, mas, detestam quando o marido faz isso. Ele tem o compromisso, seu filho não. A ignorância (mal) faz com que as pessoas dão valor a aquilo que é pobre, aquilo que não está de acordo com aqueles que detém o conhecimento (bem/bom). Homens do gênero masculino, podem sim, ter sentimentos, chora, fica triste e se decepciona. Por que não? Por que não podemos amar um outro ser humano além de querer o sexo? Todo homem não é igual, mas, as culturas impõem (começando no berço) a exigir isso dele. Questão de educação.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Cadeirante anti-exemplo de superação, nem direita e nem esquerda e anti-religioso não ateu






Resultado de imagem para Nietzsche na moto



Amauri Nolasco Sanches Junior

“Eu vos digo: é preciso ter ainda o caos dentro de si, para poder dar à luz uma estrela dançante, eu vos digo: tendes ainda o caos dentro de vós” – Nietzsche, Assim Falou Zaratustra, p. 18

Tenho duas coisas que me movem quando eu estou escrevendo ou querendo dar minha opinião é ser uma metamorfose ambulante do nosso saudoso “Raulzinho”. Outro, minha “veia” filosófica que o meu pensamento mor – cada filósofo tiro uma essência que sigo – é a destruição de todos os ídolos que veio, claro, de Nietzsche. A título de exemplo, posso gostar de uma banda, gosto das músicas e posso gostar de algumas atitudes, mas, isso não quer dizer que não vou criticar outras atitudes que não gosto. Só para ressaltar, posso gostar dos Beatles, mas, reconheço que foram uma banda pop do mesmo naipe dos Black Street Boys. Ou seja, eu quebro os ídolos e não uso de fanatismo, nem ideológico, nem religioso e muito menos, televisivo, para analisar. Ídolos são apenas para as pessoas que precisam de “muletas” conceituais para imaginar ser uma pessoa que não é, ou não aceitar quem você é.

Para se chegar a destruir ídolos (de qualquer porte) se tem que ter o caos dentro de você e usar esse caos para criar a estrela brilhante. Quem conhece um pouco de astrofísica, sabe muito bem, que dentro de cada nuvem espacial, existe o caos que nasce uma estrela quando as moléculas se agitam. Esse caos que Nietzsche fala para dar vida a uma estrela dançante, é o caos da certeza, o caos da morte dos ídolos e só você pode resolver seus próprios problemas. Você tem seus conceitos, tem seus valores e não mudarão, porque uma sociedade ressentida, acha que você não pode ser o vencedor (só se você se achar mais fraco que eles), acha que quem tem um pensamento acima de qualquer ídolo, é um desqualificado. O ressentido é aquele que não consegue ser o vencedor, aquele que não tem esse caos dentro dele mesmo, tem que procurar ídolos para confortar seu próprio fracasso. Se escondem embaixo de religiões ou ideológicas politicas só para se sentir importante, só para se sentirem senhores de si mesmo, mas, ainda sim, tem alma de rebanho. Por isso tem os pastores (que cuidam do rebanho das ovelhas dóceis) ou existem os padres (que cuidam dos seus filhos), porque quem tem alma de rebanho, quem precisa de um pai, tem que ter alguém que lhe mostre o caminho.

Aí você começa a pensar que dentro da caverna você só via sombras daquilo que te falavam que era a verdade, porém, não existe nem fatos eternos e nem verdades absolutas. Segundo Nietzsche, não precisamos esperar sair da caverna para ver que aquilo não é verdade – mesmo o porquê ele usou Heráclito que dizia que tudo muda – porque as sombras uma hora teriam que mudar, porque tudo muda dentro da realidade. O ressentido – voltando um pouco – vai ver as verdades absolutas para estar seguro, quem não é ressentido, vê que a realidade muda e aceita essa realidade. O “amor fati” nietzschiano, é a aceitação que você está numa caverna e tem que perceber as sombras e graças a essas sombras, você é dominado. Num outro exemplo, posso pegar minha condição de cadeirante e pessoa com deficiência física e aceitar minha condição sem me martirizar ou pensar ser um castigo, pois, é só uma condição que vou ter que me adaptar e lutar pela inclusão das pessoas com deficiência que estão na mesma condição. Isso está além da esquerda progressista (muito menos a socialista), muito além da direita liberal ou conservadora.

Chagamos ao Ubermensch (além-homem ou super-homem) que nada tem a ver com o fascismo ou o nazismo – que ainda exige um ídolo para seguir – e sim, ver os verdadeiros valores nobres como valores a seres seguidos, valores que estão além do bem ou no mal. O “super-homem” de Nietzsche não é o Superman da DC – alguns até dizem que é ao contrário do que Nietzsche pregava. É escravo da moral humana num bem totalmente, kantiano – e sim, um ser humano que transcende as morais que fazem dele mais um num rebanho, um que vê a humanidade acima da montanha. Ele não é submisso a ninguém e nem a ídolo nenhum, está acima de qualquer valor vigente e isso que é o caos, as marteladas nos ídolos.

Quando eu escrevi o texto “MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO NÃO QUER EDUCAR AS CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA”, nunca coloquei nenhuma ideologia no texto, mas, fatos que comprovam que o MEC quer mesmo, reabrir as classes especiais. Em dois grupos que tratam do assunto, pessoas me criticaram (criticas burras por sinal), no meu modo de pensar e dizendo ser notícia falsa. Ora, isso mostra que há muitas pessoas que se apegam, ainda, em ídolos e esses ídolos apoiam seu fracasso. O ressentimento de não aceitar sua deficiência e se trancar numa ideologia (o Bolsonaro não é nenhum imperador os até mesmo, um ser divino infalível), ou se trancar em religiões ressentidas que pregam a humildade da submissão, ou a vitória só se você se submeter para um “deus” ciumento, que adora guerras e deixou um querubim criar o inferno. Se o Eterno é onipresente, onisciente e onipotente, não vai ser nada disso, porque ele está acima de qualquer sentimento humano. Minha convicção espiritual é acima do ressentimento, porque o caminho espiritual tem a ver com o conhecimento, pois, não há o bem e o mal, há o conhecimento e a ignorância. Se tenho imagens de todos os líderes espirituais, é porque conheço cada um deles e suas mensagens.

Críticas vazias ou da perfeita falta de convicção sua mesmo, fazem de você um sujeito com alma de rebanho. Sempre quando se tem alma de rebanho, se tem uma mente dual, convicções que não são suas, ações escravas de outras ações. Quem tem a convicção daquilo que acredita e é (valores de nobreza verdadeiros), são aqueles que deixam o caos dentro de si para deixar sempre suas estrelas dançantes, brilhares e serem. Essas estrelas são a celebração da vida, a verdadeira vitória da vida.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

O bilhete da menina com Síndrome de Down e o preconceito explicito






IMAGEM 01: Menina de 8 anos que tem síndrome de Down recebe bilhete anônimo com frases preconceituosas e a sigla 'B17'. Família acionou a polícia. Descrição #pracegover: Pedaço de papel parcialmente amassado com linhas onde estão escritas as frases 'negro na senzala, gay no armário, retardado na apae', além da sigla B17. Crédito: Reprodução.

Pedaço de papel parcialmente amassado com linhas onde estão escritas as frases ‘negro na senzala, gay no armário, retardado na apae’, além da sigla B17





Amauri Nolasco Sanches Junior

O preconceito está começando a ganhar “corpo” com a eleição desse ano e a polarização. Agora imagina você ter uma filha com Síndrome de Down e você mexendo na mochila e pegando um bilhete dizendo: “negro na senzala, gay no armário, retardado na apae”. O que você sentiria? Você iria gostar desses dizeres? Isso se chama, empatia. Você pode se colocar no lugar do outro e se vê um mundo muito mais evoluídos. Quando você vê um bilhete como esse, com dizeres nazistas (sim, extrapolou o nível do preconceito e chegou ao nível nazista), ou essas pessoas gostam de morar nas cavernas, ou essa gente tem que ser preza para ter uma empatia social. Por que negros incomodam? A mim acho que não incomodam e são cidadãos como outro qualquer. Por que gays incomodam tanto? A mim não incomodam e tenho amigos gays e nunca virei gay, porque quem quer “gay no armário”, não se definiu sexualmente. Por que pessoas com deficiência, seja a deficiência que for, incomoda tanto? Empatia.

Só para começar, “apae” é uma sigla e siglas são de letras maiúsculas como “APAE”, só para corrigir o bolsominion. Outra coisa, se você é contra o PT não deveria ser sinônimo de ser preconceituoso, e ninguém entendeu. Acho isso, além de ser cafona, ainda pessoas ignorantes que não sabem que no mundo todo tem inclusão. Pessoas com deficiência tem uma visibilidade muito mais lá fora, porque lá fora existe muito mais cultura e menos fanatismo. Porque ao mesmo tempo que as pessoas votam em algum candidato, se ele não fizer ou não ser o que apareceu na campanha, também criticam o candidato e cobram eles daquilo que prometeram. Preconceito contra negros, contra homossexual e contra pessoas com deficiência é crime, leis não tem ideologias. Será que essas pessoas não sabem que essas coisas são crime? Será que eles não sabem que o mundo evoluiu e tudo gira em torno dos direitos dos homens? O ser humano é uma espécie só, todos são homo sapiens e ponto.

Preconceitos tem a ver com a ética, por ser tratar de valores aprendido. Etimologicamente, vem de “pré”, que dará uma visão de uma ideia de algo anterior, antecedente, que existe de forma primária. Com o “conceito”, que é aquilo que se entende ou compreende em respeito de algo, derivado do latim “conseptus”, o significado se refere a construção ideal do ser ou de objetos apreensíveis cognitivamente. O preconceito é um conceito formato de forma anterior ou antecedente a constatação dos fatos. Portanto, um sujeito que tem preconceito é um sujeito que tem uma ignorância que se prendeu em ideias pré-concebidas, que despreza um outro ponto de vista.  Um outro ponto de vista é ter empatia com o outro, ver o outro como um ser humano, como um igual. Se um adolescente repete essas coisas num bilhete, ele ouviu e aprendeu em algum lugar e esse lugar, é na sua casa.

Você cria seu filho dentro de sua casa, sem conviver com o diferente, sem amigos e assim, você não convive com o diferente. O outro se torna uma “coisa”, um “objeto” que não pode estar ali e esse filho, vai ressonar aquilo que os pais dizem. Então, talvez, a ideia essencial do bilhete seja exatamente a ideia central de uma educação errada, uma educação que por séculos, olha as minorias como se fosse algo que se deveria varrer “de baixo do tapete”. Isso é um atraso cultural. Temos uma elite ignorante que acha que essas políticas são comunistas, sendo, que o comunismo era um governo que eliminava 10% da população, por causa da comida. Não tinha homossexuais. Não tinha negros. Não tinha pessoas com deficiência. Aliás, na Rússia, até hoje, é proibido se assumir homossexual. Se temos uma elite ignorante – que teoricamente, tem possibilidade de ler e se informar – imagina, um povo que não sabe nem o que gastou naquele mês.

Não vou me aprofundar sobre inclusão, porque todas as vezes que eu escrevi sobre as pessoas com deficiência eu expliquei sobre. Só vou dizer, para terminar, que inclusão não é uma pauta só de esquerda, porque essa pauta é uma pauta mundial. O próprio Aristóteles dizia que é mais barato as pessoas com deficiência trabalharem, do que serem sustentadas pelo governo. Ele disse isso em dois mil anos atrás. Então, o mundo educa as pessoas com deficiência para ter uma inclusão e colocar essas pessoas para trabalharem, produzirem, para ele mesmo pagar tratamento e pagar suas coisas, até, escolher o que quer usar. Inclusão, não é um luxo, mas, um direito.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Nós deficientes precisamos de qualificação e o pessoal falando asneira nos jornais





Resultado de imagem para lei de cotas deficientes




leiam primeiro (aqui)


Amauri Nolasco Sanches Junior

Num desabafo, uma amiga disse que há pessoas com deficiência que não a favor da lei de cotas – que obrigam as empresas a contratarem 5% de pessoas com deficiência entre seus funcionários – porque acham que há uma diferenciação de um trabalhador com deficiência e sem a deficiência. Claro, se fomos bem racionais, nós estamos fazendo com que as empresas nos olhem como pessoas incapazes de assegurar e competir num mercado de trabalho, extremamente, competitivo. Só que, tem um outro lado (sempre existe um outro lado), as empresas ainda trabalham com conceitos arcaicos que não cabem mais nos dias atuais, como não se adequarem as pessoas com deficiência, acharem que por serem deficientes, são um “problema”. Porém, existe uma outra coisa, quando você não tem diploma universitário, as empresas ligam mais para você, elas contratam mais, elas se interessam mais. Mas lá, no órgão governamental (onde deveria ter uma fiscalização rígida), as mesmas empresas alegam não haver qualificação dentro da área. Não é uma contradição? Será mesmo que eles querem pessoas com deficiência qualificados ou não querem para pagar menos ao que pagam para pessoas sem nenhuma deficiência?

leiam também: a liberdade de Lula

Respondi a essa amiga que quem é contra, na sua maioria, trabalha numa empresa de um conhecido ou da própria família. Então, para essas pessoas, é algo extremamente fácil porque existe alguém que sempre vai arranjar trabalho para ele e ele não vai ficar sem emprego. O que falta nesse caso, é a empatia de ver que existe outras pessoas com deficiência que tem deficiências severas, que as empresas – dentro de uma lógica arcaica – enxergam com um problema e não como uma pessoa em potencial. Mas, é um segmento (pessoas com deficiência) muito estranho, ao mesmo tempo que escrevem verdades, não querem se comprometer com nada. Eu sou uma pessoa verdadeira, se falo é para valer, se é para só fazer um “desabafo”, prefiro não escrever. Enfim. A questão fica em torno de qualificação num país – oitava economista mundial – que não investe em nada, o ensino escolar e quando tem que cortar, cortam a verba da educação e da pesquisa cientifica. Como fica? Como se vai exigir em qualificação das pessoas com deficiência se não tem nem educação de verdade?

Isso está acima de ideologias políticas. Porque a deficiências estão além das crises, e com as crises, são convites para mudanças. Mas, as pessoas são muito resistentes a mudança e as mudanças, são retardadas por causa disso. Eu te garanto que em toda a história da humanidade, a questão da mudança tem tanta importância, que se não acontecesse, ainda estávamos morando nas cavernas. Acontece, que as pessoas se acostumam daquilo que é mais cômodo. A deficiência, voltando ao assunto, não vai ser revertido e não vamos desaparecer por conta que a sociedade nos trata como um problema secundário. Mesmo o porquê, a previdência que foi criada como um modelo ideal, está ruindo por conta de anos de corrupção. Não vai adiantar todo mundo – dentro do Brasil – querer ter um benefício e esse benefício trará dor de cabeça, não dará o poder aquisitivo nem para comprar uma cadeira de rodas. E uma questão fica no ar: se nós estudamos, nos especializamos, pagamos livros, pagamos cursos, por que temos que ganhar menos que uma pessoa que o pai pagou todo o curso? Não adianta fazer média, a maioria das pessoas que estão nas áreas mais bem pagas do mercado (como publicidade e TI), o pai ou o governo pagou todo o curso, o retorno para as pessoas com deficiência, é zero.


Umas das coisas que temos que parar de argumentar é que queremos uma chance, não queremos só uma chance, foi todo um investimento dentro da nossa capacitação. Dentro da escrita, por exemplo, investi pesado para aprender a nova ortografia, investi em livros para fazer textos melhores, investi numa internet melhor (sim, eu pago internet), então não dá para ter esse papinho de bobo e achar que estamos, eternamente, ajudando a humanidade. Claro, que podemos colaborar com a humanidade. Mas, não vamos ser hipócritas, queremos um salário e uma oportunidade boa. Todo mundo quer, por que nós seriamos diferentes? Por que não podemos ser bem-sucedidos profissionalmente? Percebemos, também, que há uma cobrança muito grande por causa da deficiência. Nomes como Stephen Hawking – morto sesse ano – nos remetem a essa cobrança de sermos exemplos e não reclamarmos.



Mas, se nós temos que ser qualificados, por que será que vejo vários erros em matérias de jornais? Por que temos que ter qualificação, se vejo várias pessoas que nem sabem escrever? Não esquecemos – que já disse nesse texto – que não há uma educação de verdade, ao ponto, de pessoas nem saberem escrever a própria língua. Ora, se há jornalistas que erram na escrita, se existem pessoas que escrevem errado nas redes sociais, então, não há razão de existência. E outra coisa, estão pedindo laudo médico junto com o currículo, que é errado. Por que temos que provar nossa deficiência? Por que temos que ser aquilo que não somos, para agradar setores que não exigem qualificação?

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

As coisas velhas de brasileiros que não gosta de Nutella



Resultado de imagem para filosofos nutella




Há um fenômeno interessante dentro do Brasil, quando se fala em ter um pensamento genuíno. Sentimos isso quando o cara, mais ou menos da minha geração, tem saudade do Aquaplay e não gosta de um X-box, ou fica invocando piadas dos Trapalhões para justificar piadas sem graça, brincadeiras sem nexo, ou desculpa para o seu preconceito. O Aquaplay foi bom lá atrás quando brincávamos com ele? Sim. Mas as coisas evoluem e nada vai fazer voltar naqueles tempos, que ao meu ver, era mais difícil com a hiperinflação, com a pobreza mais elevada, com o poder aquisitivo bem menor e o salário extremamente, baixo.  Não estou dizendo que hoje é o paraíso. Estou dizendo que a humanidade evolui, se podíamos falar algumas coisas antigamente, hoje não se pode mais. Simples assim. Esse fenômeno está no Brasil a muito tempo e vai demorar para o povo entender que as coisas evoluem.

Mas vamos ter que explicar uma coisa. Nos últimos cinquenta anos, a grade escolar não mudou nada e as matérias continuam as mesmas. Você não tem como ensinar uma geração fã de K-pop – nas periferias, funk pancadão – mexe no celular, tem o Google, tem milhares de coisas que nos trazem conhecimento. E se no básico não se consegue prender os jovens e as crianças de hoje, imaginem ensinar filosofia para jovens que vieram de uma cultura que o conhecimento é pecado (do orgulho), que quem tem muito conhecimento é “nerd” e são pessoas esquisitas e que o legais, eram as pessoas que eram bobonas, que tomam porres intermináveis e que não tinham nada na cabeça. Não há jeito. Porque, se fomos bastante criteriosos dentro das músicas como o funk, abrem brechas para a falta de conhecimento e inteligência. Mas, a verdade é, que aqui no Brasil, não temos uma tradição filosófica e que toda a discussão filosófica fica a cargo de acadêmicos que ficam com a sua linguagem difícil (técnica), e que, naturalmente, ninguém entende ou ninguém se interessa. Para provar isso, temos o “filósofo” Olavo de Carvalho, que tem uma linguagem fácil e teorias conspiratórias que, por falta de estudo e mais fácil de aceitar, e no mais, o ser humano adora uma teoria dessa.

leiam também: Lula Candidato 

Não há 13 famílias que comandam o mundo.  A Pepsi Cola não coloca fetos humanos nas suas bebidas. Não somos comandados por reptilianos e eles, não vão dominar nosso mundo (até agora, não se sabe como seria a vida fora da Terra). A questão ultrapassa essas fantasias de ficção cientifica – não muito, mas, isso é uma questão para um outro texto – e passa para a teoria da responsabilidade que foi esquecida nesse tempo que as coisas sempre são culpa dos outros. Aí aparecem textos como “filósofos Nutellas”, “intelectuais Nutellas” e por aí vai. Não estou escrevendo uma resposta a um artigo da Revista Bula (aqui), mas, analisarei alguns pontos importantes que podem ser esquecidos ou não dentro da ótica verdadeiramente, filosófica. Mas, dentro da filosofia não devemos tratar problema como apenas, uma singela analise sem propósito nenhum.

leiam também: Nudes do Felipe Neto 

Primeiro, tudo virou Nutella por acharem que a marca de creme de avelã é uma marca recente, mas, recente é a chegada no Brasil (como tudo). A dona da marca é a Ferrero que é italiana, assim, Nutella é creme de avelã com cacau e leite. Na verdade, a Nutella foi desenvolvida em 1963 a partir de um outro produto, da própria Ferrero, de 1944. Atualmente, a Nutella é vendida em mais de 75 países e no Brasil, é vendido desde 2005. Então, esse papo que tudo que é fraco e que não tem sustentabilidade, é Nutella, é muito furado. Porque, tanto a marca Ferrero como o próprio Nutella, são marcas tradicionais lá fora.

Mas está é a dúvida: o que é tradicional ou não? A filosofia em si – dês da sua essência – nunca foi tradicionalista e muito pouco, achar que a filosofia não está certa ou errada. O único e mais mordaz da filosofia acadêmica do nosso país, é ter perpetuado que a filosofia tinha uma cartilha e não tem. Talvez, por herdarmos uma filosofia iluminista, que fez pensarmos, que o filósofo deveria ser ateu, por exemplo. Ou que um filósofo tivesse aptidão de resolver a questão da liberdade, ou nunca, absolutamente, nunca, pudesse refutar as ideias de Marx ou de outro filósofo clássico (dentro da academia). A academia brasileira se fechou como se fosse um “clube” fechado para pessoas exclusivas e não para qualquer ser humano. Isso. Como se eles fossem deuses olimpianos que estão no monte Olimpo olhando para nós e vendo como podemos se matar por causa de merda. Então, tudo gira em livros acadêmicos, estudos acadêmicos, coisas acadêmicas. Mas, não temos academia nenhuma, temos um “grêmio” acadêmico.

Acontece que ser filósofo não é ser um engenheiro civil, por exemplo, que tem que saber certos cálculos ou ter certas habilidades para manter certas construções de pé. O filósofo tem que entender de sociedade e a sociedade é uma grande parte da humanidade – se não for toda na hierarquia social – quando, os colocamos, acima de uma “montanha” conceitual. Sim. Tem alguns filósofos – como o Zaratustra de Nietzsche – desce da montanha para olhar a sociedade de perto. Daí eu lembro da lanterna de Diógenes, O Cínico (O Cão). Dizem que Diógenes de Sinope (Sinop hoje é a Turquia), saia pela cidade procurando um homem honesto e que dizia a verdade, que pelo jeito, não foi possível. Mas, pode ser uma história simbólica que pode ser interpretada como o sábio que segura a luz da sabedoria para encontrar outros sábios para fazerem coro para a sabedoria. Outra interpretação, é que essa lanterna é o caminho que mostra a luz da saída de um esconderijo chamado ignorância. Ou seja, a procura de Sócrates continua bem e firme quando começamos a ver a história de Diógenes, do homem que quer encontrar a sabedoria, que ama a sabedoria, mas, começa a querer procurar alguém mais sábio.

Esse é o problema, um filósofo busca a sabedoria através da verdade. Não importa aonde ela esteja, pois, todo pensamento ou ideia, é apenas um ponto de vista de uma realidade. Mas, o que é a realidade? Será que é a minha realidade escrevendo esse texto ou a minha realidade é bem mais ampla? Aí chegamos no filósofo Nutella. Porque, ao meu ver, o filósofo Nutella é o filósofo clássico que já é notoriedade dentro de uma tradição fora do nosso país. Porque, aqui a Nutella é uma inovação, e na tradição brasileira, doce é chocolate. Doce é biscoito de polvilho. Bolacha recheada. Porque a realidade brasileira, não foi realizada por uma tradição de Nutella e a realidade, aqui, que algo ser Nutella é ser falso, ser fraco, não ser verdadeiro. Mas, o que é ser verdadeiro ou falso? O que é ser um filósofo verdadeiro ou falso? Quando começamos a colocar verdades dentro da filosofia e construir filósofos verdadeiros, começamos a formar dogmas e não filosofias.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Olavo de Carvalho não PODE ser filósofo






Resultado de imagem para olavo de carvalho


Amauri Nolasco Sanches Junior

Já disse que o Olavo de Carvalho não é filósofo. No máximo é um intelectual e por ele dá curso, não quer dizer, que ele é um filósofo. Não avalio ele por causa de ter ou não um diploma – mesmo o porquê, existem filósofos de diploma que não filosofam e ainda acreditam demais em ideologias políticas nocivas – mas, a maneira que ele avalia as questões importantes e o quanto isso é nocivo. O Olavo de Carvalho e o Paulo Ghiraldelli, são, muito parciais e não usam tanto a racionalidade quanto parece. Analises politicas não podem ser parciais. Aliás, analises de filósofos não poderiam ser parciais. Claro, que a filosofia não dá margem ao que é verdade fechada dentro de um quadrado com um padrão de qualidade dizendo que isso realmente é filosofia. Por isso, não concordo quando alguns filósofos atacam livros ditos de autoajuda, porque fica como se uma imposição a verdades prontas, que isso ou aquilo é filosofia, e, muitas vezes, até nesses livros podemos fazer algumas reflexões interessantes.


Tudo que eu achei no discurso da professora Janaína Paschoal eu coloquei no artigo anterior “Janaína Paschoal falou a verdade e ninguém gostou”, onde achei bem oportuno a sua avaliação. Olavo de Carvalho twittou assim:  “Janaina Paschoal NÃO PODE ser vice-presidente nem de clube de futebol. ”, que mostra desconhecer até mesmo, times de futebol. Para o “professor”, o que seria um vice na altura do Bolsonaro? Quem quer ser vice do Bolsonaro depois de uma foto com uma criança fazendo gesto de arma com o dedo? Quem quer ser vice do Bolsonaro depois de todo o discurso que ele fez durante a sua carreira parlamentar? Ninguém, presumo. Ninguém quer que seu nome seja ligado a uma pessoa que discursa contra pilares básicos da ética, como não estuprar (seja a mulher do PT, PSDB, PDT e etc), como dizer que o Brasil é um pais cristão (fomentando o fanatismo religioso), como fazer crianças fazerem gesto de armas e outras coisas que estão cheios os jornais. Então, acho eu, que o discurso da Paschoal foi bem pertinente.


Agora, não vou dizer que o Olavo de Carvalho, como disse o Saindo da Matrix (esqueci o nome dele), é um velhinho qualquer que cismou fazer vídeo no YouTube. Não. Não é um velhinho do YouTube, porque faz anos que está em evidencia e escrevia artigo de jornal, escreveu livros e fica propagando teorias maluca da direita americana (a gente sempre importa merda de fora, única coisa boa, foi o rock). Uma prova dessa insanidade do “velhinho” é, querer estuprar minha inteligência, dizendo que o movimento hippie é um movimento comunista e que o rock é comunista. Nós sabemos muito bem, que a direita (que nunca pegou uma obra marxista e de Karl Marx), confunde socialismo com comunismo faz tempo. O gozado disso tudo – se não for, deprimente – é que o próprio Olavo disse em um vídeo que os regimes socialistas não quiseram levar adiante o comunismo, porque estatizar a economia era e é, uma coisa impossível. Se o próprio Olavo disse que o comunismo nunca existiu e não tem possibilidade de existir, esses caras da direita, falam tantas asneiras que ainda existe comunismo no mundo? A Guerra Fria termina com a queda do muro de Berlim, ponto.


Sou contra, também, filósofos acadêmicos por achar eles amarrados num modo, quase fanático, cientifico. Para mim, o modo cientifico não tem nenhuma diferença do modo religioso, não temos a capacidade empírica de dizer se aquilo é ou não, verdade. Você pode perguntar: mas, existem evidencias? Ok. Mas, não há diferença nenhuma de uma foto de um OVINI e uma foto de um foguete subindo aos céus, provas podem ser forjadas. O que podemos fazer é crer que aquilo seja verdade. No mesmo modo, ser um ateu e ser um religioso, é uma questão de crença. Sempre vi a filosofia muito além do que todo mundo vê, e não costumo a me prender a formas cientificas. O filosofar é dissertar ou fazer uma meditação a respeito das coisas e questões que estão dentro da filosofia, mas, também, é dissertar ou fazer uma reflexão em qualquer assunto.

Filosofar é ativar a criatividade por meio de abstrações sobre alguma coisa. Além de fazer longas reflexões, o filosofar é uma maneira de argumentar sutilezas. Por exemplo, a fala do Olavo de Carvalho, que falou que a professora não servia nem para ser vice de time de futebol. Quem é corinthiano (para evitar críticas mais acaloradas, sou um), sabe que isso não é verdade. Aliás, ditos filósofos que ditam verdades não são filósofos, porque querem impor verdades que só são autoverdades. Se Sócrates tivesse vivo – estou falando o filósofo grego, tá? – chamaria o Olavo de sofista, além, de outros. Sócrates não teve diploma, mas, não tinha preferencias nem na política, nem na religião, nem em nada. Ele questionava tudo. Os únicos que levaram ele e seu ensinamento a sério, foram os cínicos (apesar de Platão ficar famoso, a essência socrática ficou com os cínicos), porque ao fazerem o que queriam, questionavam a moral da época. Coisa que o Olavo não faz por questões religiosas, questões de achar que a moral cristã é a única (já vi ele falar muita merda da filosofia oriental), ele se fecha e não sabe expandir o debate. Não que eu discorde de tudo, mas, não acho que uma pessoa falar mal do que é obvio, seja declarada como “gurus”.